A sondagem eleitoral com a disputa pelo governo do Estado e com a corrida pelas duas vagas ao Senado Federal, divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Paraná Pesquisa, provocou reações diferentes no Centro Cívico e, ao mesmo tempo, ressuscitou politicamente o ex-senador Osmar Dias que nos últimos anos esteve afastado dos holofotes com dedicação quase exclusiva para a vida bucólica na fazenda.
Restrita aos eleitores curitibanos, o time de Murilo Hidalgo foi a campo entre os dias 07 e 11 de agosto e trouxe um retrato sobre o cenário para 2026. De largada, é imperioso ressaltar o distanciamento da população com as eleições gerais de 2026. Isso fica bastante nítido nos porcentuais de pessoas que responderam, na pesquisa espontânea, não saber em quem votar: 78% ao governo e 87,6% ao Senado.
Quando o nome dos possíveis candidatos são apresentados ao curitibanos entrevistados, o cenário se repete nos três panoramas desenhados na corrida pelo Palácio Iguaçu. A ordem não muda: o senador Sergio Moro (União Brasil) lidera nos três cenários, seguido de Requião Filho (PDT), Paulo Martins (Novo), do candidato do PSD, independentemente de quem seja, e pelo petista Ênio Verri.
Moro segue inquieto com a turbulência e a falta de clareza dentro do próprio partido. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, atua como um lobo solitário rodeado de alguns correligionários. O senador deposita em Davi Alcolumbre, presidente do Senado, as esperanças para contar com o União Brasil. Há quem diga que conversas com outros partidos estão em curso, mas até agora sem sucesso.
PSD na 4ª posição
A quarta colocação do representante do PSD, partido de Ratinho Junior, que segundo o mesmo instituto tem aprovação de 80% na capital, chama a atenção. Assim como a ausência do nome do ex-prefeito Rafael Greca como opção no PSD.
Dentro da legenda comandada por Ratinho, Alexandre Curi é quem tem o melhor desempenho: 9,2%. Darci Piana aparece com 4,2% e Guto Silva com 3,1%. A expectativa é que com a entrada do governador em campo o candidato do governo suba nas sondagens eleitorais. Não agora, porque a leitura que se faz hoje é que se Ratinho escolher o sucessor agora, o grupo PSD racha. E não teria cola capaz de juntar os cacos.
Mas comenta-se nos bastidores, que parte da turma de Jandaia do Sul e algumas peças estratégicas do Iguaçu já se movimentam em torno da pré-candidatura do Secretário das Cidades — apesar de alguns torcerem o nariz.
Um dos que teria sido convocado é Eduardo Bekin, que recebeu a missão de “encostar em Guto”. O ex-secretário de Comunicação, o competente jornalista Hudson José, também já foi destacado, com a bênção de Cleber Mata, para trabalhar com o secretário das Cidades. E vai, aos poucos, se formando o núcleo duro do GS.
Logo acima do PSD, veio a figura do mais recente “soldado” do Novo, o vice-prefeito de Curitiba Paulo Martins. “Jogando em casa”, ele ficou em média nos 14% — contra os 40% de Moro. Se a estratégia do Palácio for escalar o vice-prefeito da capital para desidratar o ex-juiz da Lava Jato é preciso ajuda do próprio PSD que parece não decolar sem o padrinho Ratinho.
Novo com Paulo, sem Deltan
O desempenho de Paulo Martins agradou Lucas Santos que, quietinho, vem montando uma boa chapa do Novo para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa. Dentro do Novo, no entanto, até o mais recente filiado sabe que a candidatura do vice-prefeito de Curitiba depende do aval e da estratégia de Ratinho. O que deixou a turma do Novo descontente, foi a ausência de Deltan Dallagnol dos cenários para o Senado.
Quem soltou fogos de artifício logo pela manhã foi o deputado estadual Requião Filho, que já se coloca como a “principal alternativa à possível candidatura de Sergio Moro” na corrida pelo governo. Muitos no Centro Cívico atribuem os 25% na pesquisa ao recall em alusão ao ex-governador Roberto Requião. Mas, nas rodinhas de conversa já tem gente que avalia um crescimento deste recall.
Estampidos também foram ouvidos na chácara da Região Metropolitana onde mora Cristina Graeml após a divulgação da pesquisa. A pré-candidata do Podemos aparece bem ranqueada na corrida por uma vaga ao Senado. No melhor panorama, a jornalista aparece com 39,5%, ficando atrás somente de Ratinho Junior que deseja disputar a presidência da República e não uma cadeira na Câmara Alta.
Os federais Filipe Barros e Zeca Dirceu, que têm como padrinhos Jair Bolsonaro e Lula, respectivamente, já viram pesquisas eleitorais mais animadoras.
A volta?
Agora talvez só uma pessoa tenha ficado mais animada que Cristina Graeml e Requião Filho com o resultado da pesquisa de Murilo Hidalgo: Osmar Dias. Afastado da política desde 2018, quando abriu mão da disputa pelo governo mesmo quando as sondagens eleitorais lhe davam a ponta, o agora fazendeiro estaria disposto à voltar para a cidade grande e, quem sabe, até disputar novamente o Senado Federal.
O nome dele foi testado junto aos curitibanos e o desempenho foi considerado ótimo para quem “vive no mato” há quase 8 anos. Osmar chegou a pontuar 36,7% num dos cenários. Uma pessoa próxima a ele conta que não está descartada um retorno ao cenário político. Seria o retorno dos Dias? O irmão mais velho, Alvaro, já comenta nos bastidores a mesma disposição.
Com bom desempenho e sem partido, o telefone de Osmar Dias deve ter tocado nesta terça-feira. Isso se o sinal pegar bem na fazenda do ex-senador.