Cristina Graeml perde 62% do eleitorado em Curitiba

Se a eleição de 2024 cacifou Cristina Graeml a sonhar com voos maiores na política, a de 2026 traz ela novamente para o chão
Foto: Reprodução Redes Sociais
Foto: Reprodução Redes Sociais

As urnas deram um balde de água fria nas pretensões políticas de Cristina Graeml (PSD).

No recall do desempenho alcançado na disputa pelo 2º turno em Curitiba, em 2024, quando ela teve 390 mil votos, Cristina Graeml recusou todos os convites para concorrer a uma vaga na Câmara Federal e insistiu na cadeira ao Senado.

Ela que buscou a todo custo uma legenda para disputar o Senado Federal, conseguindo abrigo no PSD de Ratinho Junior, acabou tendo um desempenho bastante desfavorável.

Cristina Graeml teve 737.893 votos, ficando com 6,39%, e acabou em sexto na disputa pelas duas cadeiras do Senado — atrás até do petista Dr. Rosinha, que estava fora dos holofotes políticos há alguns anos.

A votação da jornalista, numa primeira análise, pode ser vista como um bom resultado — já que ela “dobrou de tamanho”. Entrou com um capital político de 390 mil votos e terminou com 737 mil.

Mas na extratificação dos votos em Curitiba, o desempenho de Cristina Graeml revela que ela encolheu. E muito. Dos 390 mil votos que ela tinha após o 2º turno em 24, ela encerra 2026 com 145.822 na capital — uma queda de impressionantes 62%.

Em busca de um partido

E este desempenho pode e deve influenciar a decisão de disputar ou não a prefeitura de Curitiba em 2028. E não é só a diminuição drástica do eleitorado que preocupa. A questão partidária parece ser agora o maior e mais latente desafio.

Se ela quiser disputar novamente o Palácio 29 de Março terá de recomeçar todo o périplo atrás de uma legenda — porque definitivamente ela não encontrará mais abrigo dentro do PSD do prefeito Eduardo Pimentel, que passa a ser o nome mais forte do partido. A incompatibilidade política entre eles ficou evidente nesta campanha.

Novo? PL de Sergio Moro? Não devem ser opções viáveis. Se antes ela era muito bem recebida, agora as portas devem se fechar. Durante a campanha eleitoral, Cristina Graeml foi à TV dizer que não dava para confiar em Sergio Moro.

Mais uma das estratégias erradas do marqueteiro argentino Jorge Gerez que, definitivamente, que pode ter afastado Cristina do eleitor de direita, do PL.

O ninho PSD

O desempenho muito aquém do planejado revela o fracasso na estratégia política da jornalista. Ela, de fato, não conseguiu explicar ao seu eleitorado, principalmente, a transformação camaleônica quando se filiou ao PSD de Gilberto Kassab.

Aquele mesmo PSD que ela tanto criticou em 2024 pelo fisiologismo recepcionou ela de portas abertas. E a imagem de Cristina no palco ao lado de Kassab, que nas palavras dela representava “tudo aquilo que ela combatia na política”, foi bastante explorada pelos adversários.

Nem o apoio explícito ao presidenciável Flávio Bolsonaro convenceu o eleitorado da direita a votar em Cristina Graeml. Filipe Barros e Deltan Dallagnol acabaram absorvendo este eleitor — que conectou com ela em 2024 e se desconectou dois anos depois.

Sem falar nas muitas dificuldades que ela teve dentro do próprio partido e da coligação. O nome de Cristina Graeml, desde o início, nunca foi bem recebido pelos partidos aliados — que apostavam e pediam votos só para Alexandre Curi (Rep).

Em Curitiba, teve as portas fechadas nos eventos políticos em que Eduardo Pimentel estava. Ela só não pode dizer que não foi avisada, porque o prefeito deixou bastante claro ao comando da campanha e ao governador.

Aliás, Cristina só teve Ratinho como aliado e alguns estaduais e federais que buscavam dobrar com ela no interior. Na rede social, depois do resultado ela evidenciou isso ao agradecer Ratinho. “um homem de palavra e meu grande apoiador”.

Cristina apostou na aglutinação de votos — pensou que teria o apoio daqueles que estiveram com ela em 24 que se somariam aos eleitores que viriam da popularidade do governador Ratinho Junior. Do voto estrutural.

Acabou com um pouco dos dois. Tão pouco que não superou Dr. Rosinha terminando bastante distante dos eleitos. Dentro do PSD o discurso “anti-Xandão” de Cristina Graeml não reverberou quanto nas vozes e campanhas de Filipe Barros e Deltan.

Do céu ao chão

Se a eleição de 2024 cacifou Cristina Graeml a sonhar com voos maiores na política, a de 2026 traz ela novamente para o chão. Com a queda de 62% junto aos eleitores de Curitiba, ela terá de repensar os planos políticos.

O resultado desta eleição talvez faça Cristina recalcular a rota. Se ficar sem espaço em 2028 vai pensar em 2030 com um olhar diferenciado para a disputa por uma cadeira na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa — cargos que ela nem cogitou em 26.

Até porque os 737.893 votos conquistados permitem planejar, até com certa tranquilidade, a entrada numa das duas casas legislativas. Após o resultado das urnas, Cristina Graeml usou as redes sociais apenas para agradecer os votos e deixar a mensagem: “nos vemos em breve”.