Lórens Nogueira (PP), que foi flagrado recebendo dinheiro de uma funcionária, não é mais vereador de Curitiba. Ele teve o mandato cassado pelos colegas na tarde desta quinta-feira (20) durante uma sessão especial da Câmara de Vereadores.
Durante a sessão, tanto o advogado Jefferson Vilela quanto Lórens fizeram uso da palavra na tribuna. O agora ex-vereador negou a prática de “rachadinha” e afirmou que tratava-se de um empréstimo: “de amigo para amigo”.
“Sobre a questão de dizer que eu coagi a servidora Cristina. Mentira! Não coagi em momento algum. Se trata de um dinheiro que foi emprestado de amigo para amigo. Eu quero que assistam o vídeo que circulou amplamente. Lá na sede do Instituto Grupo Solidário, eu quero que vocês escutem o áudio. Sim, ela entrega o dinheiro, está visto ali, como é que eu vou negar? É algo que está acontecendo de fato? Mas a rachadinha, isso não existe. Isso é mentira”.
Ele chegou a exibiu cópias do Imposto de Renda em que declarava possuir dinheiro em espécie em casa. Nos bastidores, Lórens chegou a conversar tete a tete com alguns dos seus pares, dizendo que não tinha restado comprovado nada contra ele, que eram provas fracas e que era a palavra dele contra a da funcionária.
O defensor de Lórens pediu a absolvição do cliente, disse que não há provas no processo de qualquer crime e que, se fosse da vontade dos vereadores, que aplicassem uma suspensão de 120 dias do mandato — como uma “resposta” ao caso.
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Por ampla maioria, os vereadores de Curitiba votaram pela perda do mandato e rejeitaram a suspensão por 120 dias. É preciso colocar neste contexto, o ano eleitoral e que muitos vereadores estão em busca de um upgrade na eleição de 26.
O início…
A perda do mandato eletivo veio pouco mais de 3 meses depois da ação do Gaeco que tinha como alvo Lórens Nogueira — que na época presidia o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba. O Gaeco chegou a pedir a prisão do então vereador, o que foi negado pela Justiça, e o afastamento dele da Câmara.
Recentemente, a Justiça atendeu ao pedido do Gaeco e determinou o afastamento de Lórens por 90 dias — mas dias depois, o Tribunal de Justiça do Paraná suspendeu esta decisão.
Horas depois da operação policial, Lórens deixou o Conselho de Ética e passou a enfrentar não só uma investigação criminal quanto pedidos de cassação dentro da Câmara.
As duas frentes prosperaram. O Conselho de Ética apurou o caso e recomendou a cassação do mandato. Na Justiça, Lórens foi denunciado pelo crime de concussão — que é quando um funcionário público exige vantagem indevida para si ou para outrem. Popularmente, a prática ficou conhecida como “rachadinha”.
Assim que a sessão foi encerrada, com o veredicto anunciado, o presidente da Casa, Tico Kuzma, afirmou que iria comunicar a Justiça Eleitoral sobre a decisão. O suplente do PP, Luciano Carvalho, é quem vai assumir a cadeira.
Outro lado
O Blog Politicamente procurou Lórens Nogueira para comentar o caso, mas ele não respondeu aos questionamentos — o espaço segue aberto.
A defesa dele deve ingressar com uma medida na Justiça para tentar reverter o julgamento político na Câmara de Vereadores de Curitiba.