A disputa entre o Palácio Iguaçu e a turma de Sergio Moro (PL) por Rafael Greca (MDB) é tanta nos bastidores que fez, por um momento, o senador e pré-candidato ao Governo sair milimetricamente da estratégia desenhada por Marcelo Catani para criticar indiretamente, mesmo sem nominar, o governador Ratinho Junior. Tudo para explicitar o aceno ao emedebista.
Numa entrevista concedida ao Portal XV Curitiba, Moro foi direto quando questionado se aceitaria o Greca como vice.
“Olha, o Rafael Greca é um grande nome da política paranaense, fez gestões que são admiradas pela população aqui de Curitiba e é um grande técnico. Então, eu não trato esses assuntos a título especulativo. Agora, uma coisa que eu não faço, que a gente não faz no nosso jeito de fazer política, a gente nunca impede ninguém ou trabalha nos bastidores para tirar partido, tirar legenda. Se ele quer ser candidato, acho que ele deve ter todo o direito. E, é claro, se quiser conversar também, nós sempre estamos abertos a qualquer espécie de diálogo com o mundo político. E ele, de fato, é uma pessoa muito talentosa, um grande gestor, fez um grande trabalho aqui em Curitiba. Mas a gente não fica, acho que isso é deplorável na política, tentar ganhar no tapetão, tentar tirar as pessoas das suas legendas. Tentaram fazer isso comigo mais de uma vez, e eu sempre acho esse jogo lamentável. Então, não vem, acho que não cabe esse tipo de especulação, esse tipo de conversa também não se faz através da imprensa, se faz aí no tête-à-tête”
Quando novamente perguntado sobre as conversas com o ex-prefeito de Curitiba, Moro respondeu: “Olha, como eu te disse, esse é um tipo de assunto que a gente não trata pela imprensa, essa conversa é sempre pessoal. E acho que se houver uma construção nesse sentido, no momento próprio vai ser anunciado”.
As duas trincheiras sabem do peso político de Greca, principalmente, junto ao eleitorado de Curitiba e da região metropolitana. Com dois pré-candidatos de fora da capital, Moro, de Maringá, e Sandro Alex (PSD), de Ponta Grossa, os estrategistas tanto do PSD quanto do PL buscam reforços que tragam o voto no maior colégio eleitoral do Estado.
Por isso, os acenos e as investidas se intensificaram nas últimas 72 horas. A secretaria das Cidades, que fora prometida a Greca no segundo governo Ratinho e que não veio, está na mesa de negociação — assim como o cenário para a disputa das eleições municipais de 2028. No fim da tarde desta segunda-feira (27), o diretório estadual do MDB se reúne para tentar definir um rumo no pleito de outubro.
Eduardo Pimentel vai entrar esta semana em cena. Ele, que já disse publicamente que defende uma aliança entre Greca e Sandro Alex, está disposto a ser uma ponte entre o ex-prefeito e o governador Ratinho Junior.
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Se depender só de Rafael Greca ele será candidato ao Palácio Iguaçu, mesmo com segundos de tempo de rádio e TV e sem estrutura financeira que faça frente aos demais concorrentes. Decisão que passa pelo posicionamento do MDB do Paraná. E dependendo do tom e da forma como for tratado durante as conversas políticas, pode até se entrincheirar com Moro ou virar um entusiasta da candidatura do ex-juiz da Lava Jato.
Engana-se, portanto, quem pensa que a chapa de Sergio Moro está fechada. A entrevista do senador revela que há um espaço que pode ser negociado — apesar dele já ter anunciado o empresário e presidente licenciado da Fiep, Édson Vasconcelos, como vice. Para atrair Rafael Greca, Édson Vasconcelos pode mudar de status no QG morista.