O “copo meio cheio e meio vazio” dos 6% de Sandro Alex na Quaest

Quaest traz Sérgio Moro liderando em todos os cenários e Sandro Alex do PSD variando de 5% a 6%

Sandro Alex debutou na disputa pelo Governo do Estado do Paraná. Não só na pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (27), mas também no cenário político eleitoral como pré-candidato à sucessão pelo PSD. Ratinho Junior chamou para si a missão de eleger Sandro e já assume um papel de coordenador de campanha.

A churrascada oferecida pelo governador Ratinho neste fim de semana, na fazenda Ubatuba, em Apucarana, com mais de duas centenas de prefeitos foi considerado o marco zero na corrida eleitoral de Sandro Alex em 26. Muito mais do que comemorar os 45 anos de vida, a costelada serviu para Ratinho unir o grupo político para o pleito que se avizinha.

Os números da Quaest trazem o “homem da infraestrutura” variando de 5% a 6% — nos cenários testados. Sergio Moro (PL) lidera em todos os panoramas pesquisados indo de 35% até 42% — a depender dos adversários. Requião Filho (PDT) oscila entre 18%, num cenário com Rafael Greca (MDB), e chega a 24% sem o ex-prefeito de Curitiba na disputa.

O emedebista, por sua vez, aparece na terceira posição com 15%, seguido pelo pré-candidado do PSD, de Luiz França (Missão) variado de 1% a 2% e por Tony Garcia (DC) com 1%. Tecnicamente, Sandro Alex, França e Tony Garcia estão empatados tecnicamente dentro da margem de erro de 3%. O ex-juiz da Lava Jato vence também nos cenários testados de 2º turno.

“Copo meio cheio”

Resultado bom ou ruim para Sandro Alex? Depende da leitura dos dados. Considerando que ele foi anunciado há duas semanas como candidato à sucessão, o desempenho pode ser entendido como de razoável a bom.

6% era, por exemplo, o número que Guto Silva vinha sustentando há quase um ano nas pesquisas de intenção de voto — embora o apoio de Ratinho como pré-candidato foi sempre extraoficial. Ou seja, em 14 dias ele alcançou o porcentual do ex-secretário das Cidades.

Outro dado positivo é a oportunidade de crescimento uma vez que que Sandro Alex é desconhecido por 78% dos paranaenses ouvidos pela Quaest e tem a segunda menor rejeição dentre os postulantes ao Iguaçu — 13%, ficando atrás só de Luiz França (Missão) que tem 7%.

O Palácio Iguaçu aposta, obviamente, na transferência de voto de Ratinho. A Quaest indica, por exemplo, que apenas 8% dos eleitores sabem que Sandro Alex é apoiado pelo governador. 5% acham que Ratinho apoia Sergio Moro e outros 3% responderam que Rafael Greca é o candidato do Iguaçu.

A leitura interna é que com o passar do tempo e com a vinculação cada vez maior dos nomes de Ratinho e Sandro Alex, o “homem da infraestrutura” suba na intenção de voto. Aliás, falando em infraestrutura, este é o segundo maior problema na opinião dos paranaenses ouvidos na pesquisa — ficando atrás tão somente da Educação e na frente de corrupção, desemprego, saúde e violência. Ponto de reflexão no QG palaciano.

Conta também à favor do candidato do PSD o fato de que 64% dos eleitores consultados consideram que Ratinho merece eleger o sucessor. O ponto curioso deste questionamento é que esta percepção aumentou (de 57% para 62%) justamente naqueles que se declaram Lulistas — enquanto que os de posicionamento político bolsonarista, de direita não bolsonarista e independente o porcentual caiu.

“Copo meio vazio”

Alguns integrantes do Iguaçu acreditavam que Sandro Alex poderia se sair melhor na pesquisa Quaest — até porque, depois que foi anunciado por Ratinho, o pré-candidato do PSD fez uma rodada de entrevistas em diversos veículos de comunicação espalhados pelo Estado. A esperança são as próximas sondagens eleitorais.

Enquanto isso, partidos aliados que ainda não definiram o rumo eleitoral ainda estão em fase de observação em torno da pré-candidatura de Sandro Alex. Seguem ouvindo e flertando com as duas trincheiras.

A Quaest traz ainda o dado que 32% dos paranaenses querem que o próximo governador continue o trabalho que vem sendo feito, enquanto que 21% querem que mude totalmente e a maioria, 44%, responderam que é necessário mudar apenas o que não está bom. Os números dialogam diretamente com o discurso repetido por Ratinho desde o ano passado de continuidade da gestão.

A continuidade do governo Ratinho é bem vista entre os eleitores apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e os de direita não Bolsonarista. Mudar totalmente é, segundo a pesquisa, o posicionamento majoritário daqueles que declaram voto no presidente Lula.

O ponto mais nevrálgico na análise do “copo meio vazio”, é o desempenho do “homem da infraestrutura” num eventual segundo turno. Sandro Alex aparece com apenas 15% contra 51% de Moro — 17% dizem que vão votar em branco ou nulo, o mesmo percentual de indecisos.

O cenário contra o pré-candidato do PSD é, segundo a Qauest, o mais fácil para o ex-juiz da Lava Jato no 2º turno. Contra Requião, Moro aparece com 49% contra 30% do pedetista; e com Greca, o senador tem 44% contra 29% do ex-prefeito da capital.

Sandro, num eventual 2º turno, tem mais votos dos eleitores do presidente Lula (PT) do que dos bolsonaristas. Na simulação contra Moro, 31% dos que se apresentam como lulistas declaram voto no pré-candidato do PSD, enquanto que apenas 7% identificados como bolsonaristas votariam no “homem da infraestrutura”. 75% dos apoiadores do ex-presidente disseram votar em Moro no 2º turno contra Sandro Alex.

É um cenário previsível uma vez que a esquerda tem ojeriza ao nome de Sergio Moro. Caso Requião Filho não seja o adversário num eventual 2º turno, a esquerda vai descarregar os votos no adversário do ex-juiz da Lava Jato — num movimento parecido com a disputa pela prefeitura de Curitiba em 2024, quando Eduardo Pimentel (PSD) foi eleito herdando os votos dos progressistas.

67% podem mudar o voto

Como toda a pesquisa eleitoral, a Quaest traz o retrato do momento. Neste momento, 32% declararam que definiram o voto para o governo do Estado, enquanto que a grande maioria, 67%, declararam que podem mudar de candidato caso “algo aconteça” até a abertura das urnas. E no período de campanha eleitoral a única certeza é do dia da eleição: 4 de outubro.

Metodologia: 

A Genial/Quaest ouviu 1.104 eleitores entre os dias 21 e 25 de abril. A pesquisa, registrada sob o número PR-02588/2026, tem margem de erro de 3% para mais ou para menos e com o nível de confiança de 95%.

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