Movimento da Federação pró-Sandro pressiona Podemos e MDB

Isolado, o MDB de Greca terá de decidir se disputa ou não o governo, enquanto o Podemos de Francischini sofre pressão do Iguaçu e do PL de Moro

A decisão da Federação União Progressista de apoiar a pré-candidatura de Sandro Alex (PSD) ao governo do Estado conjugado com o período das definições eleitorais pressionam partidos aliados e adversários na corrida eleitoral a se movimentarem.

É inegável que a chegada do União Brasil e do PP na trincheira do partido do governador Ratinho Junior é uma vitória política. E das grandes.

Embora toda a costura política e o processo de convencimento fora feito por atores políticos que não dão expediente no Palácio Iguaçu. Se dependesse apenas dos palacianos…

No fim das contas, após reuniões tensas que indicavam que os partidos caminhariam para campos opostos, o acordo foi selado e bastante comemorado — principalmente, pela ala governista. E, nos bastidores, pelo marqueteiro argentino Jorge Gerez.

O encontro na sede do PP ontem (22) foi apenas para os registros fotográficos e para anunciar a boa nova à imprensa. E, claro, para reafirmar o mantra do “Unidos e em Paz” que começava a ser questionado. Mas também um recado aos adversários e aos aliados que ainda desconfiam do desempenho eleitoral do pré-candidato do PSD.

A convenção de sábado do PSD ganha força, agora com Republicanos e Federação, e contornos mais próximos do que havia sido planejado pelo Iguaçu.

O passo e o peso

O ganho de musculatura cria, invariavelmente, pressão em outros partidos aliados que estavam em cima do muro observando os movimentos políticos. O passo e o peso da Federação em direção a Sandro Alex, além de criar um fato político positivo, avaliza a decisão de outras legendas.

O Avante, por exemplo, de Alex Canziani está, agora, com os dois pés na trincheira do governo. A Federação PSDB/Cidadania de Beto Richa se aproxima pelas mãos de Alexandre Curi.

Mas há ainda algumas incertezas com relação a dois especiais aliados: o MDB e Podemos, que sim, estão sofrendo pressões internas e externas. Vamos a elas.

A notícia do acerto da Federação com o PSD de Sandro Alex chegou a Rafael Greca ontem através de um telefonema com o respeito e a preocupação para que o ex-prefeito não soubesse pela imprensa.

Greca não reagiu bem. Também pudera. Um dia antes, Greca estava na casa de Antônio Rueda em São Paulo conversando sobre aliança no Paraná. O acerto com o PSD lhe pegou de surpresa.

E aí Greca?

No início da noite de ontem, mais calmo, Greca recorreu ao filósofo espanhol José Ortega y Gasset para descrever ao Blog Politicamente o movimento político da Federação União Progressista: “o homem é o homem e a sua circunstância”.

Teve gente do QG de Greca, no entanto, que teve reação mais viceral — apesar da boa relação com a família Barros. O contexto político que se impõe ao MDB de Greca é de isolamento político.

Com tempo de rádio e TV limitado a 59 segundos e com fundo partidário restrito, emedebistas se dividem sobre o rumo eleitoral em 2026.

Uma ala, mais governista, defende um acerto com Sandro Alex. Do Palácio Iguaçu já partiram convites distintos: para Greca ser vice do “homem da infraestrutura”, o que sempre foi rechaçado pelo ex-prefeito de Curitiba, e a Alvaro Dias para ocupar a vice ou candidato ao Senado.

E aí Alvaro?

Com 81 anos, Alvaro já externou que não gostaria de encerrar a carreira política como vice-governador. Nada contra a honrosa função, mas não seria uma despedida à altura de um ex-governador do Estado e de um senador de quatro mandatos. Mas externou que com apoio de Ratinho topa o desafio de retornar à Casa Alta.

Pré-candidatos do MDB, no entanto, temem que o acerto com o Palácio comprometa o desempenho eleitoral. O que Baleia Rossi, presidente nacional da legenda, não quer nem ouvir falar. Em Brasília, a meta é eleger bancada federal. Por isso, defendem a candidatura de Greca: contra tudo e contra todos.

A leitura é a seguinte: o MDB corre risco de perder cadeiras na Assembleia Legislativa e também na Câmara Federal se Rafael Greca não disputar o governo do Paraná.

Nos próximos dias, o ex-prefeito deve tomar a decisão sobre a candidatura ao Governo. Diferente da Federação, cujo foco era o tempo de rádio e TV, com o MDB, Ratinho quer Rafael Greca — dono de um capital político em Curitiba.

Os tracking`s indicam hoje uma dificuldade eleitoral de Sandro Alex na capital. Nada melhor do que ter Rafael Greca e Eduardo Pimentel correndo os bairros de Curitiba em busca dos votos. Sem falar, que Greca na chapa preserva a relação com o atual prefeito.

Pode sobrar para Cristina

Neste desenho, haveria efeito colateral: Cristina Graeml. Uma fonte do Iguaçu conta que se Rafael Greca topar a vice, Cristina não teria mais espaço na chapa — já que o Republicanos ameaça romper com o PSD se a jornalista for escalada para a segunda vaga ao Senado.

E perder Alexandre Curi significa romper muitos compromissos firmados com partidos aliados. Seria um plot twist e tanto no tabuleiro eleitoral.

Se com o MDB pairam dúvidas, com o Podemos a conversa está bem mais adiantada, mas com uma dose cavalar de pessimismo. Felipe Francischini, que comanda o partido no Paraná, já está apalavrado com Sergio Moro. E acaba sendo pressionado também pelo time de Moro para assumir a trincheira do PL/Novo.

Pressão pelo Podemos

Inconformado, Ratinho recorreu ao antigo aliado dos tempos do PSC, Pastor Everaldo, para puxar o Podemos para o PSD. Mais do que o tempo de rádio e TV, o governador trata a negociação como uma “questão de honra”. Julga ter atendido muito bem o Podemos e também Felipe Francischini nos dois governos.

A ideia de trazer Francischini para a campanha de Sandro Alex parece já ser página virada. O que Ratinho busca é o Podemos.

Todas as negociações foram aceleradas por conta do período de convenços e o cenário do período da manhã pode mudar completamente à tarde. Aliados podem virar rapidamente adversários políticos. E o contrário também é verdadeiro.

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