O governador Ratinho Junior e o candidato do PL ao Governo do Paraná, Sergio Moro, trocaram farpas nas redes sociais. Se o clima na pré-campanha era amistoso e respeitoso, a percepção é que a tensão política está aumentando. E deve escalar.
Oficialmente, a campanha eleitoral nem começou. E Ratinho sequer é candidato em 2026. Mas recentes episódios sinalizam que o governador terá papel de protagonista na estratégia portenha/palaciana de tentar eleger Sandro Alex para o Palacio Iguaçu.
Depois de começar a semana dizendo que Moro “conhece muito pouco o Paraná, e não tem plano de governo”, na tarde desta quarta-feira (12), o governador usou as redes sociais, com muito mais alcance que a conta do “homem da infraestrutura”, para fazer uma nova crítica ao senador.
Ratinho publicou um vídeo citando que o Paraná tem 14 penitenciárias de segurança máxima e encerra citando que “o que o candidato da mentira promete, o Paraná já faz”.
“Tem candidato prometendo penitenciária de segurança máxima sem saber que já tem 14 unidades no Paraná, quatro delas construídas na nossa gestão. Quem conhece o Estado sabe o que já foi feito. Quem não conhece, promete o que já existe”.
Apesar de não nominar Sergio Moro, a postagem tem como destino o QG do PL. Uma das promessas de campanha que o senador vem antecipando é a construção de um presídio estadual de segurança máxima.
Moro, que por muitas vezes adotou a estratégia de ficar em silêncio, desta vez reagiu — também nas redes sociais — e subiu o tom. Assim como o governador, ele não citou Ratinho nem Sandro Alex, mas disparou o petardo.
“É espantoso que alguns candidatos e governadores desconheçam o básico em segurança pública. Mas vamos em frente; o Paraná será o estado mais seguro da federação”.
Moro descreveu na rede social que como já foi ministro da Justiça e Segurança Pública e juiz de instrução da Penitenciária Federal de Catanduvas, sabe que o Paraná tem na cidade de Catanduvas o presídio federal “com celas individuais, sem fugas, sem visitas íntimas, contato dos presos com os visitantes apenas na sala de visitas e sob vigilância”.
E explica que quando o Paraná precisa isolar um líder de facção precisa solicitar à Justiça Federal, que pode autorizar ou não, a transferência para uma das cinco penitenciárias federais de segurança máxima espalhadas pelo país — que ficam em Campo Grande (MS), Porto Velho (RO), Mossoró (RN) e Brasília (DF), além de Catanduvas.
Presídios
De fato, o Estado do Paraná construiu 14 penitenciárias no Estado, obras iniciadas pelo ex-governador Beto Richa e finalizadas na gestão Ratinho, mas nenhuma do modelo de segurança máxima do Governo Federal — com, por exemplo, com controle total de comunicação e monitoramento constante.
Embora a Penitenciária Central do Estado (PCE), que fica em Piraquara, seja classificada pelo Estado como uma unidade de segurança máxima, o presídio opera em moldes bem diferentes do padrão federal.