A pesquisa da IRG, divulgada pela RIC TV nesta quinta-feira (13), escancarou o óbvio: o peso político de Rafael Greca (MDB) na candidatura de Sandro Alex (PSD) ao Governo do Paraná.
Ficou ainda mais evidente quando o instituto apresentou aos eleitores os candidatos ao Palácio Iguaçu juntamente com seus vices. Só faltou colocar o “apoiado por Ratinho” para fazer barba, cabelo e bigode.
O crescimento na estimulada de pouco mais de 8% — eram 16,5% em julho e agora 24,8% — nada mais é do que grande parte da intenção de voto que o ex-prefeito tinha quando se postava como pré-candidato ao Iguaçu, quando na trend das redes sociais verbalizava do alto do Empire States que não seria vice de ninguém.
Não por acaso, e munido de pesquisas encomendadas pelo marqueteiro argentino Jorge Gerez, Ratinho Junior deixou o Palácio Iguaçu com o vice, Darci Piana, a tiracolo e foi até o apartamento de Rafael Greca acertar pessoalmente o MDB na vice de Sandro Alex. Após um cardápio generoso de opções de espaço num eventual futuro governo do “tocador de obras”, a aliança estava feita.
Os 8% que Greca incorporou ao desempenho de Sandro Alex vêm, fundamentalmente, dos eleitores de Curitiba e de uma fatia da região metropolitana. O desafio dos estrategistas do PSD será agora buscar os votos no interior do Estado, de onde Moro consegue manter a estabilidade da intenção de voto registrada pela IRG na casa dos 40% — lastreado no voto bolsonarista.
E uma maneira de interiorizar Sandro/Greca será através das inserções e comerciais na rádio e na TV — que começam em 28 de agosto. O latifúndio no tempo de propaganda partidária garantido por Alexandre Curi para Sandro Alex com a adesão da Federação União Progressista será de suma importância para o trabalho e as pretenções portenhas.
Sem falar nas carreatas das últimas semanas de campanha que deve colocar o apresentador de TV Ratinho em cima das picapes na missão de eleger o sucessor do filho no Palácio Iguaçu.
Foguetinho nas redes
Mas Sandro Alex a partir desta IRG já pode postar nas redes sociais os 24,8% na ogiva do foguete, que subiu e está em 2º lugar — numericamente à frente e empatado tecnicamente dentro da margem de erro (2,6%) com Requião Filho (PDT), que pontuou 21% ante os 19,1% da rodada anterior. “Requiãozinho” também herdou um naco dos eleitores do ex-prefeito da capital mais simpáticos aos ideais e ideias da esquerda.
Outro dado festejado: a simulação de um eventual 2º turno. No embate Moro x Sandro, a IRG mostra um empate técnico no limite da margem de erro: 42,7% para o senador e 38,1% para o “homem da infraestrutura”.
Neste cenário, estaremos diante do que foi visto em 2024, um déjà vu da eleição de Curitiba, quando o campo progressista, liderado pelo PT de Lula e Gleisi, conduziu silenciosamente Eduardo Pimentel ao Palácio 29 de Março.
Contra o pedetista, tanto o ex-juiz da Lava Jato quanto Sandro Alex batem o adversário com relativa folga em cenários simulados de 2º turno. É o peso do PT que Requião Filho terá de carregar. Nos dois quadros, o pedetista não rompe os 30% — talvez o teto de votos da esquerda no Paraná.
Mas no cenário de tanta comemoração palaciana, reside uma preocupação. A estabilidade de Moro nas pesquisas eleitorais. Até aqui, nada abalou o humor do eleitor de Sergio Moro. Nem a ausência no debate da TV Band. Talvez por isso, a guinada na estratégia já perceptível nesta semana: além de padrinho político, Ratinho vai servir de lança para tentar “desmoronar a fortaleza morista”. Os embates começaram e devem escalar.
- Leia mais: Ratinho e Sergio Moro trocam farpas nas redes sociais
A mudança de postura de Requião Filho e Ratinho
Vamos ver o que Jorge Gerez vai trazer nos comerciais. A ideia de apresentar Sandro Alex como candidato da Direita, como no debate na Band, foi rechaçada com veemência nos grupos bolsonaristas. E alguns do PL já ensaiam passar a mão no telefone e contactar o jovem mineiro deputado federal Nikolas Ferreira (PL) para retomar a campanha anti-PSD no país.
Oficialmente a campanha eleitoral só começa domingo (16), mas experientes analistas políticos prevêem uma “disputa sangrenta” com golpes abaixo da cintura, principalmente, nas redes sociais.
Metodologia
A pesquisa Grupo RIC/IRG ouviu 1.350 eleitores no Paraná, entre os dias 08 e 12 de agosto. A margem de erro é de 2,67% pontos percentuais para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%. A sondagem está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PR-09301/2026.




