Rafael Greca e os recados indigestos aos palácios e ao PT

Rafael Greca diz que seria uma sandice se Eduardo Pimentel não o apoiasse e chegou a falar que a "história jamais perdoa quem trai"

Com dois dígitos na última pesquisa Quaest, Rafael Greca (MDB) vem sendo objeto de cobiça de alguns adversários políticos neste período eleitoral que antecede as convenções partidárias.

O Palácio Iguaçu, que tem Sandro Alex como pré-candidato, não esconde que o ex-prefeito de Curitiba cairia como uma luva no posto de vice do “homem da infraestrutura”.

Ao mesmo tempo, o PT, que embarcou de alma na chapa de Requião Filho (PDT), almeja uma composição com o emedebista que conseguiria atrair votos não só dos progressistas, mas dos eleitores de centro e até de centro direita. Seria uma forma de romper a bolha da esquerda.

Na entrevista concedida à rádio Jovem Pan Paraná, Rafael Greca distribuiu recados, indiretas e até diretas, algumas indigestas, aos concorrentes. Curiosamente, só poupou Sergio Moro (PL) que lidera as pesquisas de intenções de voto. Acabou frustrando a expectativa de muitos atores políticos.

Sobrou  até quem tava quieto, no caso o prefeito de Curitiba Eduardo Pimentel — seu “casca de bala” — e Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao Senado na chapa do PSD.

As falas de Rafael Greca repercutiram mal tanto no palácio Iguaçu quanto no 29 de Março — citam fontes ouvidas pelo Blog Politicamente. E também no QG da família Requião.

Ao Iguaçu, o recado foi direto. “Não quero ser coadjuvante neste processo. Eu tenho cara de vice?”, retrucou ao ser questionado sobre uma aliança com o partido do governador. Greca, no entanto, ainda alimenta a esperança de Ratinho rever a estratégia política e o escolher como sucessor.

O “corinho” que incomodou

Mas no Iguaçu, uma declaração em especial foi muito mal digerida.

“Não me incomodo se o Alexandre Curi rever a sua posisão de pré-candidato a Senador e quiser ser pré-candidato a vice- governador. Será mesmo que é isso que ele (Curi) quer? Parece que os prefeitos que o apoiam nao querem isso, querem outra coisa. Teve até um corinho no aniversário do governador contra isso”.

Rafael Greca se referia a um vídeo que tem circulado nos bastidores da política paranaense em que Alexandre Curi é ovacionado pelos prefeitos que estiveram na chácara de Ratinho no fim de semana, que o queriam como candidato a governador.

Ratinho, que discursava no momento, teve de interromper a fala diante dos aplaudos da prefeitada e de gritos de “Alexandre Curi governador”. Um constrangimento visível e uma manifestação contrária a decisão pessoal de Ratinho de escolher Sandro Alex para encabeçar a chapa de sucessão ao Iguaçu.

Curi, que estava próximo de Sandro Alex, distribuiu sorrisos amarelos e agradeceu aos aliados.

Ao PT o recado do ex-prefeito de Curitiba foi reto e ainda mais direto. “Não quero ser o candidato à esquerda. Parece que a população entendeu que meu nome com o ponto de equilíbrio que é o MBD, é para ser uma alternativa de centro. De equilíbrio”. Declaração que distancia Greca do PDT de Requião Filho — pelo menos no 1º turno.

A fala de Rafael Greca vai em direção ao sentimento do eleitor paranaense captado pela pesquisa Quaest. O levantamento revela que a maior parte dos eleitores do Paraná gostaria que o próximo governador fosse independente (44%), enquanto que 24% acham que deveria ser aliado de Bolsonaro e 17% de Lula.

Greca pressiona Eduardo Pimentel

Se no Iguaçu a entrevista do emedebista pegou mal, o que dirá no Palácio 29 de Março. A leitura feita na sede da Prefs é que Greca encurralou Eduardo Pimentel ao dizer que seria uma sandice se o prefeito não o apoiasse na disputa pelo Governo do Estado — ignorando o fato de Eduardo Pimentel estar filiado ao PSD, cujo pré-candidato é Sandro Alex.

Greca chegou a falar em traição.

“Tenho impressão que ele vai se pronunciar (sobre o apoio). Ele já me disse isso no reservado e deve dizer no público. Se o Eduardo cometer uma sandice dessa de me trair, ele se perde. E a história jamais perdoa quem trai”.

E quando questionado sobre a possibilidade de disputar a prefeitura da capital em 2028, em caso de revés nas urnas neste pleito, Rafael Greca não descartou a ideia.

Procurado pelo Blog Politicamente, o prefeito Eduardo Pimentel disse, através da assessoria de imprensa, que não iria comentar a declaração de Rafael Greca.

Metodologia: 

A Genial/Quaest ouviu 1.104 eleitores entre os dias 21 e 25 de abril. A pesquisa, registrada sob o número PR-02588/2026, tem margem de erro de 3% para mais ou para menos e com o nível de confiança de 95%.

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