Administrar é simples — difícil é combinar quem manda, quem fiscaliza e quem paga a conta

Entre gestão por resultados, digitalização, defesa da máquina pública e controle popular, os oito candidatos ao Governo do Paraná parecem concordar em uma coisa: administrar o Estado é simples — difícil mesmo é combinar quem manda, quem fiscaliza e quem paga a conta.

Uma ADMINISTRAÇÃO EFICIENTE, TRANSPARENTE E PRÓXIMA DA POPULAÇÃO não se mede pela quantidade de vezes que “gestão” aparece no plano de governo. Mede-se pelo que sai do papel — de preferência sem o cidadão abrir três protocolos e ouvir que “o sistema está fora do ar”.

O Blog Politicamente apurou que Luiz França, Sergio Moro e Sandro Alex apresentam os modelos administrativos mais detalhados. Alexandre Salomão aposta em metas objetivas, Requião Filho combina profissionalização e fortalecimento institucional, enquanto Tayná Miessa, Samuel de Mattos e Adriano Funileiro concentram maior atenção na participação popular.

Luiz França (Missão) propõe revisão de contratos, critérios técnicos para cargos, responsabilidade gerencial, protocolo único e rastreamento das decisões públicas. A lógica é simples: saber quem decidiu, quanto custou e se funcionou. Quase um rastreamento de encomenda — só que do dinheiro público.

O candidato do Partido Liberal, Sergio Moro, aposta em enxugamento e digitalização: redução de secretarias, cargos, burocracia e despesas, além de plataforma digital, inteligência artificial, compliance e Portal da Transparência 4.0. Menos balcão, mais painel.

O PSD, grupo político Sandro Alex, apresenta o plano mais extenso, com gestão por resultados, compras inteligentes, capacitação de servidores, inteligência territorial e transformação digital. Se quantidade de páginas elegesse governador, largaria na frente.

Alexandre Salomão (Mobiliza) prefere menos volume e mais cronômetro: metas mensuráveis nos primeiros 100 dias, relatórios auditáveis, concursos previsíveis e mais servidores de carreira em funções técnicas.

Requião Filho, do PDT, propõe centro de governo, divulgação acessível de contratos e resultados, fortalecimento da Controladoria e da Ouvidoria e atendimento digital sem abandonar o presencial. Modernizar, sim; jogar a máquina pública inteira pela janela, não.

Tayná Miessa, do Partido União Popular, quer ampliar a participação social no orçamento, conselhos e referendos. Samuel de Mattos (PSTU) vai além e defende conselhos populares com poder permanente de decisão. Se alguns querem melhorar a máquina, eles querem discutir quem fica com a chave.

Tem candidato que defende governo das organizações operárias e camponesas e controle dos trabalhadores sobre instituições e empresas, mas detalha pouco a estrutura administrativa estadual. É o Adriano Funileiro (PCO) querendo discutir a reforma da casa começando por quem é o dono do terreno.

No fim, a diferença está no significado de “proximidade”. Para Missão, Moro, Mobiliza e Sandro Alex, ela passa por tecnologia, metas e serviços simples. Requião Filho soma fortalecimento institucional e atendimento presencial. Tayná, PSTU e PCO apostam em maior participação direta da sociedade.

Ou seja: todos querem aproximar governo e população. A divergência é saber se isso será feito por aplicativo, servidor público, painel, conselho ou assembleia.

LEMBRE-SE: NÃO EXISTE FÓRMULA MÁGICA ESCONDIDA AO PALÁCIO IGUAÇU. VOCÊ TERÁ DE ESCOLHER ENTRE MAIS MÉTRICAS, MAIS ESTADO PROFISSIONAL OU MAIS PARTICIPAÇÃO POPULAR.

No fim, governar talvez seja isso: escolher a receita e descobrir quem vai lavar a louça.

Clique aqui para acessar a matéria 1 do projeto BP COMPARA ELEIÇÕES 2026 publicada pelo BP. O tema foi: Educação.