Vem aí a 1ª pesquisa com Eduardo Pimentel como opção ao governo

A pesquisa poderá embasar decisões políticas futuras, ao mesmo tempo em que servirá como consolo aos que ficarem relegados

Se antes o nome de Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba, era apenas uma cogitação, um devaneio, lá pelas bandas de Santa Felicidade, para concorrer ao governo do Paraná, agora começa a ganhar contornos reais — para desespero de muitos no Palácio 29 de Março e arredores.

E, a depender do resultado, pode reforçar a tese argumentativa, que já é forte, para que Eduardo troque a prefeitura pela incerteza do Palácio Iguaçu.

A AtlasIntel registrou ontem (26) uma pesquisa de intenção de voto para medir a disputa pelo Governo do Paraná e as duas vagas ao Senado Federal. A divulgação está prevista para a próxima terça-feira (31) — quase no prazo final do prazo de desincompatibilização.

A grande novidade é o nome de Eduardo Pimentel como opção para o Palácio Iguaçu pelo PSD. Além dele, serão apresentados, em quatro cenários diferentes, Alexandre Curi (PSD), Guto Silva (PSD) Luiz França (Missão) Rafael Greca (MDB) Requião Filho (PDT).

Uma boa fonte palaciana conta que o governo já fez pesquisas internas com o nome de Eduardo, medindo inclusive uma possível rejeição do eleitor ao fato do prefeito, eleito em 2024, abandonar a prefeitura de Curitiba para disputar o Iguaçu.

Os dados são guardados à sete chaves e foram manuseados por poucos — um deles, o marqueteiro argentino Jorge Gerez.

A grande preocupação no Palácio 29 de Março, além do fato de uma possível desaprovação dos curitibanos, que pode colocar em risco à recém-iniciada carreira política, é jogar Eduardo Pimentel “aos leões” na eleição de 2026, obrigando-o à renunciar ao cargo — tudo porque, cita uma fonte do município, o governador Ratinho Junior não conseguiu até agora pacificar os grupos políticos antagônicos dentro do PSD.

“Sem falar na questão de passar a prefeitura de Curitiba para o vice Paulo Martins que é do Novo e está junto com Sergio Moro no PL”. 

O fato do nome de Eduardo Pimentel constar na AtlasIntel não significa que ele foi ou será escolhido por Ratinho para concorrer ao governo. Mas dá musculatura aos desejos e boatos que circulam no Centro Cívico.

Riscos à divulgação

A pesquisa traz ainda o questionamento sobre a força dos padrinhos políticos no pleito, ao questionar o eleitor se ele votaria em Guto Silva por contar com o apoio de Ratinho, Requião Filho tendo Lula como avalista e Sergio Moro com o respaldo de Bolsonaro — ofertando ainda, neste panorama, os nomes de Luiz França e Rafael Greca.

O levantamento eleitoral simula ainda cinco cenários de 2º turno, todos com a presença de Sergio Moro, variando apenas os adversários — sem, no entanto, incluir Luiz França.

As duas perguntas podem inviabilizar a divulgação da pesquisa — caso, claro, ela seja contestada na Justiça Eleitoral.

No início do mês de março, a desembargadora Sandra Bauermann, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE), se debruçou exatamente sobre estas duas questões: associar nomes dos candidatos aos padrinhos políticos e apresentar panoramas de 2º turno excluindo por completo o candidato do Partido Missão.

No despacho, a magistrada afirmou que ligar um pré-candidato a um nome de grande apelo “viola a isonomia no pleito eleitoral e geram desvantagem dos apoiados em detrimento daqueles candidatos que são mencionados isoladamente”.

Desiguladade também, segundo a desembargadora, na ausência do “pré-candidato Luiz França nas referidas simulações, havendo claro induzimento do eleitor a votar necessariamente no candidato Sergio Moro, vez que aparece em todos os cenários”.

Diante das falhas identificadas pela magistrada, ela proibiu a divulgação da pesquisa. A dúvida é se o diligente PSB do Paraná, autor do questionamento eleitoral no TRE, irá, novamente, se insurgir contra as supostas falhas.

Senado, Presidência e “algunas cositas más”

Caso seja divulgada, o eleitor paranaense saberá também o termômetro da disputa pelas duas vagas ao Senado Federal. A AtlasIntel traz dois cenários, um com os nomes de Alexandre Curi (PSD), Alvaro Dias (MDB), Cristina Graeml (União Brasil), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL), Gleisi Hoffmann (PT) e Thiago Bagatin (PSOL).

E outro, trocando apenas o pré-candidato do Novo, colocando Jeffrey Chiquini no lugar de Deltan — num cenário de eventual indeferimento do registro de candidatura do ex-procurador da República.

A pesquisa ainda mede a corrida pela presidência da República, apresentando como opções Aldo Rebelo (DC), Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) — este último sendo substituído por Eduardo Leite em outro panorama.

E simula também  eventual 2º turno de Lula contra Flávio, Caiado e Eduardo — e até com Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.

Os pormenores e recados

Agora o questionário da AtlasIntel chama atenção quando, por exemplo, pergunta ao eleitor paranaense se ele “prefere votar em um candidato que dê continuidade à gestão atual do governo do estado ou um candidato que faça uma gestão diferente da atual”.

Quando mede a rejeição do governador Ratinho, que já declarou publicamente que não vai disputar nenhum cargo em 2026. Ao mesmo tempo em que questiona o voto no 2ºturno da última eleição para prefeito de Curitiba em 2024, entre Eduardo Pimentel e Cristina Graeml, e ao retroagir a 2022 para saber em quem o eleitor votou para presidência, governo do Paraná e Senado.

A pesquisa é bastante extensa e o resultado trará dados e recados que poderão embasar decisões políticas futuras. Ao mesmo tempo, poderá servir de consolo para os que ficarem relegados.

Como se diz em Buenos Aires, “es hora de separar a los hombres de los niños. Pero unidos y en paz” — na medida do possível, claro.

Metodologia:

A pesquisa está registrada no TSE sob o número PR-00105/2026 e foi contratada pelo próprio instituto. Serão ouvidos 1200 eleitores entre os dias 25 e 30 de março. O levantamento eleitoral tem confiança estimada em 95% e uma margem de erro de 3% para mais ou para menos.

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