Sergio Moro vai se reunir nesta quarta-feira (18) com o pré-candidato Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto para discutir o cenário eleitoral de 2026 no Paraná. As portas do partido devem se abrir ao ex-juiz da Lava Jato, mas haverá exigências. Talvez, a principal delas seja a filiação ao PL. Outra? Fernando Giacobo pode ser o indicado para a vice.
O encontro está marcado para às 11h na sede do PL em Brasília — no Complexo Brasil 21, na Asa Sul. Rogério Marinho, que coordena a campanha do filho 01 de Jair Bolsonaro, também vai participar da reunião, assim com dirigentes da cúpula do partido no Paraná.
O convite de filiação é uma ruptura do acordo do PL e PSD no Paraná e também uma resposta de Flávio ao iminente anúncio da pré-candidatura presidencial de Ratinho Junior — que deve acontecer na próxima semana.
Flávio vai em busca de um palanque no Paraná, uma vez que os estrategistas da campanha do filho 01 consideram que a disputa com o presidente Lula será decidida no photochart e, por isso, não se pode abrir mão de um estado com 8 milhões de eleitores.
Não está descartado um aperto de mão, selando o compromisso eleitoral, durante a reunião. Ratinho, quando esteve com Rogério Marinho, chegou a pedir um prazo, até dia 25, para trazer uma alternativa à ruptura. Dentro do PL o pensamento é o seguinte: “o tempo do Paraná não é o mesmo de Brasília”.
Mas a tendência é que Sergio Moro, embora saiba de antemão do teor do encontro, peça um tempo para avaliar a proposta com seu time político. E, obviamente, vai esperar o movimento de outros atores políticos diante do convite de Flávio Bolsonaro.
Alguns questionamentos intramuros no União Brasil serão feitos: Moro vai abrir mão da presidência do partido no Paraná para se submeter às decisões de Fernando Giacobo? Quais garantias serão dadas a Moro de que o partido não vai mudar de planos caso a candidatura de Ratinho não seja homologada nas convenções?
Cristina Graeml também vai junto com o ex-juiz da Lava Jato para o PL na condição de pré-candidata ao Senado? Como vai ficar a chapa de federais do PL?
Os desdobramentos do convite
A decisão do ex-juiz terá, inevitavelmente, desdobramentos políticos e vai mexer com o xadrez eleitoral da disputa pelo Governo do Paraná. Caso aceite o convite de filiação no PL, União Brasil e PP estarão livres para decidir o rumo que irão tomar na eleição de 2026.
Ricardo Barros já disse publicamente que quer filiar Rafael Greca no PP e lançá-lo candidato ao Palácio Iguaçu numa chapa com Alexandre Curi — que está de malas prontas para desembarcar do PSD rumo ao Republicanos.
Enquanto isso, Ratinho Junior cumpre agenda na Itália e na Suíça. A previsão é que retorne apenas na quinta-feira — quando o principal adversário até aqui, e líder das pesquisas de intenção de voto, pode já ter definido o passo em direção ao PL.
O governador, neste cenário de aceite de Sergio Moro, perde não só o PL como aliado para as eleições, como também não poderá contar com União Brasil, que ficará acéfalo, e o Progressistas comandado pelo pragmático Ricardo Barros que tende a tomar as rédeas na federação Uniao Progressista no Paraná.
Ratinho, aliás, terá de torcer para que a federação não avance no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para, pelo menos, abrir diálogo com o partido de Antônio Rueda, mesmo ciente do não cumprimento do acordo selado em 2022 quando prometeu espaços mais generosos no governo, mas que nunca vieram.
Clima de tensão
O cenário eleitoral preocupa palacianos que veem ainda a possibilidade de Ratinho Junior trazer não só chocolates suíços na bagagem da curta trip pela Europa, mas uma solução política que deixa o panorama mais palatável. É preciso considerar e levar em conta também a habilidade e sensibilidade política de Ratinho Junior para desatar tantos nós.
Uma bona fonte do Iguaçu conta que num recente encontro na fazenda, Ratinho contou aos mais chegados que volta da Europa e vai a Brasília para tentar costurar a candidatura do PSD do Paraná. E, diferente do ditado popular, todos sabem quem é o santo, mas quase ninguém desconfia do milagre que o governador vai buscar na capital federal.
Hoje, porém, a avaliação pelos corredores do Palácio Iguaçu, é que o nome de Guto Silva perdeu força — embora continue sendo o candidato do coração do governador. O futuro político do secretário das Cidades passa pelo milagre que o Santo Ratinho espera alcançar.