A mais recente pesquisa de intenção de voto para o Governo do Paraná, divulgada nesta quarta-feira (6) pelo instituto Veritá, animou o Palácio Iguaçu e, ao mesmo tempo, com ainda mais intensidade, o QG do senador Sergio Moro (PL).
Enquanto o ex-juiz da Lava Jato comemora o porcentual de 58,6% em um dos cenários testados pela Veritá, índice que liquidaria a disputa no 1º turno, palacianos e estrategistas do governo viram com bons olhos os 9,6% alcançados por Sandro Alex — o “homem da Ponte de Guaratuba”, da “Infraestrutura”, escolhido por Ratinho Junior para sucedê-lo.
O primeiro teste de Sandro Alex, na pesquisa Genial/Quaest, o colocou com 6% no melhor quadro. Agora, os atuais 9,6% na Veritá — que já captou um pouco dos efeitos midiáticos da inauguração da Ponte de Guaratuba. Continuar crescendo nas próximas sondagens é o desafio imposto ao marqueteiro argentino Jorge Gerez.
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Comemorações no Iguaçu e no QG de Moro e luz amarela na chácara São Rafael das Laranjeiras e no escritório de advogacia de Giovani Gionédis. O levantamento traz Rafael Greca com 9,8% — empatado tecnicamente com o pré-candidato de Ratinho.
A perda de musculatura pode abrir as portas do MDB para conversas com Ratinho Junior e seus emissários que não desistiram da ideia de uma composição do PSD com os emedebistas. Dentro da estratégia palaciana, Greca seria o vice ideal de Sandro Alex, porque traria o voto da capital para a chapa.
Mas o ex-prefeito diz e repete como um mantra que não tem pretensão de abrir mão da candidatura. O Iguaçu vai aguardar outras sondagens para “dar o bote”. Se o movimento de queda se acentuar, governistas vão intensificar as negociações pela composição, principalmente através dos emedebistas palacianos.
É exatamente a mesma estratégia que Requião Filho (PDT) parece adotar. Esperar um momento de fragilidade eleitoral do ex-prefeito para atraí-lo para a chapa. O pedetista, aliás, se manteve no patamar eleitoral. Na Veritá apareceu com 20% das intenções de voto — isolado na vice-liderança.
Moro e Greca
Os desempenhos de Greca e de Moro dão sinais de uma relação direta, ou seja, o senador pode estar se beneficiando da queda do ex-prefeito de Curitiba na pesquisa de intenção de voto. O que coloca uma interrogação na estratégia inicialmente desenhada por Ratinho de atrair Greca para a vice de Sandro Alex.
Tirar o ex-prefeito de Curitiba da corrida eleitoral, como cabeça de chapa, pode significar a vitória de Sergio Moro já no dia 4 de outubro. É o que dizem as pesquisas. A menos que, Sandro Alex mantenha a curva de crescimento nas próximas sondagens eleitorais.
Se em abril, na pesquisa AtlasIntel, o ex-juiz da Lava Jato tinha 52,8% no melhor cenário, a cinco meses do pleito o porcentual na Veritá foi a 58,6%.
Mais do que a chancela de Flávio Bolsonaro, Moro tem adotado nesta pré-campanha a estratégia vitoriosa de 2022 ao Senado — desenhada cuidadosamente pelo marqueteiro Marcelo Catani.
O senador evita embates e críticas diretas a Ratinho Junior, dono de uma aprovação de 80% da gestão, e não se coloca como oposição ao Iguaçu. E sempre que pode, dá sinais públicos de que o inimigo é a esquerda e nunca o governo estadual.
Se esquiva, por exemplo, de responder duramente às insinuações de Ratinho de que o Paraná “está fraco de senadores” sem fulanizar.
Foi assim que Moro chegou a Câmara Alta. Com o mesmo marqueteiro e posicionamento. Pelo menos neste período de pré-campanha.
Metodologias
Pesquisa Veritá ouviu 2.010 eleitores entre os dias 29 de abril e 03 de maio. A margem de erro é de 2,5% para mais ou para menos e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento está registrado junto ao TRE como PR-06944/2026.
A Genial/Quaest ouviu 1.104 eleitores entre os dias 21 e 25 de abril. A pesquisa, registrada sob o número PR-02588/2026, tem margem de erro de 3% para mais ou para menos e com o nível de confiança de 95%.
A pesquisa AtlasIntel, registrada no TSE sob o número BR-05315/2026, ouviu 1254 eleitores entre os dias 25 e 30 de março. O levantamento eleitoral tem confiança estimada em 95% e uma margem de erro de 3% para mais ou para menos.