O clima já entrou na campanha e o Blog Politicamente mostra quem levou o guarda-chuva, quem trouxe plano e quem nem olhou para a previsão do tempo.
O Paraná sabe que o tema importa: chuva demais alaga cidades e atrasa lavouras. Chuva de menos aperta reservatórios e encarece a produção. Em 2026, há um detalhe que deveria estar em letras grandes nos planos: o El Niño.
A semana começou com reflexos do fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
O curioso é que nenhum dos oito candidatos nos seus planos analisados cita esse fenômeno climático. Ele chegou à sala; a aula começou e ninguém o chamou pelo nome. Foi para separar política climática de decoração verde que o Blog Politicamente comparou os documentos oficiais dos oito candidatos e confrontou as propostas com dados da Defesa Civil, Simepar, IAT e IDR-Paraná.
O benefício é simples: o eleitor vê quem trata clima como política pública e quem ainda o deixa na categoria “assunto para quando chover”. A equipe do Blog Politicamente comparou prevenção, água, agricultura, enchentes, defesa civil, cidades e adaptação.
O que os candidatos pensam?
É análise documental. Onde o plano não fala, o Politicamente registra e não inventa. Na prevenção de desastres, Sandro Alex (PSD) reúne mapas de risco, monitoramento hidrológico e preparação para secas, enchentes e ondas de calor.
O candidato do PL, Sergio Moro, segue linha parecida, com o “Paraná Resiliente”, monitoramento climático, drenagem urbana e força de pronta resposta.
Requião Filho, do PDT, é um dos mais diretos e concisos: plano climático para secas, enchentes, deslizamentos e perdas produtivas.
Samuel de Mattos (PSTU) leva o tema ao controle comunitário, com planos anticrise, rotas de fuga, abrigos e comitês populares.
Na agricultura, Requião Filho responde com seguro, manejo de solo e água, irrigação eficiente, alertas e adaptação climática.
Moro fala em ampliar a resiliência climática da agropecuária. Sandro conecta clima a estradas rurais resistentes a chuvas intensas, energia, segurança hídrica e resposta a secas. Já Samuel de Mattos vai pelo viés da agroecologia e da redução de agrotóxicos.
Nas cidades e na água, o candidato do PSD discute drenagem, recuperação de rios, reúso e sistemas preditivos para secas e cheias. O pedetista propõe jardins de chuva, parques inundáveis, proteção de mananciais e saneamento.
O candidato do PL aposta em drenagem, adaptação climática e proteção do abastecimento hídrico.
O partido político Unidade Popular aparece mais pela mobilidade e redução de emissões, com transporte público estatal e menor dependência do carro. E o grupo político Missão, do candidato Luiz França, trata proteção ambiental, drenagem e recuperação territorial, mas conversa pouco sobre clima.
Fato esse que ocorre também no plano do candidato do Mobiliza, de Alexandre Salomão, e o PCO, de Adriano Teixeira, que quase nada oferecem sobre adaptação climática concreta no Paraná.
Em um estado em que o Litoral do Estado sofre com deslizamentos, enxurradas secas, e perdas agrícolas, silêncio também é informação. A capital paranaense, Curitiba, acaba de oferecer uma aula prática sobre o clima.
Wakeboard no Barigui
Após fortes chuvas, áreas de circulação do Parque Barigui ficaram tomadas pela água. Alguns jovens resolveram transformar o alagamento em pista de wakeboard. A Prefs precisou fazer alertas de que aquilo não era uma filial temporária de Caiobá: a prática é proibida e água acumulada poderia ser danosa a saúde.
Mas o episódio revelou algo mais importante que o esporte improvisado. Parque alagado nem sempre significa parque que deu errado. Quando os rios sobem, essas áreas recebem parte da água, armazenam o excesso e reduzem sua velocidade antes que ele alcance bairros e residências.
É infraestrutura verde fazendo um serviço que nenhuma placa de “não entre” conseguiria fazer sozinha. Em política climática plantar árvore rende fotografia; manter drenagem funcionando é o que evita que o carro boiando apareça nela.
O custo de ignorar essas informações pode chegar na lavoura perdida, na ponte interditada, no bairro alagado ou na conta de reconstrução. Também aparece quando a cidade troca solo capaz de absorver água por concreto e depois descobre, durante o temporal, que a natureza não parcela a fatura.
Por isso, a pesquisa entrega algo que promessa de campanha não oferece: comparação antes da emergência.
Alerta: o clima não é capítulo ambiental isolado No Paraná, Aele mexe com agricultura, moradia, saúde, água, estradas, parques e orçamento. Área verde não é apenas lugar para capivara, caminhada e foto de domingo.
Em uma tempestade, ela pode ser parte da infraestrutura que impede a água de chegar à casa de alguém. E o próximo governador do Estado poderá até negociar com a oposição. Até porque com o El Nino não há interlocução.