O governador Ratinho Junior, que curte férias com a família nos Estados Unidos, foi chamado às pressas no finzinho da tarde de ontem (11) para uma reunião virtual.
Do outro lado da tela, no Palácio Iguaçu, estavam dois secretários fortes do governo acompanhados de um conselheiro “cabeça branca” do governador.
O tema da reunião emergencial? O racha dentro do PSD. Existe uma preocupação interna que uma eventual cisão possa ameaçar não só os planos de sucessão no Paraná, mas toda a estratégia desenhada da disputa presencial.
A declaração do secretário de Agricultura, Márcio Nunes, no Show Rural, em Cascavel, foi apenas um aperitivo exemplificado na reunião online. Márcio Nunes afirmou que se Alexandre Curi romper com o governo para ser candidato, ele estaria contrariando tudo que vem falando até agora. “Seria igual um piá pançudo que não foi escolhido, pegou a bola e saiu de campo”.
A fala, avaliada por alguns políticos como desrespeitosa, provocou uma reação imediata de deputados e até secretários de Estado que foram se queixar com os homens fortes de Ratinho.
Mas não foi só isso. Não é de hoje que prefeitos do interior têm percebido uma ofensiva pró-Guto Silva feita por Márcio Nunes e outro secretário de caneta cheia do governo. Alguns relatos já chegaram até o governador Ratinho Junior.
Não estranhe, então, se o team Guto Silva submergir estrategicamente nas próximas semanas — especialmente Márcio Nunes. Tem gente dentro do Palácio defendendo até o afastamento de alguns secretários da campanha eleitoral, uma vez que estariam mais tensionando a relação e contribuindo para um racha definitivo do que contribuindo para a unidade do PSD.
Nada como o feriado prolongado de Carnaval para acalmar os bastidores eleitorais que andam para lá de acelerados. Mas após o ziriguidum e os batuques, Ratinho terá de achar uma solução política e física, já que dois candidatos não podem ocupar um mesmo espaço — neste caso, o de cabeça da chapa do PSD.