Um debate morno e bastante nervoso recheado de caneladas. Na noite deste domingo (9), Requião Filho e Sandro Alex ficaram frente a frente para discutir projetos e propostas.
Segundo as pesquisas de intenção de votos, os dois concorrem para chegar ao 2º turno para enfrentar Sergio Moro. O ex-juiz da Lava Jato, aliás, avisou em cima da hora que não iria ao debate. Perdeu uma excelente oportunidade para falar aos paranaenses.
E ganhou memes que inundaram as redes sociais. O que se viu na telinha da Band foi um Requião Filho abusando das sátiras e ironias versus um nervoso Sandro Alex.
O estado emocional do “homem da infraestrutura” se agravou depois de questionar o concorrente sobre o Porto de Paranaguá — tema delicado à família Requião, após a gestão de Eduardo — marcada por algumas denúncias de corrupção.
Ao retomar a palavra, Sandro Alex disse que Roberto Requião — pai do candidato do PDT — foi o melhor governador para Santa Catarina, fazendo críticas à administração do Porto de Paranaguá. Requião Filho rapidamente reagiu.
“Ele está criticando meu pai, no Dia dos Pais”. A partir daí, o candidato do PSD, visivelmente, passou a tomar todo o cuidado para não incorrer novamente no deslize.
“Improvável e submestimado”
Sandro aproveitou o debate para se apresentar e enaltercer a gestão Ratinho. Chegou a mencionar que era o candidato mais improvável e submestimado por muitos políticos.
E cumpriu bem a orientação do marqueteiro argentino Jorge Gerez. Soltou, ao longo do debate, frases de efeito escritas cirurgicamente pelo portenho.
Adotou o discurso dito e repetido pelo governador Ratinho Junior nos eventos políticos de que o Paraná é uma grande família e de que será eleito para “cuidar das famílias”.
Seguindo a estratégia do argentino, colocou-se como o candidato da Direita, falou em liberdade econômica, inocência das crianças, — aquele roteiro já batido e visto em pleitos passados — , mas não mencionou Bolsonaro em nenhum momento.
PSD e MDB no governo Lula
Numa das vezes que o governo federal foi citado por Sandro Alex, o assunto era o pedágio do Paraná. Logo depois da crítica, Requião Filho lembrou ao candidato do PSD de que o partido de Gilberto Kassab faz parte da administração do presidente Lula.
São três ministérios do PSD, que se somam aos outros três do MDB do vice Rafael Greca.
Aliás, o cenário nacional, a polarização esquerda x direita, ficou de fora do debate no Paraná. Mais uma consequência da ausência de Moro, lembrada à todo momento.
Requião Filho abusou das ironias ao longo de todo o debate. Chamou o adversário de candidato irmão do Marcelo Rangel (deputado do PSD e colega do pedetista) e de “candidato que tem o Rafael Greca como vice” — nos dois momentos dando a entender que o “homem da infraestrutura” não é conhecido.
Deslizes
Sandro Alex se soltou e controlou o nervosismo a partir da metade do debate. Enalteceu os números e conquistas do governo Ratinho, falou da redução do IPVA e das obras estruturantes, como a Ponte de Guaratuba — além de acusar várias vezes o concorrente a faltar com a verdade. Houve deslizes dos dois lados.
Requião Filho minimizou o resultado do PIB na gestão do atual governador — que em 2017 era de pouco mais de R$ 400 milhões e pretende entregar com mais que o dobro. O pedetista afirmou que o crescimento foi dentro da média do país. Não é bem assim.
Os dados mostram uma evolução de até 15% do PIB nos últimos 8 anos, sendo que o governo — bem longe do percentual previsto para 2026. Escorregou também ao dizer que o Paraná não aderiu ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.
A própria Gleisi Hoffmann, ex-presidente nacional do PT e candidata ao Senado na chapa de Requião Filho, na semana passada, parabenizou Ratinho Junior pela adesão ao programa.
“Digita lá no Google”
Sandro Alex, por sua vez, recorreu à tática do “digita lá no Google” quando tratavam sobre o fardo da carga tributária, isenção fiscal e ICMS. “O Paraná esta entre os estados com a menor carga temporária”. O buscador não coloca o Paraná no rol dos cinco menores estados.
Além da questão econônica, os debatedores falaram sobre Educação, Segurança Pública, mobilidade, obras, privatizações, mas nada sobre saúde pública.
Requião Filho subiu o tom ao citar investigações e denúncias de corrupção envolvendo, por exemplo, a desestatização da Copel e o programa Olho Vivo.
Sandro Alex, por óbvio, defendeu o governo, dizendo que as críticas vêm do tio de Requião Filho — o conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná, Maurício Requião.
Convergências
Os dois convergiram num tema: a importância do debate para apresentar as propostas aos paranaenses e na desistência de Sergio Moro.
As caneladas do primeiro debate podem ser esquecidas num eventual 2º turno, já que, dependendo do cenário eleitoral, Sandro Alex e Requião Filho podem estar de mãos dadas — de forma pública ou velada.