Por Carol Nery
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) determinou que Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Novo, desative a conta do Instagram até a data da eleição, 4 de outubro, ou retire toda a propaganda eleitoral veiculada.
A ordem é da desembargadora federal Cláudia Cristina Cristofani a partir de uma denúncia registrada por meio do Sistema Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral que permite o cidadão comunicar irregularidades, cuja autoria é mantida em sigilo. A informação foi divulgada primeiramente pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo.
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A denúncia cita que mesmo proibido de praticar qualquer ato de campanha, por determinação do ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, Deltan continua divulgando o número e postando sobre sua candidatura no Instagram.
Ao acessar o perfil de Deltan no Instagram, a magistrada cita que “a página continua ativa e veiculando ostensiva propaganda eleitoral”.
“Assim, estando interditada ao candidato Deltan Dallagnol a realização de atos de campanha eleitoral por qualquer meio, a manutenção do perfil configura violação à ordem proferida e já referendada pelo Tribunal Superior Eleitoral”, relata Cláudia Cristofani.
De fato, a conta do candidato do Novo segue ativa. Inclusive, na tarde desta quinta-feira (24) ele divulgou um vídeo criticando a decisão do TRE e postou uma foto em que aparece amordaçado e a palavra “censurado”.
“Este aqui pode ser meu último vídeo no Instagram. A Justiça está falando em derrubar minha rede social. Eu sou o único candidato da história do Brasil que está proibido de fazer campanha graças ao amigo de Moraes e ao amigo do amigo do meu pai”.
As referências citadas são aos ministros Floriano de Azevedo Marques, do TSE, que é muito próximo do ministro do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Dias Toffoli — que seria o “amigo do amigo do meu pai”, uma expressão que surgiu durante a operação Lava Jato. Na época a Força Tarefa identificou um email de 2007 trocado entre executivos da Odebrecht.
Durante a delação premiada, o empresário Marcelo Odebrecht explicou à Polícia Federal que o termo “amigo do amigo do meu pai” se referia a Dias Toffoli, que atuava como advogado-geral da União (AGU) entre 2007 e 2009.
Paralelamente a isso, o TRE concluiu na quarta-feira (23) o julgamento do registro da candidatura de Deltan ao Senado e manteve o ex-deputado na disputa, apesar de o TSE ter suspendido sua campanha no último sábado (19), por entender que o candidato estava inelegível desde o julgamento no TSE que cassou o mandato dele de deputado federal.
O registro de candidatura de Deltan, que segue válido, agora será julgado no TSE — que dará a palavra final sobre a validade da candidatura do ex-procurador da Lava Jato. O que ninguém arrisca responder é se este julgamento vai acontecer antes ou depois de 4 de outubro.
Se Deltan for eleito e tiver o registro cassado, o TSE terá de fazer uma eleição suplementar para ocupar a cadeira do Paraná no Senado.