Uma resolução do diretório do PSD do Paraná obriga filiados a apoiar a pré-candidatura de Sandro Alex (PSD) ao governo do Estado e ameaça punir quem “declarar, manifestar, solicitar ou induzir apoio ou voto em favor de candidato adversário”.
O recado é claro, direto e radical. Quem flertar com adversários políticos de Sandro Alex será enquadrado por infidelidade partidária. Existe um temor de um apoio velado a outros candidatos.
O Blog Politicamente teve acesso à resolução, número 55/2026, de 15 de junho de 2026. Os filiados estão proibidos, segundo o artigo segundo, de “participar de campanha, ato político, reunião eleitoral, comício, gravação, publicação, propaganda ou divulgação em favor de candidatura adversária”.
A resolução cita ainda que é vedado “produzir, compartilhar ou impulsionar conteúdo destinado a promover candidatura adversária ou a atacar, desestimular ou prejudicar candidatura oficial do Partido”.
E nem adianta apagar o post na rede social. “A exclusão posterior de publicação, imagem, vídeo ou manifestação não afasta a apuração da infração já consumada”.
“O apoio público, a participação em campanha ou a promoção de candidatura adversária será considerado ato incompatível com os deveres de filiação e poderá caracterizar desobediência às deliberações partidárias, descumprimento das orientações dos órgãos superiores e infidelidade partidária, na forma do Estatuto do PSD”.
No mesmo artigo segundo está expressa a vedação de filiados de “praticar, estimular ou tolerar atos de sabotagem, boicote, oposição pública ou articulação política contrária às decisões eleitorais do Partido”.
A resolução é um balde de água fria, por exemplo, na pretensão de Rafael Greca, pré-candidato do MDB ao Palácio Iguaçu, de contar com o apoio do autal prefeito de Curitiba Eduardo Pimentel na corrida eleitoral.
Greca já admitiu que espera ter o apoio do “pupilo” e chegou a falar em “traição” caso o prefeito peça votos para outro candidato.
O documento do PSD veda expressamente a possibilidade de Eduardo Pimentel pedir voto para Rafael Greca, sob pena de aplicação de alguma penalidade — já que a infidelidade partidária não recai sobre prefeitos.
“Tenho impressão que ele vai se pronunciar (sobre o apoio). Ele já me disse isso no reservado e deve dizer no público. Se o Eduardo cometer uma sandice dessa de me trair, ele se perde. E a história jamais perdoa quem trai”.
Enquanto isso no cenário nacional…
O rigor contrasta diametralmente com a permissividade do diretório nacional do PSD. Exemplos não faltam.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra, já deixou claro ao presidente Gilberto Kassab que irá apoiar a reeleição do presidente Lula, mesmo tendo Ronaldo Caiado como candidato presidencial do partido.
No Rio de Janeiro a realidade é a mesma. Eduardo Paes, do PSD, vai de Lula na eleição presidencial. São apenas alguns exemplos do “libera geral”.
Aí entra em jogo o pragmatismo de Kassab que vai priorizar os interesses políticos locais ao invés das predileções partidárias. Até porque, o PSD segue no comando de ministérios do presidente Lula — apesar de Kassab manter distanciamento da gestão federal.
Chapa pura também no Paraná?
O próprio fato de Kassab estar cotadíssimo para ser vice de Caiado, numa chapa pura presidencial, é uma tentativa de evitar um racha maior no PSD. A presença do presidente nacional da legenda na chapa puro sangue vai atenuar o “libera geral”.
A dobradinha do PSD revela também uma dificuldade de Caiado e Kassab atrairem apoio de outros partidos políticos — realidade pela qual o governador Ratinho Junior também atravessa no Paraná.
No Centro Cívico, há quem já admita a possibilidade de uma chapa pura do PSD também no Paraná. Dentre os nomes ventilados para a vice de Sandro Alex, estão o do ex-secretário da Segurança Hudson Teixeira e da jornalista Cristina Graeml.