O PL de Sergio Moro decidiu oficialmente esperar por uma definição do Republicanos. O partido fez sua convenção neste sábado (1º), no Espaço Torres, em Curitiba, oficializando a candidatura do ex-juiz da Lava Jato ao Palácio Iguaçu e a de Filipe Barros ao Senado Federal. Mas resolveu deixar a ata em aberto até 5 de agosto — num aceno muito claro ao partido de Pedro Lupion e de Alexandre Curi.
Antes do início do evento, Moro afirmou que está aberto ao diálogo com todas as lideranças políticas e que tem bom relacionamento tanto com o presidente da Assembleia Legislativa quanto com o Republicanos e suas lideranças, como o presidente da legenda, deputado federal Pedro Lupion.
A conversa política já foi iniciada entre Moro e o Republicanos. Nos bastidores, o que se comenta é que Alexandre Curi aguarda um posicionamento de Ratinho Junior sobre as definições dos nomes ao Senado na chapa liderada por Sandro Alex. Lupion, por sua vez, não esconde de ninguém que, pessoalmente, prefere levar o Republicanos para a trincheira de Sergio Moro.
Se o governador insistir nos nomes de Alvaro Dias (MDB) e Cristina Graeml (PSD) para o Senado, Alexandre Curi deve rever a candidatura abrindo espaço até para um rompimento com a candidatura do “homem da infraestrutura”.
Uma das ofertas do PL ao Republicanos foi o posto de vice na chapa de Moro. Edson Vasconcelos, que na convenção do PL discursou como vice, abriria mão para acomodar o partido de Curi e Lupion — que reforçaria a trincheira do senador.
Na convenção, Moro seguiu à risca a estratégia desenhada pelo marqueteiro Marcelo Catani de não partir para o confronto com o Palácio Iguaçu, contra Ratinho e Sandro Alex. Esta missão ficou para alguns correligionários.
O discurso mais pesado endereçado a trincheira do PSD partiu da prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schimidt, que chamou de mentirosos e traidores os irmãos Sandro Alex e Marcelo Rangel, sem citá-los nominalmente. ”
“A vovó aqui, junto com o time de Ponta Grossa, já enterrou a mentira e os metirosos em 2024. O governo da propaganda, das promessas, das ameaças, da faca no pescoço está chegando ao fim. Contem com a vovó para desmascarar e desmistificar tudo isso. Estou sempre junto. E para quem nunca ouviu falar desta turma, fica aqui o alerta, eles só não são traíras quando dormem, mas dormem pouco”.
O ex-prefeito de Guarapuava, Cézar Silvestri Filho, que é do PP, também alfinetou o governo durante o discurso, ao citar que muitos dos convênios prometidos pelo Palácio Iguaçu aos prefeitos do Paraná não serão honrados. Aliás, não era o único Progressista. O deputado federal Tião Medeiros e a estadual Cristina Silvestre engrossaram o apoio a candidatura de Sergio Moro.
Felipe Francischini, deputado federal e presidente do Podemos do Paraná, satirizou o lema “Unidos e em Paz” da campanha adversária. “Vamos em frente, unidos por um propósito que é muito maior do que todos nós, e em paz por sabermos que estamos do lado certo da história”.
Filipe Barros e Deltan Dallagnol (Novo) usaram boa parte dos 15 minutos de discurso para tratar dos temas nacionais tendo como foco o presidente Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes — para deleite dos apoiadores presentes. O candidato do Novo estava vestido com uma camisa com o polêmico powerpoint estampado citando Lula. “Eu prendi o Lula, o STF soltou”.
Barros ainda aproveitou para rechaçar o discurso que Sandro Alex e Ratinho Junior têm feito de que é preciso deixar as brigas de Brasília fora do Paraná. “As brigas do Paraná são do Brasil. E as brigas do Brasil são também do Paraná”, respondeu. E enalteceu a candidatura de Flávio Bolsonaro para a presidência da República.
No finalzinho da convenção da PL, foi exibido um vídeo do presidenciável em apoio às candidaturas de Sérgio Moro, Filipe Barros e Deltan Dallagnol.
No vídeo, o filho 01 de Bolsonaro cita, numa referência a Lava Jato, que o Paraná prendeu Lula e que Brasília soltou.
Michelle Bolsonaro também encaminhou um vídeo. Ela enalteceu e incentiva a participação das mulheres do PL do Paraná na política e declara apoio a Moro, na disputa pelo governo, e a Filipe Barros e Deltan ao Senado.
Moro começou o discurso depois de 13h, quando alguns apoiadores já deixavam o evento — assim como Sandro Alex, na convenção do PSD na semana passada. E outra coincidência foi o número de presentes. Muitos ficaram para fora. Na convenção do PL ainda tinha um enorme telão para acompanhar as falas, enquanto que no PSD era possível apenas ouvir os oradores.
O ex-juiz da Lava Jato relembrou o trabalho da “maior operação de combate a corrupção do Brasil” e prometeu construir um presídio estadual de segurança máxima, uma das medidas para tornar o Paraná o estado mais seguro do país.
O período das convenções se aproxima do fim, mas até 5 de agosto estão previstas muitas articulações políticas, traições, beijos da morte e promessas de compromissos futuros.