Deputado do PL quer convocar secretário de Ratinho para explicar “convênios de Guto”

A relação do PL com Ratinho que não é boa, azedou após pedido de convocação de secretário para explicar convênios de R$ 10 bilhões

A excelente relação política dos deputados do PL com Ratinho Junior, esfarelou, foi para as cucuias, depois que o partido filiou e lançou a pré-candidatura de Sergio Moro ao Governo do Paraná. Na prática, o PL da família Bolsonaro, que até pouco tempo era certo no arco de aliança do PSD, agora é adversário direto na corrida pelo Palácio Iguaçu. A retaliação por parte do governo veio. E veio forte.

Do “dia para noite”, deputados do PL perderam cargos na estrutura do governo e viram seus compromissos políticos, como o pagamento de emendas parlamentares, serem desfeitos. Na sessão desta segunda-feira (11) da Assembleia Legislativa, o clima voltou a azedar. Os parlamentares do PL se abstiveram em algumas votações de interesse do governo — o que chamou a atenção de alguns parlamentares.

Mas o ápice foi quando o deputado Delegado Jacovós, do PL, representando os demais parlamentares da legenda, apresentou um requerimento de convocação do secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, um dos homens fortes do time de Ratinho, para explicar na Assembleia a previsão de repasse de cerca de R$ 10 bilhões em investimentos em obras públicas nos municípios paranaenses, que foram anunciados pelo ex-secretário Guto Silva.

“Prefeitos de diversas regiões do Estado têm relatado dificuldades na formalização de convênios, apontando que, embora os projetos sejam regularmente apresentados, os processos não avançam sob alegação de pendências documentais”, cita o parlamentar.

Na justificativa para a convocação, Jacovós questiona se existe a capacidade financeira do Estado e se há dotação orçamentária suficiente para cobertura dos investimentos anunciados pela Secretaria das Cidades, além dos motivos pelos quais os convênios não foram formalizados com a prefeituras e quais seriam as medidas adotadas pelo Iguaçu para regularização dos repasses e garantia da execução orçamentária.

Assim que foi lido o requerimento, o líder do governo na Alep, deputado Hussein Bakri, pediu para discutir o requerimento — o que, regimentalmente, postergou a votação para a sessão desta terça-feira. A tendência, no entanto, é que haja um acordo entre a “bancada independente”, que vai ganhar o reforço dos oposicionistas, e a liderança do governo.

Se houver um entendimento, e a tendência é essa nos bastidores, muda o status: ao invés de convocação, Norberto Ortigara será convidado podendo marcar dia e hora para prestar os esclarecimentos solicitados sobre os R$ 10 bilhões em investimentos em obras públicas da Secretaria das Cidades com as prefeituras do Paraná.

A sessão desta segunda-feira marca um novo momento de governabilidade de Ratinho Junior. O Iguaçu segue com maioria no parlamento, mas a margem que era folgada está um pouco mais restrita. Ainda bem, cita um deputado governista experiente, que a fila de pedidos de CPI é longa, o que inviabiliza a instalação de qualquer comissão de investigação na Casa legislativa.

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