Pesquisa Quaest dá banho de água fria nos candidatos ao Palácio Iguaçu

A Quaest não veio como nenhum dos principais concorrentes ao Palácio Iguaçu esperavam e/ou gostariam. Foi um banho de água fria geral
Foto: Imagem feita com IA
Foto: Imagem feita com IA

A verdade é que a pesquisa Quaest, contratada pela afiliada da Rede Globo no Paraná e divulgada nesta quinta-feira (24), não veio como nenhum dos principais concorrentes ao Palácio Iguaçu esperavam e/ou gostariam. Foi um banho de água fria geral.

Sergio Moro, que trabalha para liquidar a fatura no 1º turno, apareceu com 36% das intenções de voto no cenário estimulado — ele lidera a corrida eleitoral, porém, sem a margem para pensar em vitória no 4 de outubro. O “copo meio cheio” foi o crescimento de 61% na pesquisa espontânea — indo de 13% no final de agosto para os atuais 21%. Outro fator comemorado foi o potencial de voto: 53% disseram que conhecem Moro e poderia votar no ex-juiz da Lava Jato.

Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) vieram empatados na Quaest com 20% cada. Na espontânea cresceram 57% e 125%, respectivamente. O candidato do PDT subiu de 7% para 11% e Sandro Alex foi de 4% para os atuais 9%. O primeiro tem, segundo a Quaest, potencial de crescimento de 36% enquanto o “homem da infraestrutura” de Ratinho Junior 34%.

Neste panorama, da pesquisa estimulada, a disputa pelo Governo do Paraná seria decidida no 2º turno — com uma vaga assegurada ao candidato do PL e a outra sendo disputada a tapa. Num salve-se quem puder.

A Quaest simulou cenários de 2º turno, com vantagem para o ex-juiz da Lava Jato. Moro venceria Sandro Alex por 43% a 29% e também Requião Filho pelo placar de 48% a 32%. Estas simulações, no final de agosto eram mais vantajosas ao candidato do PL. Na pesquisa feita em 24 de agosto, Moro tinha 48% contra 19% num eventual segundo turno contra Sandro Alex; e 51% contra 27% do pedetista. A diferença para ambos diminuiu.

Reações

O pedetista acredita performar melhor do que os dados trazidos nesta quinta pela Quaest. Ele diz ter certeza que está à frente de Sandro Alex. “Não foi boa para a gente”, resumiu um petista ligado à campanha de Requião Filho.

Já Sandro Alex, o “tocador de obras” de Ratinho, comemorou publicamente o desempenho na pesquisa Quaest, a mesma que dias antes tentou impedir a divulgação na Justiça Eleitoral. Talvez, o motivo do contentamente, foi pelo fato da realidade da sondagem ter superado a expectativa.

De fato, o candidato do Iguaçu foi o único que cresceu na mais recente rodada da Quaest. Se no fim de agosto tinha 15%, agora são 20%. Já seus adversários… Moro e Requião Filho caíram 1%. Teve gente da campanha do 55 lembrando que a diferença entre Moro e Sandro que já foi de 22 pontos na Quaest agora está em 16.

Mas este otimismo não foi unanimidade. Tanto no QG da Batel quanto no do Jardim Social, a reação com a divulgação da Quaest não foi lá “essas coisas”.Uma boa fonte da campanha conta que esperava-se mais.

“A verdade é que a 10 dias da eleição estamos empatados com o candidato da esquerda. É motivo para comemorar? Temos o Juninho (Ratinho Junior) com 80% de aprovação,  Ratinho pai, o Eduardo Pimentel com 74% de aprovação e quase 300 prefeitos apoiando. Carreatas. Coligação e tempo de TV enormes. E estamos empatados com o PT. É preciso fazer uma reflexão. E mudar muita coisa para o 2º turno”, desabafou.

Dá tempo para sonhar

Apesar de estarmos a 10 dias do pleito. Há margem e tempo de campanha para que Moro, Requião Filho e Sandro Alex tenham melhor sorte e alcancem suas metas até 4/10. E a Quaest deve servir como injeção de ânimo nas três campanhas. O foco serão os indecisos e os 36% do eleitorado que disseram à Quaest que ainda podem mudar o voto até o domingo das eleições. Outros 64% afirmaram que a escolha do candidato é definitiva.

A perspectiva dentro da campanha do PSD é que a prefeitada, os deputados e aliados vão entrar em campo nesta última semana para que Sandro Alex ultrapasse Requião Filho e chegue ao 2º turno. Os dados da Quaest alimentam esta teoria. “As máquinas agora vão ter que mostrar a força”, afirmou um palaciano, citando as estruturas do Iguaçu, Assembleia Legislativa e as prefeituras da capital e do interior.

Requião Filho, por sua vez, vai apostar nas carreatas nos grandes centros urbanos e no desempenho no debate da RPC, marcado para a próxima terça-feira (29). Aliás, será uma oportunidade de ouro tanto para o pedetista quanto para Sandro Alex duelarem para, quem sabe, carimbarem o passaporte para o 2º turno, já que Sergio Moro deve, novamente, se ausentar.

A torcida no QG da Cândido de Abreu é que os adversários se engalfinhem e ambos percam votos. Paralelamente, a ordem emanada agora pelo marqueteiro Marcelo Catani é colar Moro em Flávio Bolsonaro e na televisão confrontar as biografias do ex-juiz da Lava Jato com a dos adversários e apresentando soluções aos paranaenses para os problemas de saúde e violência.

As estratégias e os dados da Quaest estão postos. Novas pesquisas estão por vir nos próximos dias. Cada uma com sua metodologia, preços e propósitos. A que vale mesmo é no dia 4 de outubro, quando os mais de 8,4 milhões de paranaenses vão às urnas.

Metodologia

O levantamento foi encomendado pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, e ouviu 804 eleitores entre os dias 20 a 23 de setembro. A margem de erro é de 3% para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95% e a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número PR-02802/26.