Em menos de 24 horas, dois atores políticos antagônicos e importantes para o processo eleitoral de 26 mudaram a postura e o tom: Requião Filho e o governador Ratinho Junior.
No debate da TV Band, realizado na noite de domingo (9), foi possível perceber uma mudança de comportamento do candidato ao Governo do Paraná pelo PDT.
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Sergio Moro desiste de participar do debate na Band
Primeiro debate dos candidatos ao governo é marcado por ironias e nervosismo
Requião Filho fez uma defesa intransigente das obras feitas no Paraná pelo governo do presidente Lula. E fez questão de lembrar ao adversário, o candidato Sandro Alex, que o PSD fazia parte da gestão do PT — já que ocupa três ministérios na Esplanada.
“Vou defender o Lula sim. Se não tivesse o governo federal, não teriam obras aqui no Paraná”, disse o candidato ao Blog Politicamente.
Uma outra leitura ajuda a explicar as atitudes do pedetista e encontra eco nas pesquisas eleitorais.
Diante das derrapagens do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Lula tem ganhado terreno no cenário nacional — o que poderia impulsionar a candidatura de Requião Filho também aqui no Paraná.
O outro ator político que mudou o tom foi Ratinho Junior, que começou a semana, pós-debate eleitoral, tecendo, sem rodeios, críticas ao candidato do PL, Sergio Moro.
Ao ser questionado sobre a ausência do senador no debate da Tv Band, Ratinho deixou a subjetividade de lado e modulou o discurso contra o senador.
“Natural. Ele conhece muito pouco o Paraná, e não tem plano de governo. E não é uma crítica pessoal, mas se você pegar o histórico das entrevistas dele, o plano de governo é destruir o PT. Isso o Paraná já fez”.
Ratinho se referia ao resultado eleitoral de 2024, quando o PT venceu em apenas quatro dos 399 município do Paraná — que não chega, segundo o governador, a 10 mil habitantes.
“Então esse serviço nós já fizemos lá atrás. E o combate de discussão ideológica, de questão de direita e esquerda, é Brasília”, completou durante a entrevista à imprensa.
Moro adotou como estratégia o silêncio. Aliás, não foi a primeira canelada vinda do Palácio Iguaçu. A tendência no QG morista é “fazer ouvidos de mercador” — pelo menos até o início da campanha no rádio e na TV.
Resta saber se a declaração do governador foi pontual ou se faz parte de uma estratégica eleitoral. Um experiente analista político que frequenta o Centro Cívico resumiu bem o episódio: “O Ratinho é um tubarão. Ele sentiu o cheiro de sangue na água”.