Novo do Paraná diz que Zema se precipitou e reafirma aliança com PL

Crítica de Romeu Zema a Flávio Bolsonaro abriu uma crise e ameaça aliança do Novo com o PL nos estados

Se a divulgação do aúdio de Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro caiu como uma bomba entre os aliados do filho 01 de Jair Bolsonaro, dentro do Partido Novo o clima é semelhante após as críticas desferidas por Romeu Zema.

Horas depois que os diálogos vieram à tona, Zema postou um vídeo nas redes sociais considerando “imperdoável, um tapa na cara dos brasileiros de bem” a ligação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. A reação foi criticada duramente pela Direita.

Eduardo e Carlos Bolsonaro saíram em defesa do irmão, subindo o tom contra o ex-governador de Minas Gerais.

“Não sequer ouviu o outro lado, bastou um par de horas para a ‘união da direita’, o ‘potencial vice’ se aproveita e larga esta acusação sem fundamentos. Não houve desvio de dinheiro, Lei Rouanet ou recursos públicos. Não seja tão baixo, tão vil, Romeu Zema”, escreveu Eduardo Bolsonaro.

A deputada Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina, defendeu numa rede social que a sigla proíba alianças com o Novo. No post, a parlamentar disse que “se eu fosse o Valdemar da Costa Neto, se eu mandasse no partido, iria determinar a proibição da coligação com o Novo”.
Ela ainda afirmou que o áudio de Flávio e Vorcaro serviu para revelar “falsos aliados”. “Ele não esperou uma hora para aproveitar o fato e pisotear em Flávio” e a deputada ainda acrescentou que o Novo “só sobrevive aliado ao PL”.

Os efeitos da crise no Paraná

No Paraná, o diretório estadual do PL ainda não se manifestou. O presidente, Filipe Barros, apenas repostou a postagem de Flávio Bolsonaro comentando a divulgação do diálogo — em que defende a instalação da CPI do Master e afirma que, ao conversa rom Vorcaro, buscou um patrocínio privado para o filme que conta a história de Jair Bolsonaro.
O Partido Novo do Paraná foi quem se manifestou. Lucas Santos, presidente do diretório, divulgou uma nota que vai no sentido contrário de Romeu Zema — pré-candidato presidencial do partido.
Enquanto Zema considerou imperdoável a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, o Novo do Paraná considerou que o ex-governador mineiro se precipitou ao se manifestar sobre os diálogos.
“A divulgação do vídeo pela equipe de comunicação de Zema foi precipitada e gerou ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas. Posicionamentos públicos dessa natureza devem observar alinhamento prévio com a convenção nacional do partido — o que não ocorreu neste caso”, diz um trecho da nota.

A nota oficial do partido cita ainda que a aliança do Novo com o PL no Paraná “permanece sólida, fundamentada em diálogo, convergência de princípios e compromisso com resultados concretos para os paranaenses”.

A torcida agora do partido de Deltan Dallagnol é para que a crise instalada com o PL de Flávio Bolsonaro seja contornada, que os bombeiros entrem em ação para desfazer o mal-estar instalado após as críticas feitas por Zema.

O Partido Novo sabe que uma aliança política do PL nacionalmente potencializa o objetivo primordial em 2026: eleger uma robusta bancada na Câmara Federal superando a cláusula de barreiras. Um rompimento com o partido de Bolsonaro pode trazer dificuldades na eleição de outubro.

Quem observa com bastante atenção o desdobramento da crise instalada entre Novo e PL é o governador Ratinho Junior. O rompimento entre as legendas cairia com uma luva na estratégia palaciana para afastar o Novo do PL.

Isso, sem dúvida, impactaria a pré-candidatura de Sergio Moro e traria novamente o Novo para a trincheira do PSD. O Novo paranaense, no entanto, deixa bastante claro que quer se manter ao lado do ex-juiz da Lava Jato no pleito de outubro.

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