Requião Filho e Beto Richa estiveram juntos na tarde da última sexta-feira para falar sobre o tabuleiro eleitoral do Paraná.
O cenário nacional impede uma inesperada proximidade na terra das araucárias, mas o pedetista saiu do encontro com a sinalização de que num eventual segundo turno contra Sergio Moro, os tucanos podem reforçar o palanque.
Pessoas próximas aos dois classificaram a reunião como respeitosa e muito boa — embora as grifes Richa e Requião tenham protagonizado disputas políticas e eleitorais acirradas na década passada.
A Lava Jato os aproximou. Roberto Requião, então senador da República, foi uma das poucas vozes que na época, no auge da operação conduzida por Sergio Moro e Deltan Dallagnol, se levantou tecendo críticas, por exemplo, às inúmeras conduções coercitivas e ao longo tempo das prisões preventivas.
Da trincheira adversária, Beto Richa, que foi alvo da Lava Jato, encontrou a solidariedade que não veio dos aliados. A aversão, principalmente a Deltan Dallagnol, pode colocar Beto Richa e os tucanos no arco de aliança do PDT caso avance na disputa.
Requião Filho, desde que começou a pré-campanha, disse que estava disposto a construir alianças. E não tem poupado esforços. Não esperava, no entanto, encontrar resistência dentro da própria trincheira. Apesar do PSB ocupar a vice-presidência no cenário nacional, com Geraldo Alckmin, no Paraná existe resistência.
Luciano Ducci quer manter o partido neutro na campanha ao Palácio Iguaçu, apesar da contrariedade do PT. O ex-prefeito de Curitiba diz ter o aval de João Campos, presidente nacional da legenda.
Requião Filho foi para Brasília nesta segunda-feira (20) para tentar desatar este nó. E vai aproveitar a estada na capital federal para se reunir com o vice-presidente da República. Na pauta, projetos estruturantes de infraestrutura para as indústrias no Paraná.
Até agora, a chapa encabeçada pelo pedetista tem somente Gleisi Hoffmann para disputar o Senado. A outra vaga deve ser também indicada pelo PT.
Sobre a vice, uma boa fonte ligada à campanha de Requião Filho conta que a estratégia agora é conquistar mais tempo de rádio e TV e a vaga pode ser a moeda de troca para fechar a costura política.