Os advogados Michel Guerios Netto e Alexandre Jorge, este último filho do desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, estão respondendo a um procedimento na Ordem dos Advogados do Paraná (OAB-PR) que pode resultar na suspensão preventiva de ambos.
O caso será analisado na próxima sessão da Câmara Especial do Tribunal de Ética e Disciplina da entidade, que está marcada para 18 de junho. Durante a sessão, a defesa tanto de Guerios Netto quanto de Alexandre Jorge poderão fazer sustentação oral, antes da decisão do colegiado. Nos bastidores da sede da OAB, a aposta é pela suspensão dos dois advogados.
Michel Guerios Netto e Alexandre Jorge estão ligados à uma denúncia que tem como foco o desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, e a suspeita de uma venda de sentença em troca de um quadriciclo avaliado em R$ 62 mil. O caso está sendo investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
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Compra de quadriciclo coloca desembargador do TJ do Paraná na mira do CNJ
A OAB do Paraná chegou a pedir o afastamento do magistrado até que a investigação do CNJ será concluída e reputa a suspeita da mais alta gravidade. Paralelamente, a entidade de classe instaurou um procedimento de suspensão preventiva em relação aos dois advogados envolvidos nos fatos apurados.
A acusação partiu da construtora Zoller que, ao se sentir lesada num julgamento de uma ação cível envolvendo uma cobrança de aluguel de um terreno em Curitiba, promoveu uma investigação particular que levanta indícios de uma suposta venda de decisões, que implicaria o filho do magistrado e o advogado.
Segundo relatório de inteligência formulado pela construtora, o advogado Michel Guerios Netto seria o responsável por negociar a compra da sentença. Ele teria adquirido o quadriciclo em dinheiro vivo numa loja em Curitiba apenas dois dias depois de uma decisão favorável exarada por Francisco Jorge no processo.
O quadriciclo seria destinado a Alexandre Jorge, filho do desembargador, que foi até a loja e trocou o modelo. O quadriciclo teria sido destinado a um neto do magistrado, segundo a denúncia da construtora que chegou a juntar fotos da criança com o veículo. Seria uma forma de pagamento pela decisão.
A construtora Zoller sustenta que o desembargador Francisco Jorge “inverteu” três julgamentos unânimes da 17ª Câmara Civil do TJ do Paraná para favorecer diretamente a parte contrária. E que o magistrado ainda teria descumprido uma decisão da presidente do TJ paranaense, Lídia Maejima, que determinava a sustação dos efeitos da decisão do magistrado e determinava ainda a “suspensão imediata de quaisquer atos constritivos”.
O Blog Politicamente não conseguiu contato com os dois advogados. O espaço segue aberto para manifestação.