Lula nomeia advogada para o TRE do Paraná e contraria aliados

Indicação de Nicole Muffone surpreende o mundo jurídico, causa desconforto e recompleta o colegiado no TRE do Paraná

A advogada Nicole Trauczynski Muffone foi a escolhida pelo presidente Lula para ocupar a vaga no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) destinada exclusivamente às mulheres.

O ato de nomeação já foi publicado no Diário Oficial da União. Aliás, Lula destravou uma série de indicações de vagas no TRE`s do país. Nicole assume a cadeira deixada pelo advogado José Rodrigo Sade e recompleta assim o colegiado no tribunal do Paraná.

A escolha de Lula por Nicole Trauczynski Muffone surpreendeu o mundo jurídico, ao mesmo tempo criou desconfortos para aliados históricos no Paraná e pode significar o rompimento de algumas alianças e compromissos.

Ela, que disputava com as advogadas Ana Carolina de Camargo Clève e Tatiane de Cássia Viese, não era considerada favorita na bolsa de apostas. Mas levou.

Nos bastidores, a nomeação de Nicole está sendo atribuída também ao trabalho de articulação política de Gleisi Hoffmann e do Grupo Prerrogativas, conhecido como “Prerrô” — coletivo de advogados, juristas que foi criado em 2014 e ganhou projeção durante a Operação Lava Jato, posicionando-se contra abusos do sistema de justiça e defendendo o amplo direito de defesa.

O ex-juiz do TRE, Júlio Jacob, foi outro quem trabalhou nos bastidores pela indicação de Nicole Trauczynski Muffone para a Corte Eleitoral do Paraná.

Obviamente que os predicados da advogada eleitoral e criminalista Nicole Trauczynski Muffone contribuíram para a decisão do presidente Lula.

Ela também sempre manteve boa interloculação no Tribunal de Justiça do Paraná e teve atuação destacada, por exemplo, em ações criminais decorrentes da operação Lava Jato, além de já ter advogado para o ex-deputado federal André Vargas — que continua muito bem articulado com a presidência da República.

A escolha de Lula, no entanto, acabou contrariando muitos aliados históricos do PT no Paraná — como os advogados Rochinha, Manoel Caetano e Guilherme Gonçalves, sem falar em deputados estaduais e federais do partido que defendiam outros nomes.

Rochinha e Manoel Caetano, por exemplo, defendiam a escolha de Tatiane de Cássia Viese — que é desembargadora eleitoral substituta no TRE e detinha o apoio também do presidente da Corte, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza.

Já Guilherme Gonçalves, que sempre advogou para o ex-casal Paulo Bernardo e Gleisi, trabalhou pela indicadação da mulher, a advogada Carolina Cleve, filha do professor advogado Clèmerson Merlin Clève. Ela também tinha o aval de deputados do PT.

Na época da formação da lista tríplie, no TJ do Paraná, Gonçalves chegou a declarar que não atuaria na Corte Eleitoral do Estado se Carol Clève fosse a escolhida — já que ela era tida como uma das favoritas.

Tanto é que, recentemente, ele foi contratado para atuar na campanha de reeleição do senador Eduardo Braga, no Amazonas — justamente porque acreditava na indicação da mulher ao TRE paranaense.

A indicação da advogada eleitoral e criminalista Nicole Trauczynski Muffone pegou muitos de surpresa no meio jurídico, mas a maior novidade mesmo foi o presidente Lula contrariar aliados que, por exemplo, o visitaram os 580 dias em que o petista ficou encarcerado na sede da Polícia Federal.

Leia outras notícias no BP.