A pergunta que a Quaest fez, mas ainda não divulgou e interessa o Iguaçu

A Quaest ainda não divulgou o cenário com o nome de Paulo Martins para o governo -- dado que interessa aos estrategistas do Iguaçu

Passada uma semana da divulgação dos dados sobre a corrida para o Governo do Paraná, a Quaest ainda não publicou o resultado de um dos cenário testados na disputa pelo Palácio Iguaçu.

A pergunta número 18 do questionário aplicado aos eleitores paranaenses simulava um panorama com o nome do vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo), como postulante ao cargo. Mas, curiosamente, não há qualquer menção no caderno da pesquisa divulgado na semana passada.

O cenário trazia Paulo Martins na disputa pelo Iguaçu contra Luiz França (Missão), Rafael Greca (MDB), Requião Filho (PDT), Sergio Moro (PL) e Tony Garcia (DC). Neste quadro, não há o nome de Sandro Alex (PSD) — escolhido pelo governador Ratinho Junior dentro da estratégia de sucedê-lo no Poder Executivo — no rol de candidatos.

Coincidência ou não, circula pelos corredores do Iguaçu uma tese que estaria sendo conjecturada a portas fechadas: lançar Paulo Martins como candidato ao governo dentro de uma única estratégia — tirar votos de Sergio Moro. Trackings internos mostram que o vice-prefeito dialoga com parte do eleitorado que declara voto no ex-juiz da Lava Jato.

Seria, portanto, uma forma de desidratar a candidatura do senador do PL — que lidera desde 2025 as pesquisas de intenção de voto. Existe um porém. O Novo do Paraná já declarou que caminhará de mãos dadas com Moro em 26. Inclusive tem Deltan Dallagnol, o embaixador nacional do Novo, como pré-candidato ao Senado na chapa do PL.

Fontes palacianas contam os detalhes da estratégia — considerada de difícil aplicação. A ideia central é separar o Novo de Deltan do PL de Sergio Moro. Ou seja, desfazer o que já foi anunciado publicamente perante o presidenciável Flávio Bolsonaro em Brasília.

A estratégia…

O ponto de partida da tese é a confirmação do nome de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, na disputa pelo Palácio do Planalto. Estando na corrida, Zema precisaria de um palanque no Paraná. Aí surge o nome de Paulo Martins. Não se sabe, porém, se ele passaria a ser o candidato de Ratinho ou se disputaria contra a candidatura do PSD.

Mas a intenção de desidratar o porcentual de votos de Sergio Moro estaria atendida. A dúvida é: quanto o senador perde com a entrada de Paulo Martins no jogo político? A Quaest tem esta resposta, mas ainda não divulgou. Uma boa fonte do Iguaçu conta, no entanto, que este dado já chegou ao 3º andar do palácio, mas é mantido em sigilo.

É preciso também “combinar com os russos”. A figura central desta estratégia, que é Paulo Martins, não foi consultada. Assim como o diretório do Novo no Paraná desconhece tal desejo e não crê numa mudança de rota até as convenções.

Outro empecilho? A relação entre Paulo Martins e Ratinho Junior não anda lá estas coisas. O vice-prefeito da capital é amigo pessoal tanto do governador quanto da família Massa, mas teria se sentido desprestigiado desde 2022 pelo atual governo.

Na época, cogitava-se que Paulo Martins viesse a integrar o time de secretários do segundo governo Ratinho Junior, ainda mais depois de obter 1,7 milhões de votos na urna. Prometeram e não entregaram. Acabou sendo indicado para a vice de Eduardo Pimentel num acordo em 2024 com Jair Bolsonaro para manter o PL unido ao PSD.

Dois anos depois, Paulo Martins migrou para o Novo e agora admitiu que vai disputar uma vaga na Câmara Federal na eleição de outubro. Ou seja, se existe alguma estratégia para lançá-lo candidato ao Governo, isso não foi combinado com ele.

Para os mais chegados, Paulo Martins diz que não conversa com Ratinho há mais de um mês e refuta a ideia de ser um “fantoche” para atender o jogo político do Palácio Iguaçu. Palacianos acreditam numa reaproximação, muito em breve, entre o governador e o vice-prefeito de Curitiba.

Os interesses dos estrategistas do Iguaçu dependem de muitas variáveis que estão fora do controle do chefe do Poder Executivo. Apesar de Ratinho ter mantido conversas frequentes com dirigentes nacionais do PL, a leitura interna é que o governador errou o timing permitindo com que PL e Novo mudassem o status de aliados para adversários em 2026.

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