O celular do agora ex-assessor da Casa Civil e ex-prefeito da cidade de Goioerê, Luiz Roberto Costa, foi um dos itens apreendidos por policiais e promotores do Gaeco nesta sexta-feira (15) durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão autorizados pela justiça no âmbito da operação Enigma. Ele foi exonerado do cargo na Casa Civil logo depois da ação do Gaeco.
Até aí, nenhuma novidade. O que causou espanto em alguns palacianos foi a informação de que o celular de Beto Costa foi entregue às autoridades desbloqueado — o que foi confirmado pelo Blog Politicamente junto à uma fonte ligada à investigação. Ou seja, os investigadores tem pleno acesso a todo o conteúdo do aparelho telefônico do ex-assessor — o que acelera o processo de análise do material apreendido.
Há uma certa preocupação no Centro Cívico já que Beto Costa não era um assessor qualquer. Ele chegou a assumir de forma interina a secretaria de Turismo do Paraná e estava cotado para comandar a poderosa secretaria de Agricultura no lugar de Márcio Nunes, que deixou a função em abril para disputar a eleição em outubro.
Aliás, cita uma fonte do Politicamente, o deputado estadual Márcio Nunes e Beto Costa são muito próximos.
O Gaeco cumpriu mandados de busca na residência do ex-assessor da Casa Civil e apreendeu um veículo de luxo — além de outros automóveis que foram bloqueados judicialmente por determinação da Justiça, entre elas uma BMW X1.
Além da casa de Beto Costa, os promotores estiveram em duas fazendas do ex-prefeito, a Ipê e a 3 Árvores, e ainda cumpriram buscas numa imobiliária e dois escritórios de contabilidade ligados a ele. Um apartamento em Balneário Camboriú também foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido por policiais do Gaeco de Santa Catarina que deram apoio à operação.
Denúncia anônima
A investigação teve início em 2023 após uma denúncia anônima feita na promotoria da cidade de Goioerê. O caso acabou remetido para o Gaeco de Umuarama que passou a investigar a suspeita de crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e sonegação fiscal envolvendo Beto Costa.
Ao longo da investigação, a Justiça autorizou a quebra dos sigilo bancário e fiscal do ex-prefeito da cidade e das empresas ligadas a ele. Foi a partir de dados bancários é que o Gaeco observou movimentações suspeitas que embasaram a deflagração da operação Enigma.
Um dos indícios que chamou a atenção do Gaeco foi a evolução patrimonial considerada incompatível com as fontes lícitas de renda do assessor da Casa Civil.
De acordo com o Gaeco, Beto Costa teria recebido R$ 5,7 milhões de origens não identificadas, sendo quase R$ 1 milhão em dinheiro vivo. E ainda teria realizado saques em dinheiro e por meio de cheques que totalizam R$ 11,9 milhões — igualmente sem identificação de destinatários.
Logo depois da deflagração da fase ostensiva da investigação, a juíza substituta Linckse Bianca Oliveira Ramires, da Vara Criminal de Goioerê, autorizou o acesso aos advogados dos alvos da ação policial.
A magistrada ainda baixou o nível de sigilo do caso de absoluto para médio por conta dos dados privados obtidos durante o cumprimento das medidas cautelares que estão cobertas pelo sigilo legal e constitucional.
Outro lado
O Blog Politicamente procurou o advogado Wanderson Moreira Eliziario que representa o ex-assessor e ex-prefeito de Goioerê, Beto Costa, mas ele não atendeu a ligação. O espaço segue aberto.