A primeira rodada da pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo do Paraná para o pleito de 2026, dá 49,3% dos votos válidos a Sergio Moro — candidato do PL ao Palácio Iguaçu.
O resultado, divulgado na noite desta segunda-feira (24), mostra que o senador flerta, a pouco mais de um mês da abertura das urnas, com uma vitória no 1º turno.
Requião Filho (PDT) apareceu com 28% dos votos válidos e Sandro Alex, candidato do PSD, com 20%. Luiz França, do Missão, e Tayná Miessa (UP) teriam 1,33%. Esta é a forma como a Justiça Eleitoral totaliza os votos na eleição — excluindo os brancos e nulos.
Ao considerar os votos não contabilizados pela Justiça Eleitoral, Moro tem 37%, Requião Filho 21% e Sandro 15%. O candidato do Missão e a do UP aparecem com 1% e os demais concorrentes, Alexandre Salomão (PMN), Adriano Funileiro (PCO) e Samuel de Mattos (Psol), não pontuaram.
O desempenho do “tocador de obras” do governo Ratinho Junior não foi muito bem recebido nesta fria noite — embora, se olhar o copo meio cheio, percebe-se que Sandro foi de 9% na estimulada em julho para os atuais 15% — enquanto seus principais adversários oscilaram negativamente no limite da margem de erro.
Antes da divulgação da sondagem, palacianos diziam esperar números melhores. E listavam alguns fatos para este otimismo: desde abril, quando Ratinho anunciou Sandro Alex como candidato a sucessão, os dois cumprem agendas diárias juntos — sem falar na intensidade de postagens nas redes sociais.
Outro ponto, a entrada de Rafael Greca como vice, no finalzinho de julho. E, por fim, a ampla coligação montada que garante ao candidato do PSD o apoio, em tese, de 7 a cada 10 prefeitos do Paraná — sem falar no latifúndio do tempo de propaganda no rádio e na TV, e no recente ingresso do prefeito Eduardo Pimentel na campanha de Sandro em Curitiba e na região metropolitana.
A equação de confiança e positividade se dáva no potencial de transferência de voto de Ratinho e de Greca e do trabalho e entusiasmo da prefeitada. Por essas e outras, a divulgação da Quaest não foi bem aceita no QG da Carmelo Rangel.
Que venham os comerciais
Superado o anúncio como sucessor, o trabalho contínuo e incansável do padrinho Ratinho e a entrada de Greca como vice, é hora de apostar tudo no marqueteiro argentino Jorge Gerez para fazer Sandro Alex tracionar na disputa pelo Palácio Iguaçu. “Vamos ver se ele vale todo o investimento financeiro que foi feito. É a hora dele”, disse um palaciano.
Fontes da campanha do PSD ouvidas pelo Blog Politicamente contam que esperava-se números melhores no final do mês de agosto, mas que a ordem agora é aguardar as propagandas eleitorais e a infinidade de inserções no rádio e na TV garantidas com a coligação estratégica montada por Ratinho e operacionalizada por Alexandre Curi.
Os comerciais começam na próxima sexta-feira (28). E a ordem agora é crescer ou crescer. Recai, portanto, sobre o marqueteiro argentino todas as esperanças do Palácio Iguaçu.
Paralelamente, a ofensiva em cima de Sergio Moro deve se intensificar não só por Sandro Alex, que já começou a apontar as críticas, como também, e principalmente, por Ratinho — o governador que ostenta uma aprovação de 79%. É uma das maneiras encontradas para tentar desidratar Moro.
A campanha do senador, até aqui, tem ido na contramão. Um recente vídeo publicado nas redes, Moro questiona os ataques, uma vez que ele diz que dará continuidade à gestão de Ratinho Junior. Ao invés de responder às provocações, sugere bandeira branca.
Também pudera. Para o senador o cenário é fofo. Aliás, as campanhas sofrem da incapacidade de gerar fatos/notícias que consigam atrair o eleitorado paranaense.
E o passar do tempo, nesta mesmice, só favorece Moro. Todos estão apostando tudo nas propagandas eleitorais — torcendo para que os paranaenses mantenham as Tv`s e os rádios ligados.
Os padrinhos em cena
O ex-juiz da Lava Jato deve estrear os filmes no dia 28 ao lado de Flávio Bolsonaro. Assim como Requião Filho deve exibir o presidente Lula. Sandro terá Ratinho. Em vias de regra, os primeiros comerciais são para apresentar os “produtos”.
Família, infância e os predicados serão trazidos cobertos com imagens dos paranaenses, das cidades e do trabalho prestado até aqui. Sem surpresas. Com emoção. As cotoveladas e empurrões virão a partir da segunda ou da terceria semana — a depender dos tracking`s.
Requião Filho deve, a princípio, assistir de camarote a carnificina que se avizinha entre as campanhas do PL e do PSD. E torcer muito para que o presidente petista deslanche para surfar esta onda progressista.
Simulação do 2º turno preocupa
O segundo turno, também testado pela Quaest, entre os três principais candidatos apontam para vitória de Moro e derrotas para Sandro Alex.
Contra o “homem da infraestrutura”, o senador fica com 48% e o candidato de Ratinho com apenas 29%. Se o embate for Moro x Requião, o candidato do PL soma 51% e o pedetista 27%.
E nm eventual 2º turno entre Sandro e Requião, o PSD sairia derrotado: 37% para o pedetista e 24% para Sandro Alex.
O argentino terá muito trabalho pela frente, já que terá de fazer primeiro Sandro chegar em Requião Filho para almejar uma vaga num eventual 2º turno.
Sabe-se que se Moro não liquidar a fatura em 4 de outubro, pode ter dificuldades no fim do mês, já que se o PT não disputar a segunda etapa do pleito não vai nem ficar ruborizado em ajudar o candidato do Palácio Iguaçu.
Muito trabalho à vista para Jorge Gerez, Oliveiros Marques e Marcelo Catani. Agora é a hora dos marqueteiros e estratagistas entrarem em campo. Cada um com seu objetivo.
Metodologia:
A Quaest ouviu 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto. A pesquisa tem uma margem de erro é de 3% para mais ou para menos e um nível de confiança é de 95%. O levantamento, contratado pela RPC, que é afiliada da TV Globo no Paraná, está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-05388/2026.