O PSD fez a sua convenção neste sábado no salão do Paraná Clube para homologar os nomes de Sandro Alex, para disputar o governo do Estado, e do deputado Alexandre Curi (Republicanos) para o Senado Federal.
Muitos prefeitos, secretários de Estado, vereadores, lideranças, assim como centenas de servidores comissionados do Palácio Iguaçu e do Poder Legislativo — como toda e qualquer convenção do partido que está no comando do Executivo numa desorganização bastante organizada.
Nenhuma novidade também no material gráfico e de vídeo do “homem da infraestrutura” repetindo o visual de campanhas eleitorais passadas, como de Eduardo Pimentel em Curitiba, Tiago Amaral em Londrina e Renato Silva em Cascavel, no ano de 2024, além de Rafael Greca em 2020 e de reeleição de Ratinho em 22.
Aliás, o marqueteiro argentino Jorge Gerez, que conduziu as campanhas supracitadas, esteve no evento, discreto, com boné verde, óculos e casaco. Avesso aos holofotes, circulou pelos cantos entre um andar e outro do clube, evitando o salão central.
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No palco, se posicionaram algumas dezenas de deputados, secretários, dirigentes partidários, assessores especiais além, claro, das figuras centrais do evento. Os presidenciáveis Ronaldo Caiado e o vice Gilberto Kassab desembarcaram em Curitiba e daqui, segundo as palavras do timoneiro principal do PSD, deram o pontapé inicial para a campanha em todo o país. Neste domingo, em São Paulo, eles lançam a chapa puro sangue e Ratinho deve comparecer — para retribuir a gentileza.
Ratinho foi o mais ovacionado. Já Caiado, apesar do bom discurso, dando alfinetadas em Lula e Flávio Bolsonaro, se contrapondo à polarização, terá de contar com o empenho do governador do Paraná para desempenhar bem nas urnas. Os presentes pareciam estar vendo o ex-governador de Goiás pela primeira vez. Alguns nem sabem ainda que vai disputar a presidência da República.
Terminou dizendo que Sandro Alex será eleito no 1º turno na “maior virada eleitoral do país” — apesar de pouco provável, segundo as pesquisas de intenção de voto, é também o mantra que Jorge Gerez vem entoando no QG palaciano.
Alexandre Curi manteve a essência e a linhagem e foi quem fez o discurso mais político, elogiando nominalmente os dirigentes partidários que, na última semana, declararam apoio a Sandro Alex e ajudaram a engrossar o número de presentes — tanto no palco quanto no chão. Sem perder de vista, claro, a disputa pelo Senado, alfinetou, sem citar nomes, os três atuais senadores, dentre eles Sergio Moro. “Diferente do Ratinho, o Sandro Alex terá um senador para defender os interesses do Paraná em Brasília”.
A coringa de Ratinho
Foi o primeiro que, com o microfone, citou o nome de Cristina Graeml — a “coringa” de Ratinho que pode disputar a eleição de 26 tanto como vice quanto como candidata ao Senado. Aliás, no salão havia um banner com Sandro ao lado de Cristina como nas fotos de candidato e vice. Mas ela não teve direito a fala. Ela aguarda a decisão de Ratinho que, por sua vez, espera por um veredito de Rafael Greca (MDB).

Houve, no entanto, só um deslize. Apoiadores de Cristina estavam com bonés e camisetas com o nome dela, no entanto, na cor vermelha — mesmo tom do PT. Não passou desapercebido por alguns atentos observadores — inclusive foi tema de cochichos em cima do palco quando a família da jornalista, devidamente trajada, subiu ao palanque.
Há quem tenha visto contradições, como o fato de Cristina Graeml estar no mesmo palanque de Eduardo Pimentel, Ratinho, Curi e de Gilberto Kassab — todos alvos dela na campanha municipal de 24. E o contrário, também é verdadeiro.
Ratinho, no pronunciamento, fez uma espécie de retrospectiva bastante sucinta dos avanços após sete anos e meio de governo em diferentes áreas, ladeado pelo vice Darci Piana — que recebeu uma bonita e justa homenagem exibida nos telões. ” Querem matar o velhinho”, reagiu, arrancando gargalhadas dos presentes.
O governador afirmou que ele e o vice estão tomando o caminho de casa, mas que antes querem passar o bastão para Sandro Alex — momento em que rasgou elogios ao sucessor, enaltecendo, por exemplo, a construção da Ponte de Guaratuba. No final do discurso, a deputada Cloara Pinheiro alcançou um bastão para Ratinho que repassou ao “homem da infraestrutura”, numa imagem captada pelos fotógrafos e coinegrafistas das campanhas.
Estocadas
Já passava de 13h, quando o “homem da infraestrutura” foi chamado pelo sempre animado coordenador do cerimonial do Palácio, Daniel Waldrigues, para o pronunciamento, ombreado pela esposa e os três filhos. Por conta do horário, muitas pessoas já deixavam o salão do Paraná Clube, inclusive secretários de Estado e pessoas do Porto de Paranaguá — autarquia vinculada a Infraestrutura e Logística, pasta comandada até abril por Sandro Alex.
Agradeceu, e muito, ao governador Ratinho Junior — seu principal avalista na corrida pelo Iguaçu. Fez questão de exaltar também Alexandre Curi — a quem atribui a chance de em 26 disputar o Palácio Iguaçu, já que o principal nome do governador para a função era Guto Silva. Aliás, alguns assessores do ex-secretário das Cidades foram vistos perambulando pelo salão do Paraná Clube. Guto, por sua vez, segue distante.
Sandro, por óbvio, mirou Sergio Moro — se contrapondo ao senador afirmando, por exemplo, que “enquanto alguns políticos escolhiam São Paulo, nós estávamos aqui”. Foi apenas uma das estocadas.
Todos os oradores, exceto os “forasteiros” Kassab e Caiado, convergiram para o mantra dito e repetido: Unidos e em Paz. Que será complementado na campanha pelos dizeres “Retroceder Jamais”.
Por parte do PSD, foi dada a largada. Mas ainda faltam definições. Quem será a ou o vice de Sandro Alex? E a segunda cadeira ao Senado na chapa do PSD? São perguntas que nem Ratinho Junior, o maior líder político do Estado, consegue responder. E estas definições passam, invariavelmente hoje, por Rafael Greca e o MDB.