Ratinho apaga post em apoio a Moro, declara guerra e vai para o tudo ou nada na eleição

Fica para trás o perfil low profile de Ratinho, que sempre evitou o conflito político ao longo de toda a gestão, adotando um discurso conciliador, para dar início, quem sabe, à fase mais "sangrenta" da disputa pelo Palácio Iguaçu
Foto: Reprodução Redes Sociais
Foto: Reprodução Redes Sociais

Karlos Kohlbach e Carol Nery

Ratinho Junior decidiu ir para o tudo ou nada na eleição para tentar levar seu candidato Sandro Alex (PSD) ao 2º turno da disputa pelo Palácio Iguaçu. Fica para trás o perfil low profile do governador, que sempre evitou o conflito político ao longo de toda a gestão, adotando um discurso conciliador, para dar início, quem sabe, à fase mais “sangrenta” da disputa pelo governo.

O clima é de apreensão no QG da Carmelo Rangel, com palacianos receosos com a ideia de uma derrota eleitoral para Sergio Moro (PL) já no 1º turno — contradizendo todas as previsões, estratégias desenhadas no início da campanha e do discurso para lá de otimista do marqueteiro argentino Jorge Gerez de que era possível fazer o “homem da infraestrutura” vencer o pleito em 4 de outubro.

Aliás, ontem (15), o argentino foi visto, próximo do horário do almoço, entrando na sede do governo para uma reunião no gabinete de Ratinho Junior — que teve também a presença do trio de coordenadores da campanha, João Carlos Ortega, Daniel Vilas Boas e Norberto Ortigara. A conclusão foi de que algo precisa mudar e rápido. Um caminho é flertar abertamente com a direita de Jair Bolsonaro.

O impacto dos programas de rádio e TV conjugados com o trabalho nas redes sociais até agora não foram suficientes. E a praticamente duas semanas da eleição, a percepção é que o governador precisa vestir a camisa 10 e entrar em campo. Há quem defenda, até hoje, mudanças do treinador — constestado por alguns inclusive de dentro do próprio QG.

Convencido de que é preciso fazer mais por Sandro Alex, Ratinho lançou mão de um conjunto de iniciativas que tem como objetivo final tentar fazer o “tocador de obras” crescer nas pesquisas de intenção de voto. A qualquer custo.

A partir desta quinta-feira (17), Ratinho se licencia do cargo de governador para se dedicar exclusivamente à campanha do pupilo. Não será o único reforço. O pai do governador, o apresentador Ratinho, também vem para a missão de impulsionar o candidato do PSD. “O pai vai para um lado e o filho para outro”, diz uma fonte do Blog Politicamente, na tentativa de fazer um último giro com Sandro Alex pelas maiores cidades.

Anúncios em profusão

O governador antecipou nesta manhã, o anúncio das atrações do Verão Maior Paraná 26/27, no Litoral do estado — um case de sucesso entre veranistas e moradores locais. Um dia antes, anunciou uma redução de 25% na tarifa de água e esgoto que vai beneficiar cerca de 2 milhões de paranaenses.

Paralelamente às boas novas, a equipe jurídica foi encarregada de derrubar na Justiça Eleitoral a pesquisa feita por Murilo Hidalgo, prevista para sair na próxima sexta (18). A percepção, conta uma fonte, é que o resultado da Paraná Pesquisa pode “brochar” os aliados da trincheira, justamente na reta final da disputa — já que muitos prefeitos e deputados trabalham e conhecem as pesquisas do instituto.

O movimento de Ratinho mais bélico, no entanto, que marca a nova etapa da campanha do PSD, veio pelas redes sociais — na virada da noite de terça para quarta. E tinha um alvo e objetivo certos: tentar tirar votos de Sergio Moro. As indiretas e caneladas foram deixadas de lado e Ratinho subiu o tom na forma de ataque teleguiado. O vídeo tem como pano de fundo uma disputa no TRE e um elogio feito por Ratinho a Sergio Moro.

“Olha, eu acabei de ver aqui o candidato Sérgio Moro que está usando um post antigo que eu postei na época em que todos achávamos que ele era diferente, que ele era um juiz sério e que ele, aquele mesmo que prometeu que nunca entraria na política, que acabou traindo o presidente Bolsonaro, tentou até derrubar Jair Bolsonaro, a quem eu agradeço muito, porque fez muita coisa pelo Paraná e nós fizemos muita coisa juntos. Naquele momento, quando ele traiu Jair Bolsonaro, eu me afastei do Moro. E é irônico que ele agora venha resgatar um post de sete anos atrás. Como toda pessoa inteligente, é normal a gente mudar de opinião. Mudei de opinião sobre Sérgio Moro, pois ele nunca foi a pessoa que achávamos que ele era. Hoje fica ainda mais claro quem é você, Moro”, disse Ratinho.

