Em depoimento, vereador flagrado recebendo dinheiro diz que fez empréstimo de R$ 12 mil para funcionária

Lórens Nogueira afirmou aos promotores que por amizade resolveu emprestar R$ 12 mil em dinheiro para ela -- de forma fracionada -- e passou a cobrar o pagamento

O vereador de Curitiba, Lórens Nogueira, rompeu o silêncio e, em depoimento a promotores do Gaeco, apresentou suas explicações sobre o vídeo em que ele é flagrado recebendo dinheiro de uma funcionária pública.

Lórens foi alvo de uma operação do Gaeco, que apurava o crime de “rachadinha”, e ontem (10) foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná pelo crime de concussão, que é quando um funcionário público exige vantagem indevida para si ou para outrem. O MP chegou a pedir o afastamento dele das atividades na Câmara de Vereadores de Curitiba.

A Justiça recebeu a denúncia e tornou Lórens Noguiera réu em ação criminal por concussão. O juiz deu 10 dias para que a defesa do parlamentar responda à acusação e também ao pedido de afastamento feito pelos promotores do Gaeco.

Em depoimento, Lórens afirmou que fez um empréstimo de R$ 12 mil para ajudar a funcionária e que o dinheiro que ele recebe, mostrado na gravação, é a primeira parte do pagamento. Este empréstimo teria sido feito em espécie, em dinheiro vivo.

Ele relata aos promotores que a servidora passava por problemas financeiros, uma situação delicada, e por amizade resolveu emprestar R$ 12 mil em dinheiro para ela — de forma fracionada. A partir daí, passou a fazer cobranças do pagamento.

Na filmagem, feita pela funcionária com ciência do Gaeco e da Justiça, através de uma ação controlada, ela entrega R$ 5,6 mil ao vereador Lórens Nogueira. Em nenhum momento do vídeo fala-se em empréstimo. Estes R$ 5,6 mil seriam a primeira parte do pagamento, segundo depoimento do parlamentar. Ele disse que resolveu ajudar porque ele conhecia a família dela.

Ao ser questionado sobre o motivo pelo qual a funcionária fez uma denúncia no Gaeco relatando a prática de “rachadinha”, Lórens Nogueira afirmou que ele acha que seria uma alternativa dela se livrar dos compromissoes financeiros — e que teriam outros credores.

“Não consigo entender. É uma forma que ela achou para se livrar dos compromissos”.

Já com relação ao dinheiro em espécie apreendido em endereços ligados a ele, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, o vereador afirmou que os pouco mais de R$ 100 mil apreendidos, em malas, mochilas e envelopes, são economias feitas ao longo da vida profissional.

Inclusive afirmou em depoimento que declarou à Receita Federal que matinha dinheiro em espécie guardado em casa.

O Blog Politicamente apurou que na eleição de 2024, quando ele se elegeu vereador, de fato a declaração de bens feita à Justiça Eleitoral consta a informação de um saldo em espécie no valor de R$ 150 mil.

Ao mesmo tempo, o Gaeco apreendeu dois comprovantes de depósito na conta do parlamentar — um no valor de R$ 100 mil e outro de R$ 80 mil.

As explicações parecem que não convenceram os promotores do Gaeco que apresentaram denúncia por crime de concussão contra Lórens Nogueira — que antes da operação policial respondia pela presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba — órgão que atua pela preservação da dignidade do mandato dos vereadores. Após a ação policial, ele deixou o cargo.

Paralelamente ao processo criminal na Justiça, o vereador Lórens Nogueira ainda enfrenta um processo de cassação do mandato no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Curitiba.

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