A menos de 30 dias da eleição, o cenário eleitoral no Paraná pouco ou nada mudou. As campanhas, principalmente dos maiores e principais candidatos, parecem sofrer com a incapacidade de atrair a atenção do eleitor paranaense e convivem com um panorama que se arrasta há tempos.
Com o tempo passando e o 4 de outubro chegando, estrategistas das campanhas de Sandro Alex, Sergio Moro e Requião Filho começam a calibrar o discurso e as propagandas eleitorais — cada um com seus objetivos. O Blog Politicamente conversou com integrantes dos comitês dos três candidatos, sob condição de anonimato, e dá um spoiler do que os paranaenses verão nos próximos dias.
Comecemos pelo líder das pesquisas de intenção de voto. Sergio Moro é o principal e mais interessado na manutenção do atual quadro eleitoral. Desde 2025, ele tem mantido uma porcentagem na casa de 40% nas sondagens eleitorais. Muitos palacianos, por exemplo, acreditavam que com a proximidade da campanha os números do ex-juiz da Lava Jato poderiam cair. Mas seguem firmes como a fortaleza que o senador promete erguer no Estado.
Alguns institutos de pesquisa lhe dão até a margem para sonhar com uma eleição de turno único. E a nova estratégia comandada pelo marqueteiro Marcelo Catani passa agora por esta possibilidade. A principal mudança no tom da campanha será a presença mais constante de Flávio Bolsonaro nos programas de rádio e TV — sem falar numa visita ao Paraná, nas próximas semanas, que está sendo ajustada com o comando da campanha do filho 01 de Bolsonaro.

A intenção é reforçar a união de Moro com o bolsonarismo, com o eleitor identificado com a direita para alavancar mais votos e fechar a eleição no 4 de outubro. Recentemente, a campanha de Moro soltou um vídeo dele ao lado de Flávio Bolsonaro nas redes sociais em que o presidenciável pede aos paranaenses para eleger o ex-juiz da Lava Jato já no primeiro turno.
A ideia de Catani é que o apelo do filho de Jair Bolsonaro possa garantir os votos que faltam para Moro romper os 50% dos votos válidos. Paralelamente a isso, reforçar temas que conectem o candidato ao eleitor. No programa de TV exibido no início da tarde desta quarta-feira (9), Moro convidou os expectadores a voltar aos tempos da Lava Jato e no trabalho de combate à corrupção. “Ninguém esta acima da lei”, dizia Moro na TV.
A leitura interna que se faz, no QG da Cândido de Abreu, é que o momento político do Brasil, com o escândalo do banco Master rondando Brasilia — em especial o Supremo Tribunal Federal — e a subida de tom de cobrança da sociedade por investigações em cima de ministros da Suprema Corte é, de certa forma, favorável ao candidato Sergio Moro.
O arsenal montado para uma eventual desconstrução de aliados na campanha eleitoral segue no paiol trancado e só será acessado para responder ataques de adversários. A munição é farta, garante um morista.
Os ataques citados por pessoas próximas a Moro, ainda com pouquíssimo grau de letalidade, vêm aos poucos se intensificando das trincheiras adversárias. E a tendência é que os petardos sejam disparados com mais frequência — sempre com a preocupação de não atrair rejeição dos eleitores que não compactuam com golpes abaixo da cintura.

