A conquista de Greca como vice contrasta com a apreensão sobre os nomes ao Senado

A vinda de Greca sela a vice, traz o MDB, evita uma aproximação do ex-prefeito com a trincheira morista, impede a candidatura de um aliado, que alardeou que não seria vice de ninguém, e finca em Curitiba o candidato da "Princesa dos Campos"

Sandro Alex e Rafael Greca apareceram publicamente pela primeira vez como pré-candidatos ao governo e a vice, respectivamente. A foto sela a aliança entre MDB e PSD. Nos holofotes, além da dupla que vai encabeçar a chapa do Palácio Iguaçu, o governador Ratinho Junior, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, além de autoridades do MDB e dos palácios 29 de Março e Iguaçu.

Alvaro Dias não apareceu. Pelos corredores da casa que abriga a sede do MDB, a informação era que ele estava realizando um exame médico. Justamente no dia que poderia marcar o anúncio dele como candidato ao Senado na chapa do PSD — com apoio de Ratinho, como se ventilou tão logo Sandro e Greca apartaram as mãos no apartamento do ex-prefeito de Curitiba no 12º andar.

Alexandre Curi, do Republicanos, já anunciado como pré-candidato ao Senado, também não estava — apesar das tentativas de trazê-lo como uma demonstração de união e paz. Assim como havia faltado o evento do PSD em Foz do Iguaçu na quinta, ele não estará também em União da Vitória na noite desta sexta-feira. Um recado claro sobre a insatisfação com a condução de todo o processo.

Cristina Graeml, que estava em deslocamento para União da Vitória, não foi. Nem se estivesse em Curitiba, iria.

As ausências escancaram um ruído estrondoso na articulação e condução política envolvendo a indicação de quem vai disputar o Senado na chapa de Sandro Alex. Barulho este que todos os presentes tentaram a todo custo fingir que não existia, que não escutavam.

Apesar do tom festivo do evento do MDB, coroando uma excelente articulação política, tanto para Greca, mas principalmente, para Sandro Alex, Ratinho e Eduardo Pimentel, o desconforto com a situação era visível.

Alvaro Dias, ex-governador do Estado e senador por mais de 30 anos, foi deixado em stand by. E a companheirada do MDB velho de guerra sentiu por ele. O futuro de Alvaro é incerto, apesar da sinalização de que Ratinho gostaria de contar com ele na chapa.

A ausência de Alvaro é muito simbólica. O Palácio Iguaçu parou toda a articulação para avaliar os danos causados junto a Alexandre Curi. Coube a Rafael Greca o afago, ao atender rapidamente à imprensa após a coletiva.

“O Alvaro Dias é uma das pessoas mais importantes para um projeto consistente nesta eleição. Como ele queira vir para a eleição, seja como meu apoiador, seja como senador, é muito bom e enche meu coração de alegria”, respondeu Rafael Greca. Mas quando questionado se Alvaro estava confirmado como candidato ao Senado, respondeu: “isso você tem que perguntar para ele e para o presidente do partido (MDB)”, completou.

Se tem alguém que tem esta resposta, é Ratinho Junior, que acabou deixando o local assim que começaram as perguntas dos jornalistas. Acabou, no entanto, sendo alcançado pelo veloz repórter Geovane Barreiro, do Portal Nosso Dia, que fez as perguntas que todos os colegas queriam, mas não tiveram oportunidade de fazer ao governador.

Sobre a permanência de Alexandre Curi como pré-candidato ao Senado, Ratinho afirmou que a saída dele está descartada, reafirmou que existe um compromisso público com o presidente da Assembleia Legislativa e negou que haja uma crise interna — causada pelo aval dado internamente para a vinda de Alvaro para o Senado.

Quem botou o “bode na sala”?

Contrariando emedebistas e alguns de seus articuladores políticos que conduziram a conversa com o MDB, Ratinho afirmou que neste momento o que estava em negociação era a vice e não o nome de Alvaro Dias ao Senado. Procura-se então o responsável por colocar o “bode na sala” que causou toda a celeuma.

Ratinho disse ainda, dentro do cenário de manutenção de Alexandre Curi na chapa, que a escolha do segundo candidato para a Câmara Alta será decidida pelos partidos que estão no arco de aliança do PSD.

“Agora nós temos mais 4, 5 dias ouvindo os outros partidos, inclusive o nosso, pra definir a segunda vaga. É uma definição que a gente vai fazer em conjunto”, disse Ratinho.

Se isso for levado à risca, nem Alvaro, nem Cristina. O emedebista conta com o entusiasmo do próprio partido. Já Cristina Graeml se apega, única e exclusivamente, na promessa feita por Ratinho, quando foi filiada ao PSD, de que estaria na chapa majoritária. Os demais partidos, União Brasil, PP, Republicanos e a Federação PSDB/Cidadania e até parte do PSD e do MDB vão seguir o que Alexandre Curi decidir.

Ainda pesa contra Cristina Graeml o desconforto já externado por Eduardo Pimentel e também por Rafael Greca, inclusive ao governador, sobre a indicação dela ao Senado. O “beijo da morte” é iminente, comenta-se nos dois palácios. Por isso, o nome de Guto Silva volta a ganhar força. Talvez seja a solução salomônica que evitaria a exposição de vencedor e derrotado numa queda de braço. Seria o nome de consenso.

São cinco dias de muita articulação política para fechar a chapa encabeçada por Sandro Alex. Falta “só” resolver os dois candidatos ao Senado.

A vinda de Rafael Greca sela o espaço da vice, traz o MDB, evita uma aproximação com a trincheira morista, impede ainda a candidatura de um aliado que até chegou a publicar nas redes sociais, de cima do Empire States, que não seria vice de ninguém, mas voltou atrás, e finca em Curitiba o candidato da “Princesa dos Campos”.

Só faltaram os nomes ao Senado para tirar o dez.

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