Secretária cobra R$ 30 mil de vereador em ação por dano moral

Vereador ficou irritado quando a secretária não respondeu mensagens no whatsapp e não atendeu às ligações

Não chamem para uma mesma reunião o vereador Erick Camargo (PV) e a secretaria de Família e Desenvolvimento Social de Ponta Grossa, Camila Sanches. O clima entre os dois azedou depois de uma publicação do parlamentar numa rede social. A secretaria ingressou com uma ação na Justiça cobrando R$ 30 mil como indenização por danos morais.

O Blog Politicamente teve acesso à ação, protocolada no início da noite de ontem (11) pelo advogado Renê Francisco Hellman junto ao 3º Juizado Especial Cível de Ponta Grossa. A juíza Maria Cecília Puppi é quem vai julgar o caso.

A secretaria cita na ação violência política de gênero, por sua condição de mulher em cargo público, e ataques à honra e imagem cometidos pelo vereador do PV.

O caso teria começado no dia 1º de agosto, quando Camila Sanches recebeu mensagens via aplicativo de mensagens. Como estaria em atendimento, ela acabou não respondendo às mensagens dando início, segundo a ação, à agressões por parte de Erick Camargo.

O advogado da secretária coleciona uma série de prints com as mensagens do vereador. Numa delas, num grupo denominado “Eventos SMFDS”, Erick Camargo escreveu:

“O dia que eu for nessa porcaria de secretaria e essa secretariazinha não me atender, eu abro a porta no bicudo. Traira, ingrata. Eu te ajudei a estar aí onde você está. Eu e meus companheiros. Se faça de coitadinha agora, porque você vai precisar. Várias vezes segurei a barra da sua incompetência em off. Boa sorte, Camilinha. Você vai precisar”.

O caso ganhou os holofotes nas sessões da Câmara Municipal, quando o parlamentar disse ser um absurdo a secretária não atender a ligações, acusando a Camila Sanches de prevaricação, uma vez que “sua função é de estar ao dispor da população e que a negativa de atendimento telefônico configuraria o referido crime”. E seguiu desferindo críticas: “Essa Secretária que não tem nem habilidade para administrar um grupo de WhatsApp, que ela já montou o grupo de WhatsApp e não foi capaz de administrar um grupo de WhatsApp de vereadores, agora está à frente de uma das pastas mais importantes de nossa cidade.”

Em outra sessão plenária afirmou que a secretária estava “brincando de casinha de boneca” e preocupada com “mudar a cor das paredes da Secretaria e móveis”.

“A expressão “brincando de casinha de boneca” é um ataque simbólico que ridiculariza a atuação da mulher em um cargo de liderança, associando-o a um universo infantil e doméstico, que, em sua visão misógina, seria tipicamente feminino, o que desqualifica a gestão da Autora e reforça estereótipos de gênero. Essa conduta, em conjunto com as demais, constitui assédio e discriminação de gênero, buscando minar a imagem e a autoridade da Autora como gestora pública”, diz um trecho da ação.

Para o advogado de Camila Sanches, a fala do vereador Erik Camargo transcende a imunidade parlamentar e se insere no contexto da violência política de gênero, “violando a honra, a dignidade e a imagem da autora enquanto mulher e profissional. É notória a sucessão de danos, não só em comunicação privada, mas publicamente em grupo de pessoas reunidas em aplicativo de mensagens e, pior, em canal público, gravado, de acesso popular, como é uma Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores”.

Por meio de nota, o presidente da Câmara Municipal de Ponta Grossa, vereador Julio Kuller, disse que “não apoia qualquer violência cometida, em qualquer aspecto, principalmente contra as mulheres” e ainda que a Casa irá avaliar o corrido através do “órgão de controle interno e pelo departamento jurídico da casa a fim de garantir o direito de defesa e contraditório”.

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