Pesquisa IRG mostra dois Sandro Alex: mediano sozinho e competitivo com Ratinho

Pesquida IRG revela a completa dependência eleitoral de Sandro Alex a Ratinho Junior e isso tem o bônus e o ônus

O instituto IRG traz sempre em suas pesquisas eleitorais com a corrida pelo Governo do Estado um componente que anima, e muito, o Palácio Iguaçu — que é a vinculação do nome dos pré-candidatos com o padrinho político.

É a receita que coloca Sandro Alex (PSD), verdadeiramente, no páreo. E, ao mesmo tempo, revela a completa dependência eleitoral do “homem da infraestrutura” ao governador Ratinho Junior — e isso tem o bônus e o ônus. Trataremos disso a seguir.

Sandro Alex pula de 14,4% para 27,5% quando o eleitor é informado de que ele tem o apoio do governador. Ou seja, são dois “Sandro Alex”, um com desempenho mediano e outro competitivo.

É bem verdade que não é possível creditar estes 13,1% de incremento eleitoral somente a Ratinho Junior, já que neste cenário o nome do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB), é suprimido da disputa.

Ou seja, não dá para saber quanto, precisamente, Sandro Alex herda do emedebista e qual porcentual é realmente de transferência de voto do governador.

Sozinho, Sandro Alex chegou na rodada da pesquisa IRG do mês de junho a 14,4% — porcentual que o colocaria em segundo na corrida pelo Palácio Iguaçu, empatado tecnicamente, dentro da margem de erro de 3,1%, com o pedetista Requião Filho que obteve 18,6%. O que já é, por si só, uma evolução.

Neste cenário,  Rafael Greca (MDB) apareceu com 11,7%, enquanto Tony Garcia (DC) e Luiz França (Missão) registraram 0,9% de intenção de voto. Todos eles, atrás de Sergio Moro (PL) que obteve 38,2%.

Desempenhos maio x junho

Quando comparado com a pesquisa do IRG estimulada de maio, Sandro Alex , Requião Filho e França foram os que cresceram — mas dentro da margem de erro.

O candidato de Ratinho foi de 12,3% para os atuais 14,4%, o pedetista variou de 18,1% para 18,6% e o pré-candidato do Missão tinha 0,3% e agora 0,9%.

Os demais adversários oscilaram negativamente dentro da margem de erro — apenas Tony Garcia repetiu o desempenho do mês passado. Moro tinha 39,4% agora tem 38,2% enquanto Rafael Greca tinha 14,7% em maio e nesta sondagem apareceu com 11,7%.

Se para Sandro Alex o apoio do “padrinho político” é fundamental, para Moro e Requião Filho nem tanto. Sozinho, Moro tem 38,2% e vai a 39,1% quando vinculado a Flávio Bolsonaro (PL).

Já o pedetista sobe de 18,6% para 20,8% quando o nome dele é atrelado ao do presidente Lula (PT). Dos três, Sandro Alex é, disparado, quem mais precisa e depende do “padrinho político”.

E, como anteriormente já dito, isso é bom, mas também pode ser ruim. Se de um lado, o “homem da infraestrutura” sobe nas pesquisas de intenção de voto quando vinculado a Ratinho Junior, o contrário também é verdadeiro.

Ou seja, qualquer arranhão na imagem do governador pode abalar significativamente o desempenho de Sandro Alex. Isso, por óbvio, é de conhecimento dos adversários políticos e, portanto, Ratinho pode ser o alvo durante a campanha.

As estratégias

Os estrategistas da pré-campanha de Sergio Moro, capitaneados por Marcelo Catani, já deixaram muito claro que, neste período, não querem qualquer embate com Ratinho Junior. Fogem de qualquer rusga com o chefe do Executivo e até elogiam a atual gestão.

Acreditam, até agora, que podem costurar uma composição entre PL e PSD para o pleito de outubro. E vão tentar esta aliança até o último dia das convenções.

A crença é tanta, que a equipe de Moro chegou a engolir o ataque proferido por Sandro Alex na semana passada — dizendo que o senador não está preparado nem tem equipe para governar o Paraná. Ao invés do contra ataque, veio o silêncio. Mais que isso, no QG Morista, a declaração foi interpretada como “desespero eleitoral”.

O ponto de reflexão trazida pela pesquisa IRG para a equipe do ex-juiz da Lava Jato é com um eventual segundo turno — desde que não seja com Requião Filho. Aliado ao PT, o pedetista, segundo o levantamento, seria derrotado: 54,5% contra 29%.

O que preocupa os moristas é um eventual segundo turno contra Sandro Alex. A leitura é que os petistas despejariam voto no candidato do PSD ante a ojeriza ao nome do senador. Cenário visto na eleição de 24 em Curitiba, quando o PT ajudou a eleger Eduardo Pimentel (PSD).

A simulação do IRG mostra um empate técnico entre eles, quando vinculado aos padrinhos políticos: 42,5% para Moro e 38,5% para Sandro Alex.

Para se ter uma ideia, a Quaest do mês de abril, quando Sandro Alex foi ungido pré-candidato, ele tinha 15% contra 51% de Moro num eventual segundo turno entre eles.

A missão dentro do time de Moro é liquidar a fatura já no 1º turno, o que alguns poucos institutos de pesquisa apontam para esta possibilidade.

Para o lado do Iguaçu e adjacências, a estratégia comandada por Jorge Gerez segue a mesma: colar Sandro Alex em Ratinho, intensificar a agenda conjunta pelo Paraná e contar com a ajuda de Alexandre Curi para convencer a prefeitada a entrar na campanha do “homem da infraestrutura”.

Metodologia

O instituto IRG entrevistou 1.000 pessoas entre os dias 10 e 13 de junho. O grau de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 3,1% para mais ou para menos. O levantamento está registrado junto a Justiça Eleitoral sob o número PR-07149/2026.

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