Alexandre Curi não foi ao grande evento do PSD em Foz do Iguaçu na noite desta quinta-feira (30). E já mandou cancelar a agenda também em União da Vitória marcado para sexta-feira (31). É uma sinalização e tanto de que a articulação que o Palácio Iguaçu engendrou com o MDB de Rafael Greca não caiu nada bem para o lado do Republicanos. Haja engov.
O MDB marcou coletiva para a tarde desta sexta-feira (31) para anunciar a aliança com o PSD. Disputado tanto por Sergio Moro quanto pelo Palácio Iguaçu, Rafael Greca cedeu aos apelos do governo depois de receber em casa, em Curitiba, Ratinho e o vice, Darci Piana, e nesta manhã o próprio Sandro Alex.
No mesmo apartamento, dias antes, Sergio Moro e alguns de seus articuladores se reuniram com Rafael Greca, o assessor Lucas Navarro e o conselheiro político Giovani Gionédis. Aliás, no fim da manhã desta quinta, o ex-prefeito de Curitiba de forma gentil e cortês entrou em contato com o time do ex-juiz da Lava Jato dizendo que o MDB, no atual cenário, não tinha condições de fechar uma uma aliança com o PL.
O aperto de mão com Sandro Alex já havia selado a chapa Sandro/Greca. E o MDB ainda foi além. Abocanhou também a segunda vaga ao Senado Federal, indicando Alvaro Dias para o posto. A ideia era anunciar a chapa completa nesta sexta: Sandro como candidato ao governo, Greca de vice e Alvaro Dias e Alexandre Curi para a Câmara Alta. Era.
Porque desde o fim do encontro de Sandro com Greca, o Centro Cívico entrou numa expiral de especulação política como há tempos não se via. As certezas foram deixadas para trás e muitas dúvidas começaram a surgir eclodindo com a ausência do presidente da Assembleia Legislativa no grande evento do PSD em Foz.
Sinais de rompimento
O Republicanos já mandou sinais ao Palácio Iguaçu que pode romper a aliança com Sandro Alex — até porque, o compromisso do embarque era com a eleição de Alexandre Curi para o Senado. A partir do momento em que Ratinho avalizou Alvaro Dias para o Senado, dificultando a estratégia eleitoral do presidente da Alep, algumas peças do tabuleiro eleitoral foram derrubadas.
O partido de Pedro Lupion fará a convenção na próxima segunda–feira, mas deixará constado em ata que a direção do Republicanos é quem vai decidir um eventual apoio à uma candidatura ao Governo do Estado. O movimento de desembarque pode ser seguido por outras legendas, colocando em risco a chapa palaciana. Essa possibilidade foi discutida hoje.
Se de fato, Curi não topar o projeto de disputar o Senado e Alvaro ser mantido na chapa, a segunda vaga pode cair no colo de Cristina Graeml — que também vive momentos de incertezas, apesar da promessa feita por Ratinho quando a jornalista ingressou no PSD. Com o presidente da Alep fora da chapa, o compromisso poderia ser honrado.
Muitas perguntas e poucas respostas
Mas, e Rafael Greca, que tanto verbalizou contra a presença da jornalista na majoritária do PSD, rememorando as estocadas durante a eleição de 24, vai aceitar andar pelo Paraná pedindo voto para Cristina? A mesma pergunta é válida para o prefeito Eduardo Pimentel que se empenhou pessoalmente para unir PSD e MDB.
Cristina Graeml também vai receber o beijo da morte? Será que Guto Silva pode ser resgatado do ano sabático?
E depois de faltar aos eventos do PSD, Alexandre Curi vai aparecer na coletiva do MDB, como muitos palacianos esperam? Vai recuar e disputar a reeleição para comandar a Mesa Diretiva da Alep independentemente do futuro governador? Vai encarnar o espírito do avô Aníbal? Ou será o Osmar Dias da nova geração?
As perguntas são muitas e o cenário aparentemente definido ainda esconde intensas articulações nas coxias. Uma coisa parece cristalina: o slogan “Unidos e em Paz” terá de ser deixado na pré-campanha e reformulado, pelas mãos do marqueteiro argentino Jorge Gerez, quando a eleição ganhar o rádio e a TV.
De uma coisa, ninguém pode negar: quem achava que o MDB estava desacreditadom está vendo agora exímios articuladores políticos.