Cristina Graeml aceita convite de Ratinho e vai para o PSD disputar a eleição

A princípio ela tem como prioridade disputar o Senado, mas pode pintar como vice na chapa. Ela já sinalizou que topa as duas missões

Ratinho Junior está mesmo disposto a virar a página, como ele tem dito nas redes sociais, mas não só do Brasil como do Paraná também. Numa articulação estratégica, o governador conseguiu atrair Cristina Graeml para o PSD. O Blog Politicamente já havia noticiado o encontro entre eles no último fim de semana na rádio da família de Ratinho, no bairro Santa Felicidade, em Curitiba.

A conversa entre Ratinho e Cristina Graeml evoluiu rapidamente e na noite desta terça-feira (31), os dois anunciaram nas redes sociais o acordo político. A princípio, conta uma fonte do Blog Politicamente, a jornalista tem como prioridade disputar a eleição ao Senado, mas pode pintar como vice na chapa. Ela já sinalizou que topa as duas missões.

“Hoje, com muita alegria, eu fiz o convite para a Cristina Graeml que ela pudesse vir para o PSD nos ajudar a pensar o Paraná do futuro, mas, acima de tudo, já trabalhar o presente. Cristina, seja muito bem-vinda, estou muito feliz em ter você junto com a gente, representando as mulheres paranaenses, a força da mulher paranaense, a inteligência da mulher paranaense e também como uma grande comunicadora e jornalista que você é, sempre defendendo os interesses do Paraná.”, disse Ratinho.

Dentro da estratégia do Iguaçu, diz um palaciano de alto coturno, faz mais sentido lançar ela como vice para tentar rachar os votos da direita em Sergio Moro, além de aproximar o eleitor curitibano — que ainda tem o nome de Cristina na memória após a disputa da prefeitura de Curitiba em 2024.

Ratinho deixou para trás as rusgas, as críticas, algumas pesadas, desferidas por ela no pleito municipal. “É hora de virar a página”, como tem repetido o governador. Cristina Graeml parece imbuída do mesmo propósito.

“Eu estou aqui nesse início de jornada política, para mim é tudo novidade, ainda tem essa questão de política partidária, mas a gente tem que ir construindo alianças, já estivemos em lados opostos na eleição municipal, e é muito importante que a gente pensando num projeto maior, a gente consiga caminhar junto com um grupo, então te agradeço, governador, por me receber aqui, é uma honra também ser convidada para fazer parte de um time que já construiu um Estado forte, a gente quer que o Paraná continue forte, então estamos juntos para somar”, afirmou a jornalista.  

O anúncio da aliança entre antigos adversários políticos pegou muita gente de surpresa. Alguns, ouvidos pelo Blog Politicamente, só acreditaram na informação depois que consultaram as redes sociais do governador Ratinho Junior. Muitos aliados, palacianos, viram com ressalvas a filiação, mas creditaram o convite à estratégia do governador — que pouquíssimos têm ciência.

Rapidamente, as reações começaram. Uma das dúvidas que surgiu é: Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba, vai pedir voto para Cristina Graeml — depois da calorosa disputa eleitoral de 24? A filiação também repele definitivamente qualquer aliança com Rafael Greca do MDB — outro que foi bastante criticado pela jornalista na eleição.

E como Cristina Graeml vai se portar, se for alçada à vice na chapa do PSD, com relação a Sergio Moro — com quem até pouco tempo atrás estava ombreada no União Brasil rodando o Paraná rasgando elogios ao ex-juiz da Lava Jato.

Na chapa do PL, a informação foi digerida como um contragolpe do Palácio Iguaçu, já que Cristina disputaria o mesmo voto de Deltan Dallagnol e Filipe Barros. Nas trincheiras adversárias, já começou o trabalho de salvar vídeos e declarações de Cristina espizinhando o PSD e o Centrão. “Se já não era fácil explicar a filiação no União, imagina agora no PSD”, disse um adversário político.

Quem gosta da ideia da jornalista disputar a Câmara Alta é a agora ex-ministra do PT, Gleisi Hoffmann, que pode trilhar sozinha no campo da esquerda.

A avaliação dentro de uma ala do PSD é que pelo menos Ratinho Junior começou a se mexer para formar a chapa do partido. Mesmo que o movimento tenha parecido um “elefante numa loja de cristais”, disse um correligionário que ainda não crê na aliança anunciada pelas redes sociais.

 

Leia outras notícias no BP.