A eleição para a presidência do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) acontece só em novembro deste ano, mas nos bastidores o clima começou a esquentar.
Pelos corredores da sede do judiciário paranaense, o assunto já é tratado pelos magistrados. E alguns desembargadores já se movimentam em torno de apoios.
As candidaturas já estão sendo discutidas entre os muitos grupos de magistrados e também por ex-presidentes — que detêm poder político. O desembargador Jucimar Novochadlo é tido como candidatíssimo. Ele foi o principal adversário em 2024 da atual presidente do TJ, desembargadora Lídia Maejima — sendo derrotado no segundo escrutínio. Ele é até apontado por alguns como sucessor natural.
Mas há uma articulação sendo feita para evitar que a eleição seja com candidato único. Alguns desembargadores ensaiam bater chapa.
Dois nomes hoje estão na bolsas de apostas: Ramon de Medeiros Nogueira e Marcus Vinícius de Lacerda Costa. Os dois têm em comum a OAB do Paraná como origem — chegaram ao Poder Judiciário através da vaga do Quinto Constitucional destinada à entidade que representa os advogados.
Além disso, conta uma fonte bem informada do TJ paranaense, tanto Ramon de Medeiros Nogueira quanto Marcus Vinícius de Lacerda Costa têm excelente trânsito não só no tribunal, mas também extramuros — o que lhe garantiriam vantagem na corrida contra Novochadlo. Ramon de Medeiros Nogueira, cita uma desembargadora, estaria mais à frente na construção de uma eventual candidatura.
“A tendência é que em 2026 a gente tenha a disputa que era esperada em 2024 entre os desembargadores Jucimar Novochadlo e Ramon de Medeiros Nogueira, que só não ocorreu porque a atual presidente Lídia Maejima acabou surpreendendo e disputou com o Novochadlo o segundo escrutínio”, relembra.
A percepção, conta um magistrado, é que Novochadlo tem um perfil mais próximo da atual presidente Lídia Maejima, cuja gestão vem sendo questionada por grupos de desembargadores. E as críticas se avolumaram após a mal-sucedida ideia de criar uma resolução transformando todos os magistrados do Paraná em professores — ato que foi anulado por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
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A percepção é que o TJ do Paraná, comenta um desembargador, acabou ficando exposto nacionalmente após a resolução que criava os cargos de “Magistrado Tutor”, do “Magistrado Supervisor” e do “Magistrado Formador” — considerados pelo CNJ como uma afronta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento sobre o pagamento de penduricalhos, e os parâmetros constitucionais.
Essa “indisposição” com a administração atual poderia ter reflexos negativos na candidatura de Novochadlo, cita as fontes ouvidas pelo Politicamente, embora a desembargadora presidente Lídia Maejima não tenha se posicionado sobre o processo eleitoral.
As inscrições para concorrer à presidência do TJ do Paraná, no entanto, só serão feitas no mês de setembro e até lá favoritos podem ser derrubados e azarões podem ganhar força.