A crise institucional que atravessa o Supremo Tribunal Federal (STF), por conta do escândalo do Banco Master, deve entrar na agenda do debate eleitoral da campanha presidencial que se avizinha.
Numa entrevista concedida nesta quarta-feira (28) à CNN, o governador do Paraná e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Ratinho Junior, disse que o próximo Congresso Nacional deve pensar numa reforma do Judiciário.
E chegou a citar algumas medidas como estabelecer mandatos para ministros do STF, aumentar a idade mímina para assumir o posto e a necessidade de ser juiz de carreira, minimizando assim as indicações e interferências políticas.
O governador parananese considerou ainda um absurdo a mais alta Corte do Brasil debater um código de conduta, já que deveria servir de exemplo.
“Acho que o Supremo já está fazendo uma reflexão. O ministro (Edson) Fachin já está demonstrando que é necessário repensar as atitudes do Supremo. O ministro Fachin já tem falado em código de ética, que é um absurdo, né? Lamentavelmente, você ter uma Suprema Corte e criar um código de ética, sendo que deveria ser o exemplo para a sociedade e para os demais níveis do judiciário, mas no ambiente que nós estamos, que está tão ruim, que o ministro Fachin está tomando uma atitude”.
Acenos ao bolsonarismo
A proposição de mudanças nas regras do STF, principalmente as que vão ao encontro de minimizar a politização na Suprema Corte, é um discurso que tende a agradar o eleitorado nesta eleição de 2026 — que observa a imagem da última instância do Judiciário do Brasil sendo tragada para o epicentro do escândalo do Banco Master.
O discurso é também um aceno ao eleitor e a ala bolsonarista que não pouparam críticas ao STF, principalmente o ministro Alexandre de Moraes, depois do julgamento e da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um outro gesto de Ratinho foi a declaração de que é favorável à concessão de indulto a Jair Bolsonaro se vencer as eleições. “Não só para o presidente Bolsonaro, mas para todos que participaram daquela manifestação do 8 de janeiro que para mim foi um ato de vandalismo”, reafirmou. “Eu acho que foi uma punição muito acima do adequado”, completou.