O PL do Paraná entrou em ebulição depois que o governador Ratinho Junior soltou o comunicado oficializando a desistência da pré-candidatura presidencial. A tensão interna é tanta que Fernando Giacobo, presidente da legenda no Paraná, não vai à filiação de Sergio Moro no fim da manhã desta terça-feira (24) em evento com Flávio Bolsonaro.
E mais. Giacobo ameaça deixar o PL e levar com ele alguns deputados estaduais caso Sergio Moro seja filiado. Giacobo tenta, como um último ato, desfazer o compromisso político entre Flávio Bolsonaro e Sergio Moro. E, assim, retomar a aliança com o PSD do Paraná numa sinalização de apoio à candidatura indicada por Ratinho.
Ninguém do PL queria romper com Ratinho. Muito menos o Novo, que acabou pegando carona e agora está instalado na trincheira do ex-juiz da Lava Jato. A ruptura política do PL com o PSD se deu pelo movimento político do governador do Paraná em direção à disputa pelo Palácio do Planalto.
Ao comunicar a desistência, Ratinho entrou em contato com Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto para reconstruir a aliança no Paraná, mas acabou ouvindo que o compromisso com Moro seria mantido.
Uma boa fonte do Politicamente conta que uma das preocupações de Flávio neste período de pré-campanha é manter os acordos políticos firmados para afastar a imagem de instabilidade política e de que não cumpre com a palavra empenhada — característica atribuída ao pai, Jair Bolsonaro.
Flávio não só deu a mão a Moro como gravou vídeo declarando o apoio. Pessoas do PL ouvidas pelo Politicamente acreditam que o movimento de Giacobo sinaliza um all in — foi para o tudo ou nada, o que pode lhe custar não só a presidência do partido no Estado como até a saída da legenda.
Em Brasília, no entanto, o ingresso de Sergio Moro no PL é dado como favas contadas. “Se o Flávio disse que não voltaria atrás (do apoio ao Moro) para o Ratinho, não acredito que mude de opinião por causa do Giacobo”, disse uma fonte do partido.
O levante interno dentro do PL é visto e acompanhando de perto pelo Palácio Iguaçu. O cenário, no entanto, é de pessimismo. Não acreditam numa reviravolta. “De reviravolta, já basta a do governador Ratinho desistindo da presidência”, disse de forma humorada uma fonte palaciana.
Para o grupo político de Ratinho seria ideal que Moro não se acertasse com Flávio Bolsonaro. Mas, ao que tudo indica, Ratinho perdeu o “timing” e terá de enfrentar nas urnas os antigos aliados de primeira hora, Novo e PL.