Sandro Alex, Requião Filho e Sergio Moro debutaram no programa eleitoral gratuito de rádio e TV. Os tão esperados comerciais, guardados a sete chaves por algumas campanhas, trazem poucas ou quase nenhuma novidade do que já se via na pré-campanha pelo Governo do Paraná.
Se o eleitor se pautar por aquele ditado popular de que “a primeira impressão é a que fica”, os marqueteiros terão muito trabalho pelos próximos 30 dias. A criatividade passou bem longe — tanto em formatos quanto em conteúdo.
O caro e badalado marqueteiro argentino Jorge Gerez adotou a estratégia do mais do mesmo — um verdadeiro “déjà vu” de eleições, no plural, anteriores do PSD. Só mudaram os personagens. Lá estavam a harpia voando pelo céu do Paraná, o castelo de cartas desmoronando, o candidato com a manga da camisa arregaçada numa reunião fake de trabalho e, não podia faltar, claro, a imagem de cima do heliponto. A assinatura dos vídeos do portenho.
O programa do PSD é quase um Ctrl+C e Ctrl+V de pleitos passados. Quem não se lembra do comercial de 2024 dizendo que o então prefeito Rafael Greca e o vice Eduardo Pimentel herdavam uma prefeitura de Curitiba com sérios problemas para logo em seguida exibir as mudanças promovidas? Pois é. O roteiro é o mesmo na propaganda de Sandro Alex. Imagem preto e branco contrapondo o antes e o depois, para enaltecer a gestão Ratinho Junior.
Neste remember, o marqueteiro aproveitou para trazer o assunto pedágio para a pauta, citando tarifas caras e contratos mal feitos, e deu uma alfinetada em Roberto Requião, exibindo um vídeo de 2006 em que o pai de Requião Filho, adversário do PDT ao governo, aparece com o presidente Lula comendo mamona.
Ratinho em quem abre a propaganda do PSD. Ele se despede dos paranaenses, após duas gestões no Palácio Iguaçu, apresentando seu sucessor: Sandro Alex — que o acompanha desde o primeiro dia de governo e o responsável pelas obras de infraestrutura no estado. Ponte de Guaratuba, da Integração, duplicações de rodovias são algumas das imagens trazidas ao eleitor.
Dentro da estratégia de aproximar a imagem de Ratinho e Sandro Alex, a propaganda traz as semelhanças entre os dois na vida privada. Casados, pai de três filhos, início de carreira na rádio… e por aí vai. Passadas a etapa do “caos herdado”de gestões anteriores e as conquistas de Ratinho, é hora de Sandro Alex apresentar seu modelo de gestão — um Ctrl+C e Ctrl+V do que o atual governador fez, mais buscando avançar.
Promete levar o Paraná ao posto de terceira maior econômia do país, de transformar o estado no maior centro logístico da América Latina, com uma saúde sem filas para exames e cirurgias e com “a melhor e mais inteligente segurança do Brasil”. E terminam, Ratinho e Sandro, dizendo que a mudança continua.
Moro também fala em continuidade de Ratinho
A continuidade de bons projetos do governador Ratinho Junior também está presente no comercial de Sergio Moro, assinado pelo marqueteiro Marcelo Catani, que na eleição de 2022 surpreendeu a classe política ao conduzir o ex-juiz da Lava Jato ao Senado Federal.
Embora Ratinho tivesse como candidato Paulo Martins, Moro sempre se posicionou como um aliado do governador e abocanhou votos suficientes para derrotar o então “pupilo” de Ratinho e Jair Bolsonaro nas urnas.
Durante toda a pré-campanha, Catani segurou a onda e evitou qualquer embate mais áspero de Moro com Ratinho — dono de uma popularidade na casa de 80%. Até segunda ordem, a determinação é não reagir aos ataques — que devem se intensificar nas próximas semanas e programas eleitorais.
Catani usou o primeiro comercial de Moro para “atacar” o Centrão, o sistema, a “velha política” — motes de cases de eleições anteriores da Direita. Moro repetiu o pregou na pré-campanha, colocando seus adversários cada um numa “caixinha”.
Ao se apresentar como o candidato da Direita e Centro Direita, com “o espírito da Lava Jato” e a “força de Bolsonaro”, Moro diz que disputa o Iguaçu com os aliados de Lula, que seria Requião Filho, e com os amigos do presidente petista — neste caso, Sandro Alex que representaria o PSD e o MDB.
Nas palavras de Moro o “centrão na veia”, os partidos que “aqui no Paraná se apresentam como sabor direita” — com o “r” puxado do interior. Moro traz para o comercial Flávio Bolsonaro, citando ser o único capaz de derrotar Lula no cenário nacional, e os seus candidatos ao Senado: Deltan Dallagnol e Filipe Barros que de forma uníssona criticam o Centrão — mais uma vez.
Longe “do centrão”, da “velha política” e sem padrinhos. É assim que Sergio Moro se apresenta ao eleitor. Propostas? Nada. Deve ter ficado para outros comerciais. Ainda com a “cintura dura”, Moro fala apenas em dar um salto de inovação no Estado. E só.
Requião Filho nas ruas falando de dducação
Requião Filho apostou numa propoganda mais leve. Nada de alfinetadas e cotoveladas em adversários, como em sabatinas e debates recentes. O comercial começa com crianças participando do Pod12 RF — fazendo referência ao número de urna do candidato e as iniciais do nome dele, numa linguagem mais jovial, uma característica de Oliveiros Marques, que assina a campanha do pedetista.
O candidato foi às ruas, de camiseta e jeans. O filme é marcado muito mais por imagens externas do que dentro do ar condicionado. Requião Filho caminhou pela feirinha da Ordem, pela rua XV em Curitiba sempre levando o mote da campanha: “gente cuidando de gente”.
Com cartazes chamando os curitibanos para uma conversa, ouviu dos eleitores reclamações na área da educação — único assunto abordado no primeiro comercial do candidato do PDT ao Iguaçu. Nas interações com as pessoas, prometeu acabar com a terceirização na educação do Estado, diminuir a plataformização, pagar melhores salários aos docentes e retomar o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação).
O que chamou a atenção foi a ausência do presidente Lula na propaganda de Requião Filho, que trouxe rapidamente imagens de Gleisi Hoffmann, candidato ao Senado na chapa do PDT, e de Roberto Requião — ex-governador, pai do candidato e postulante a uma cadeira na Câmara Federal na eleição que se avizinha.
Como inicialmente dito, nenhuma surpresa por parte de nenhum candidato. Comerciais ok, bem feitos, renderizados seguindo, cada um, sua estratégia. Mas todos incapazes de atrair a atenção do eleitorado. Aguardemos as cenas dos próximos filmes.