O comício feito pelo presidente Lula na manhã deste sábado (12) em Curitiba marca uma nova fase da campanha de Requião Filho (PDT) ao Governo do Paraná.
As imagens captadas durante o evento devem ser mostradas nas próximas propagandas eleitorais do candidato ao Iguaçu, assinadas pelo marqueteiro Oliveiros Marques.
E durante as três próximas semanas que antecedem o 4 de outubro, Lula deve ser mais explorado dentro da estatégia de campanha.
Por quase uma hora, Lula discursou focado no público feminino, pediu votos para Requião Filho e aos candidatos ao Senado do PT, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha e, sem nomear, fez críticas ao candidato ao governo Sergio Moro e ao adversário na corrida presidencial Flávio Bolsonaro.
“Por favor, votem neste menino (Requião Filho) para ser governador do Estado. Este menino tem DNA. Eu conheço o pai dele (Roberto Requião). Eu sei do que ele é capaz”.
Moro, aliás, foi alvo dos discursos de Gleisi e Janja. Mas as críticas mais ácidas partiram de Lula — sempre evitando falar o nome do ex-juiz da Lava Jato. O presidente lembrou os 580 dias que ficou preso em Curitiba — por ordem de Moro.
“Nosso adversário é frouxo, é mentiroso. Eu sou vítima da mentira dele. Ele foi acobertado pela imprensa nacional que quase transformou ele num Deus. Eu fiquei 580 dias preso por causa de uma mentira. Estou até agora esperando a minha chácara e o apartamento no Guarujá”.
Em outro momento do discurso, afirmou: “aqui (no Paraná) tem um candidato que não vale o que come”. Gleisi também fez críticas ao atual senador do PL. “Ele não conhece o Paraná, ele optou por disputar a eleição por São Paulo”.
Lava Jato
Janja também lembrou o tempo de encarceramento de Lula na sede da Polícia Federal, em Curitiba. “O Lula ficou 580 dias preso em Curitiba e vocês estavam em vigília durante a prisão injusta. Eu não vou citar o nome do algoz (Moro), é isso que ele quer. Mas nós vamos levar o Requião Filho para o 2º turno”, cutucou a primeira-dama.
Requião Filho foi mais comedido e apenas comparou a proposta dele de governo com a de Sergio Moro. “Eles querem presídio, nós queremos hospital para mulheres e crianças”.
No discurso, o pedetista falou sobre educação, sobre regionalização da saúde, justiça social, prometeu zerar o ICMS para microempresas e fez um gesto ao presidente Lula.
“Queremos unir o histórico do presidente Lula com o histórico da família Requião no Paraná para cuidar das pessoas”.
Em outro momento, lembrou que quando tinha 10 anos, ele foi com o pai, Roberto Requião, depositar o voto em Lula na urna na eleição de 1989 quando o petista enfrentou Fernando Collor de Mello.
Escândalo do Master
O escândalo do Banco Master e os indícios de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal foram citados por Lula no discurso durante o comício. O presidente falou que ninguém está acima da lei, nem ministro da Suprema Corte.
“Quando começaram a falar do meu filho eu falei: ele não será protegido. Eu acredito na inocência dele, mas se ele cometeu um erro ele vai ter que pagar. Isso serve para todo mundo, inclusive para ministro da Suprema Corte. Ali (no STF) não é para ficar rico, é um sacerdócio”.
Lula afirmou que conversou com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, e disse que não era possível que um ministro relator (no caso André Mendonça) fizesse vazamentos de informações seletivos. “Eu pedi para abrir o sigilo de tudo (do Master). E a família Bolsonaro não escapa”.