Ainda não habemus candidatum dentro do PSD. Longe disso. A fumaça branca não foi vista no Centro Cívico pelos arredores do Palácio Iguaçu, embora muitos observadores aguardavam um sinal. Rafael Greca foi convocado para uma reunião com Ratinho Junior na tarde desta quarta-feira no 3º andar no gabinete do governador.
Quem esperava o beijo da morte, teve de se contentar com gestos de carinho e afago de parte a parte. Aliás, durante o encontro, o mais próximo do beijo que eles chegaram foi das imagens em tempo real da obra da Ponte de Guaratuba exibida num telão instalado na sala do governador.
Aliás, ao que tudo indica, a Ponte será inaugurada dia 3 de abril, ainda como Ratinho governador, e os acessos, lá pelo dia 20, com a liberação do tráfego — já na gestão nonamestre de Darci Piana.
Greca conversou rapidamente com o Blog Politicamente quando deixou a reunião com o governador. Se preparava para embarcar e cumprir agenda como secretário de Desenvolvimento Sustentável na região Sudeste do Estado. Só elogios. Lucas Navarro e o mentor Giovani Gionédis foram ao Palácio, mas só participaram dos últimos minutos do encontro.
Falou pouco, é verdade, mas contou que Ratinho Junior ainda não decidiu sobre a sucessão e ainda cogita ele, Alexandre Curi e Guto Silva como candidato. Ou seja, o martelo não foi batido. E que uma decisão deve vir só depois que Ratinho voltar de uma curta viagem pelo continente Europeu, pela Itália e Suíça, que se inicia no próximo domingo.
“Estou muito feliz após a reunião com o nosso governador do Estado Ratinho Junior. Eu não tenho qualquer disposição para brigar com o governador. Pelo contrário. Podemos ter um paranaense na presidência da República. Um fato inédito e histórico”, disse, se referindo a eventual futura candidatura presidencial de Ratinho pelo PSD.
Numa rede social, o ex-prefeito postou: “Encontrei hoje, no Palácio Iguaçu, o nosso estimado governador Ratinho Junior, recém-chegado de Brasília. Conversamos sobre o Paraná e sobre a importância de construir pontes, não só de concreto, mas também de diálogo e trabalho. Diante do painel em tempo real das obras da Ponte de Guaratuba, lembramos que as melhores travessias são feitas quando caminhamos juntos”.
Já nos bastidores…
… o cenário é outro. Ratinho redesenha a estratégia eleitoral para manter a todo custo o PSD unido — o que parece um cenário cada vez mais distante. Emissários do governador saem todos os dias com missões definidas, mas voltam com mais incertezas. Alguns palacianos já comentam pelos corredores de mármore do Palácio que a candidatura de Guto Silva pode subir no telhado.
O papel de coordenador da futura campanha presidencial de Ratinho pode ser uma saída honrosa. Isso não quer dizer, no entanto, que Greca e Alexandre Curi assumiriam o posto de sucessor. São vários os cenários pensados e testados.
Opiniões são dadas num frenesi impressionante transparencendo um sentimento de que tudo pode, a qualquer tempo, ser revisto. As certezas de antes, dão espaço para elucubrações. Até de que o abençoado pode vir de fora da política. O nome do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, veja só, até ele apareceu como opção — o que não foi levada adiante.
Ainda resta tempo, é bem verdade. Para o 4 de abril ainda distam longas três semanas — onde tudo pode acontecer, até mesmo nada. O plano original de Ratinho ainda pode ser implementado, com Guto Silva como cabeça de chapa. Mas os efeitos colaterais, conta uma fonte palaciana, não podem hoje ser mensurados.
Enquanto o anúncio oficial não vem, Ratinho se desdobra para manter o partido unido sem, ao mesmo tempo, deixar de lado o plano nacional — cada vez mais próximo.
Greca, por sua vez, mantém todas as portas e possibilidades abertas: com o MDB as tratativas estão bem avançadas — sem falar nos insistentes convites de Ricardo Barros para integrá-lo ao PP, desde que, claro, Sergio Moro não seja o candidato da federação.
E Alexandre Curi aguarda a conversa decisiva com Ratinho para decidir o rumo a se tomar em 2026. E o Republicanos está logo ali.