Os primeiros tomahawk’s vieram da trincheira de Sandro Alex, avalizados pela comando da campanha e do marqueteiro argentino Jorge Gerez. No entanto, a estratégia parece não ter sido suficiente até aqui para mexer nos números. Alguns foram rápida e duramente reprimidos pela Justiça Eleitoral.
A grande interrogação no QG da Carmelo Rangel gira em torno da estratégia capaz de tirar votos de Sergio Moro. A equação é simples e básica: para crescer nas pesquisas, o “homem da infraestrutura” precisa “roubar” eleitores do ex-juiz da Lava Jato, já que os eleitores de Requião Filho não dialogam com o candidato palaciano do PSD. Os primeiros ataques não surtiram efeito.
A mais recente estratégia lançada é “entrar na principal pauta” do adversário do PL e apresentar propostas diferentes, mais atrativas, que possam impactar o eleitor de Moro. A propaganda desta quarta, foi monotemática — toda dedicada a segurança pública.
O governador Ratinho Junior, padrinho e principal avalista da candidatura de Sandro, aparece no comercial destacando a redução dos índices de criminalidade alcançados nos últimos oito anos de governo. É a deixa para Sandro cutucar o concorrente: “Paraná já faz o que muito candidato por aí anda prometendo fazer”.
E ao longo do filme, tenta de alguma forma aproximar Sandro Alex do eleitor de direita, bolsonarista, ao usar termos como “tolerância zero” e ideias como “colocar presos para pagar o sustento no presídio”.
Mais do que mudanças nos programas pensados pelo marqueteiro portenho, a principal arma de Sandro Alex para tracionar e melhorar o desempenho nas pesquisas eleitorais tem nome e sobrenome: Ratinho Junior. Isso não é novidade para ninguém. O governador é o garoto propaganda do candidato do PL. Mas mesmo Ratinho, dono de uma popularidade de 80%, enfrenta dificuldade em transferir ao pupilo os votos.
Ratinho, que chegou a declarar que seu candidato estava progredindo na campanha eleitoral e não via a necessidade de se licenciar do Palácio Iguaçu, já foi convencido a mudar de ideia. Alguns palacianos acreditam que o governador vai deixar o Iguaçu nas mãos do vice, Darci Piana, para se dedicar integralmente na missão de levar Sandro Alex para o 2º turno.
O apresentador Ratinho, pai do governador, é outro que terá mais aparição nos programas e nas agendas de Sandro Alex — como em carreatas, já que o comunicador lidera um programa televisivo de bastante popularidade. Quem também será mais demandado em compromissos de campanha é Rafael Greca — que ficou 10 dias abatido por uma lesão na perna e promete voltar com a corda toda nas agendas de Curitiba.
É neste tripé, Ratinho, Ratinho Junior e Rafael Greca que repousa a grande esperança de uma arrancada na reta final da campanha.

Requião Filho mudará o tom da campanha a partir do próximo fim de semana, quando o presidente Lula, maior líder da esquerda do país, desembarca em Curitiba para um comício na Boca Maldita – -tradicional reduto político da capital. Será a primeira agenda pública entre o pedetista e o presidenciável. As imagens, os personagens, serão juntados para não se separar mais até o fim do pleito.
Lula estará mais presente nos discursos e nos programas assinados pelo marqueteiro Oliveiros Marques. E uma amostra foi vista no programa de TV desta quarta de Requião Filho, quando o candidato começou a dialogar com programas mantidos pelo Governo Federal — como o programa Minha Casa, Minha Vida, criado em 2009 por Lula, e que facilita a compra da casa própria por meio de subsídios e juros baixos.
Requião Filho, em muitos institutos, tem mantido a segunda colocação na corrida pelo Iguaçu e agora, a menos de 30 dias da eleição, sabe que precisa crescer mais para chegar ao 2º turno — ou torcer por um derretimento de Sergio Moro. Caminhando sozinho pelo campo progressista, o comando da campanha acredita que Requião Filho pode subir ainda mais na pesquisa ao trazer Lula “para dentro”.
Mas existe a preocupação com o reflexo que Lula trará nos tracking’s internos — dentro de um cenário de um Paraná que tem resistências ao petismo.
Para evitar que Sandro Alex encoste e Moro desgarre ainda mais, a estratégia é distribuir caneladas e cotoveladas nos dois adversários. Hora em um, hora em outro. No programa eleitoral desta quarta, as críticas, até consideradas leves, foram para a política habitacional do governo Ratinho.
O candidato do PDT afirmou que as moradias, os conjuntos habitancionais, são erguidos em locais distantes, por exemplo, do posto de saúde, da escola e do acesso ao transporte público. “Isso não é cuidar de gente. Casa boa é aquela que tem tudo perto da família”, afirmou, citando que pretende seguir a política do pai, o ex-governador Roberto Requião, para urbanizar vilas e bairros.
Convergências
Como em toda a campanha política, a estratégia é mutável. É um frequente jogo de erros e acertos com medição constante através de pesquisas internas qualitativas e quantitativas. O que os três candidatos e os marqueteiros têm em comum é a percepção de necessidade de mudanças de rumo. Cada um perseguindo seus objetivos.
Moro/Catani olhando para a possibilidade de ganhar no 1º turno enquanto Requião Filho/Oliveiros e Sandro/Jorge Gerez lutando para levar a disputa pelo Palácio Iguaçu para 25 de outubro. Na reta final, nas duas útlimas semanas, todos os candidatos estão dispostos a dar o all in.