Coaf emitiu uma média de 56 relatórios de inteligência financeira por dia em 2025

Paraná foi o quinto estado do país que mais recebeu relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf no ano passado

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produziu uma média de 56 relatórios de inteligência financeira (RIFs) por dia ao longo de todo o ano de 2025. Foram feitos 20.548 RIFs — número que alcançou o recorde de comunicações suspeitas feitas pelo conselho.

Esses relatórios são usados para abastecer investigações criminais e, embora não sejam provas de ilícitos, fundamentam ou indicam normalmente linhas de investigação tanto por parte dos Ministérios Públicos Estadual e Federais como das polícias.

São documentos sigilosos com movimentações bancárias suspeitas ou atípicas que podem indicar possíveis crimes como lavagem de dinheiro e corrupção. O Coaf é vinculado ao Banco Central e analisa operações financeiras suspeitas comunicadas por setores obrigados a repassar dados como mercado imobiliário, financeiro, comércio de jóias, dentre outros.

A partir daí, quando houver indícios de crime, o órgão compartilha informações com autoridades investigativas.

Em 2025, segundo dados divulgados pelo próprio Coaf, houve um aumento de 20%, quando comparado com 2024, do número de comunicações de operações suspeitas. Foram 3,1 milhões comuncações feitas pelo órgão no ano passado.

Destas, 6% das comunicações de operações suspeitas foram distribuídas ao Paraná — o estado foi o quinto que mais recebeu RIFs, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Com relação às operações em espécie, ou seja, transações com dinheiro físico acima de R$ 100 mil, o Paraná recebeu 5,8% dos RIF’s produzidos — mantendo a quinta colocação atrás das mesmas unidades da federação.

O procedimento normal é membros dos MP’s, delegados de polícia e outras autoridades acessarem o Sistema Eletrônico de Intercâmbio (SEI-C) para registrar dados sobre pessoas investigadas, ilícitos e modo de cometimento desses crimes.

A partir daí, o Coaf faz uma verificação nos diferentes banco de dados internos. Havendo indícios de movimentações financeiras suspeitas dos alvos registrados pelo MP e polícias, os relatórios de inteligência são produzidos e repassados para as autoridades investigantes.

Existe, porém, uma discussão no Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade destes RIF’s — que por muitas vezes embasam investigações e ações penais.

Em 2019, o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão nacional de todos os processos que discutem a validade do uso de provas encontradas a partir de dados do COAF. Os casos envolviam situações em que o Ministério Público pediu relatórios financeiros sem autorização judicial ou abertura de um procedimento formal de investigação.

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