Ainda na postagem, adota o mesmo discruso dos ataques que já vinham sendo inseridos nos comerciais de Sandro Alex no rádio e na TV. “Vem aqui falar que combate o PT e votou a favor do Flávio Dino que foi indicado pelo PT para estar no Supremo Tribunal Federal e hoje está essa bagunça no Brasil que ninguém aguenta mais”.

Por fim, disse estar arrependido da postagem que fez em apoio a Sergio Moro. “Hoje eu posso dizer eu não apoio Sérgio Moro, eu não voto em Sérgio Moro e se tivesse que voltar ao passado eu não teria feito esse post”.

“Apagou, mas o print é eterno”

Foto: Reprodução Redes Sociais
Foto: Reprodução Redes Sociais

O post em questão, em que Ratinho rasga elogios a Sergio Moro na rede social foi feito no dia 24 de abril de 2020. A postagem já não está mais no perfil do governador. Mas segue a máxima da era digital:  “apagou, mas o print é eterno”.

“Sergio Moro é o maior paranaense da história recente, orgulha o nosso Estado e o Brasil. Como juiz e como ministro ajudou a combater a corrupção em nosso país. Lamento muito a sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas tenho certeza de que ele vai continuar contribuindo com a nação em outros desafios. O Paraná te recebe de braços abertos”, afirmou Ratinho em 2020.

A declaração elogiosa de Ratinho foi postada ontem (15) por Sergio Moro na rede social. Teria sido, conta uma fonte palaciana, motivo de muita irritação no QG da Carmelo Rangel e a gota d’água que fez o governador gravar o vídeo. No QG da Cândido de Abreu, conta uma fonte do Politicamente, a equipe de Moro adotou a cautela. Na verdade, três palavras foram entoadas por comandantes da campanha: “prudência, frieza e estratégia”.

Escreveu Moro ontem (15). “Gratidão. Eu não esqueço. Assim o governador Rratinho Junior se manifestou quando deixei o Ministério da Justiça, em abril de 2020. O governador, que encerra o ciclo agora, sempre soube que o Paraná me receberia de braços abertos!”, legendou.

A lembrança do post de Ratinho tem como pano de fundo uma disputa travada pelo jurídico das campanhas do PL e PSD no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.

O time de Ratinho, liderado pelo advogado Gustavo Guedes, conseguiu na Justiça Eleitoral não só impedir que Moro diga que foi aliado do governador nos pleitos de 18 e 22, como chegou a ganhar um direito de resposta na propaganda do senador — que acabou sendo suspenso, por intervenção do advogado Leandro Rosa (team Moro) depois da estratégia errada do marqueteiro argentino de usurpar a finalidade do direito, no momento em que Ratinho pediu voto ao pupilo.

Ou seja, a estratégia de Moro de associar sua imagem à de Ratinho, para tentar captar seu eleitorado diante da alta aprovação do chefe do Executivo na gestão estadual, gerou desconfortos. A “DR” foi parar na Justiça Eleitoral, virou provocação e, em última atualização, declarações públicas que no passado indicaram a existência de um bom relacionamento terminaram apagadas das redes sociais.

Greca mantém post com elogio

Reprodução Redes Sociais
Reprodução Redes Sociais
Até Rafael Greca (MDB), candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex, seguiu na mesma toada, mas manteve uma publicação feita na rede X com igual propósito solidário.
“Lamento profundamente a saída do Governo Federal do agora ex-Ministro Sergio Moro e do ex-Superintendente da Polícia Federal Maurício Valeixo, ambos #OrgulhoDeCuritiba, reservas morais que o Paraná ofereceu ao Brasil”, escreveu Rafael Greca.
Qual será o impacto junto aos eleitores da entrada de Ratinho Junior, de corpo, alma e fígado, na campanha de Sandro Alex? Esta será a principal resposta que as próximas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Paraná trarão.
Isso se, as campanhas eleitorais permitirem a divulgação. Certo mesmo, é que estamos a praticamente duas semanas do 4 de outubro e que estes próximos dias serão de uma carnificina sem tamanho.