VOCÊ VOTOU, A MAIORIA VENCEU, O BP COMPAROU
Emprego no paraná não está faltando na campanha — o que muda é a receita. O BP comparou os oito planos e mostra onde há proposta, onde há diferença e onde há silêncio.
O tema chega à eleição com um dado que exige contexto. O Paraná criou 69.638 empregos formais entre janeiro e junho de 2026, terceiro maior saldo do país. No primeiro trimestre, a taxa de desocupação estadual foi de 3,5%. (MTE/Novo Caged, 29/07/2026; IBGE/PNAD Contínua Trimestral, 14/05/2026). É um mercado aquecido. Mas vaga aberta não encerra a conversa. Salário, qualificação, qualidade do emprego, produtividade e distribuição regional continuam na mesa — e a mesa, como sempre, vem com oito cadeiras.
O Blog Politicamente comparou os oito planos oficiais usando a mesma régua. Só entrou o que está escrito. Quando não há proposta explícita, o texto registra a ausência. Nada de completar promessa no modo automático.
“Emprego é uma palavra só. Nos oito planos, ela vem acompanhada de oito receitas diferentes.”
Como os candidatos pretendem gerar emprego no Paraná
Na geração de emprego, Alexandre Salomão (Mobiliza) aposta em desburocratização, atração de investimento, logística, turismo e conexão entre educação técnica e vocações produtivas. Já o candidato do partido político Missão, Luiz França, combina aumento de produtividade das empresas, novos mercados e Frentes de Trabalho temporárias com renda e formação. Em paralelo a isso, Requião Filho (PDT) propõe crédito público, compras locais e incentivos condicionados a emprego, salário e permanência no Paraná. Samuel de Mattos trata desemprego e precarização como problemas estruturais do capitalismo e propõe obras públicas, maior controle dos trabalhadores e reorganização da propriedade e do crédito. O PSD, através de seu candidato Sandro Alex (PSD), liga emprego a industrialização regional, inovação, IA, turismo, economia criativa e pequenos negócios. Sergio Moro (PL) estrutura o tema em agro, indústria, comércio, serviços, inovação, internacionalização e trabalho. A única candidata mulher ao palácio, Tayná Miessa, do UP, propõe frentes de infraestrutura, indústrias de tecnologia limpa, cooperativas e economia solidária. E Adriano Funileiro (PCO) associa geração de vagas à redução da jornada, proibição de demissões e grandes programas de obras e moradia.
Qualificação profissional e entrada no mercado de trabalho
Sobre qualificação e entrada no mercado, Alexandre Salomão quer fortalecer ensino técnico e profissionalizante ligado ao agro, indústria, logística e tecnologia. Luiz França prevê qualificação ligada a vagas reais e às Frentes de Trabalho. Cursos planejados com trabalhadores, empresas, sindicatos e territórios, além de fortalecer as Agências do Trabalhador são propostas de Requião Filho. O candidato Samuel de Mattos, do PSTU, não apresenta um programa geral de qualificação conectado ao mercado; a formação aparece de forma setorial em políticas públicas e na defesa da educação pública. Sandro Alex propõe o Qualifica Paraná, observatório do trabalho e formação para novas economias e automação. Sergio Moro integra Agências do Trabalhador e CRAS, aprendizagem, primeiro emprego e qualificação para profissões do futuro. Tayná Miessa prevê bolsas para carreiras de tecnologia e parceria com instituições de ensino, mas não detalha uma rede estadual ampla de intermediação de vagas. Não foi apresentada política estadual específica de qualificação para vagas pelo candidato do PCO, Adriano Funileiro. Seu foco está em emprego, jornada, salário e expansão do ensino público.
Empreendedorismo, crédito e investimento no Paraná
No campo do empreendedorismo, crédito e investimento, Salomão prioriza ambiente de negócios, desburocratização e atração de capital, sem detalhar uma linha geral própria de microcrédito no eixo analisado. Luiz França propõe crédito e assistência conforme o gargalo de cada empresa e apoio progressivo a novos negócios. Já Requião Filho cita Fomento Paraná, BRDE, microcrédito, Fundo Estadual de Aval, economia solidária e menor carga para pequenos negócios. Samuel de Mattos critica a lógica convencional do empreendedorismo e prioriza crédito público para agricultura familiar e pequenos produtores, com enfrentamento aos grandes monopólios. E Sandro Alex cria trilhas de formalização, financiamento, garantias, compras públicas e acesso a mercados para micro e pequenas empresas. O candidato do PL propõe Empreende Fácil, Crédito Paraná Empreendedor e capacitação digital. Tayná Miessa prioriza cooperativas, tecnologia limpa e economia solidária, sem apresentar no trecho econômico uma política ampla de microcrédito empresarial. Adriano Funileiro não apresenta linha específica para empreendedorismo ou crédito privado; a proposta econômica privilegia estatização e controle dos trabalhadores.
Jornada, salários e proteção do trabalho
No que se refere a jornada e proteção do trabalho, as diferenças ficam ainda mais visíveis. Alexandre Salomão e Luiz França não apresentam proposta geral de piso regional ou redução de jornada no eixo de emprego e renda. O último se concentra em renda temporária, qualificação e transição para trabalho permanente nas Frentes de Trabalho. Requião Filho propõe ganho real no piso regional e condiciona apoio estatal ao respeito às relações de trabalho. O postulante pelo PSTU defende fim da escala 6×1, jornada de 30 horas sem redução salarial, fim da terceirização e da pejotização e equiparação salarial racial. Sandro Alex não fixa jornada nem piso geral; trata renda principalmente pela qualificação, produtividade e inclusão produtiva. Moro não apresenta, no eixo analisado, proposta geral de piso salarial ou redução de jornada; prioriza empregabilidade, qualificação e empreendedorismo. Tayná Miessa propõe acabar com terceirizações no setor público e passe livre a desempregados, mas não fixa piso estadual nem jornada geral (Plano oficial, 2026). Adriano propõe jornada máxima de 35 horas, reposição integral das perdas salariais, aumento emergencial de 50%, reajuste automático pela inflação e salário-desemprego igual ao último salário.
O que os oito planos mostram sobre emprego e renda
A pesquisa é útil justamente pelo que mostra e pelo que não encontra. O Paraná pode exibir bons números de emprego e ainda discutir qualidade, renda e acesso às oportunidades. O custo de não comparar é conhecido: oito documentos, centenas de páginas e muita chance de o detalhe importante passar batido.
VAMOS TAXAR: EM PLANO DE GOVERNO, AUSÊNCIA DE PROPOSTA TAMBÉM É INFORMAÇÃO.
Clique aqui para acessar a matéria 3 do projeto BP COMPARA ELEIÇÕES 2026 publicada pelo BP. O tema foi: Impostos e Finanças públicas no Paraná.