Depois de proibir Sergio Moro (PL) de vincular a imagem dele a do governador Ratinho Junior, como se fossem aliados políticos, agora foi a vez de Sandro Alex (PSD) sofrer do mesmo mal. Decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) determinou que o candidato do PL suspenda e remova, em 24 horas, postagens nas redes sociais em que aparece a imagem dele ao lado de Jair Bolsonaro.
A ordem judicial, da desembargadora eleitoral Sandra Bauerman, ainda obriga a campanha de Sandro Alex a recolher e substituir as inserções e propagandas políticas que trazem a imagem de Bolsonaro. O comercial questionado, que agora terá de ser retirado sob pena de multa diária, diz que Sandro Alex é um dos poucos políticos no Paraná “que sempre esteve ao lado do Jair”, que os dois sempre “estiveram na mesma trincheira”.
No vídeo, são exibidas imagens de Sandro Alex com Bolsonaro, acompanhadas do número de urna e pedido de voto. A juíza cita na decisão, a que o Blog Politicamente teve acesso, que a ilicitude reside na ideia de “uma aliança eleitoral presente e inexistente”.
A peça publicitária foi juntada pela equipe jurídica de Sergio Moro, na ação proposta no TRE, argumentando que a tentativa do marqueteiro de Sandro Alex , de vincular a imagem com a de Jair Bolsonaro “revela descontextualização grave capaz de induzir o eleitorado a erro em grau suficiente para justificar a imediata suspensão das divulgações”.
“Ao estampar o número 55 diretamente sobre a imagem da liderança nacional, ex-Presidente Jair Messias Bolsonaro, a peça constrói um signo visual integrado que transmite ao eleitorado a mensagem de endosso eleitoral presente no pleito de 2026. Tal associação induz o cidadão em erro, uma vez que o partido do ex-Presidente integra aliança diversa e possui candidatura própria ao Governo do Estado do Paraná neste pleito, configurando descontextualização grave do registro fotográfico original”.
A juíza do TRE, ao determinar a remoção do comercial e a proibição de nova veiculação, usou como argumento justamente a decisão da Corte Eleitoral em que proibiu Moro de dizer que Ratinho foi um aliado nas eleições de 2018 2 2022 — o que gerou até um direito de resposta ao governador, que depois foi suspenso por abuso. Ou seja, no ditado popular: “pau que bate em Chico, bate em Francisco”.
Ao comparar os dois casos, Sandra Bauerman pontua o recente precedente do TRE na ação movida por Ratinho Junior contra Moro.
“Em recente precedente desta Corte, em sede de direito de resposta proposto pelo atual Governador de Estado em face do candidato do ora representante (Sérgio Moro), o Colegiado concedeu liminar, fixando dentre as teses de julgamento: ‘A afirmação veiculada, ao angariar para si uma aliança política pessoal anterior inexistente com liderança de expressivo capital político e aprovação popular, desvirtua a verdade dos fatos e induz o eleitorado a erro, a ensejar a imediata intervenção da Justiça Eleitoral’.
Marqueteiro dá cavalo de pau
A decisão do TRE, concedida na noite desta quinta-feira (17), é um duro golpe na estratégia do marqueteiro Jorge Gerez, que, diante do desempenho de Sandro Alex nas pesquisas, que teve de dar um cavalo de pau no planejamento para tentar levar o candidato do PSD ao 2º turno.
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Se antes, o discurso de Sandro Alex no palco e nas propagandas eleitorais era que a ideologia nunca encheu a barriga de ninguém, que “a gente não precisa das brigas de Brasília”, rejeitando a polarização política e as discussões ideológicas na gestão pública, agora o argentino resolveu colar a imagem do “homem da infraestrutura” com a de Jair Bolsonaro.
Há quem diga, dentro do Palácio Iguaçu, que até o lema Unidos e em Paz deve ficar em segundo plano.
O raciocínio é simples. Sem conseguir tracionar nas pesquisas eleitorais e figurando atrás de Requião Filho em alguns levantamentos, o argentino decidiu posicionar Sandro Alex como um candidato da Direita na disputa pelo Palácio Iguaçu para tentar rachar uma parte do eleitorado de Sergio Moro.
Soma-se a este movimento, a tentativa de descontruir a imagem do candidato do PL estartada por Ratinho Junior num vídeo em que fala que não confia, nem vota em Sergio Moro.
Portanto, a decisão do TRE, proibindo esta vinculação da imagem de Sandro Alex a de Jair Bolsonaro, é mais um duro golpe na rotina do marqueteiro portenho que quebra a cabeça para impulsionar o “tocador de obras”.