Eleito governador do Estado já no 1º turno, cenário que se repete desde 2006, Sergio Moro terá de dar uma atenção especial à parte política do governo para conduzir a relação com a Assembleia Legislativa.
A questão técnica que o governador eleito quer priorizar na gestão terá de estar alianhada com a política para garantir governabilidade ao futuro chefe do Poder Executivo.
A Assembleia Legislativa do Paraná receberá 23 novos deputados a partir do dia 1º de fevereiro de 2027. A renovação das cadeiras é de 42,6%. Dos 54 deputados da atual legislatura, 31 se reelegeram.
Pela nova configuração no legislativo, Moro, de imediato, não terá a maioria do Parlamento, podendo contar, inicialmente, com o apoio de 20 deputados. São 14 do PL, três do Novo e outros três do Podemos. Embora esta matemática não seja tão precisa.
Há, por exemplo, deputados eleitos que caminharam com Moro mesmo estando em legendas adversárias e o contrário também é verdadeiro. Do Carmo, por exemplo, se elegeu pelo Podemos, mas estava no palanque de Sandro Alex.
As urnas remodelaram as forças políticas dentro da Alep. Mas se todos os partidos mantiverem seus posicionamentos adotados na campanha, a oposição seria superior aos governistas.
O PSD que tinha 19 deputados e estava otimista que cresceria ainda mais, perdeu cinco cadeiras no 4 de outubro. Serão 14 os deputados do partido de Ratinho Junior.
O PL cresceu na onda que elegeu Moro e os senadores da chapa: Filipe Barros e Deltan Dallagnol. Eram apenas cinco em 2022, na janela partidária deste ano foi a 12 e iniciária 2027 com os mesmos 14 do PSD.
A terceira maior bancada é do PT, que subiu de seis para oito deputados. O PDT perdeu uma cadeira e terá apenas um representante. O PP elegeu seis.
Obviamente que, diferente dos candidatos da majoritária, os parlamentares têm o dom de virar a página da eleição mais rápido. Moro já disse que deputados do PSD e de partidos que estiveram na trinheira adversária já o procuraram para “construir pontes”.
É um movimento político normal. Os partidos de Centro acabam gravitando em torno do governo de plantão. E é isso que deve acontecer nas próximas semanas. Primeiro nos bastidores, depois na prática.
Mas toda a articulação política para garantir a governabilidade passa também pela eleição dos postos de comando da Mesa Executiva da Alep. Assunto que já começou a ser conversado pelos caciques partidários.
Governar com um presidente da Assembleia que reme contra a administração não está nos planos do governador eleito. Apesar da boa votação de alguns candidatos do PL, a tendência é que o comando da Alep não fique nas mãos de um novato.
A nova cara da Assembleia com novos nomes
O candidato mais votado para a Alep, Paulo Melo, somou 192 mil votos com o apoio direto do deputado federal Nikolas Ferreira. Apesar de ser uma votação expressiva, nem de longe se aproximou dos acachapantes 427.749 votos de Delegado Francischini, em 2018, e dos 237.033 de Alexandre Curi, em 2022.
Paulo já havia se candidatado ao cargo em 2022 pelo PMB, sem sucesso, quando obteve apenas 6.318 votos. Em 2024, já no PL, disputou uma cadeira na Câmara Municipal de Curitiba, conquistando 5.851 votos, número insuficiente para ocupar uma das 38 cadeiras. A diferença foi o apoio de Nikolas.
Na oposição, o destaque novamente é Professor Lemos, do PT, que superou a votação de 2022. O capixaba radicado em Cascavel garantiu mais de 120 mil votos — favorecido pela migração dos deputados estaduais petistas para a Câmara Federal.
Novatos de destaque
Quem também debuta na Alep com uma expressiva votação é a atual vereadora de Londrina, Jessicão (PL), com mais de 131 mil votos. Ela era a principal aposta eleitoral do PL neste pleito.
Entre os novatos, porém conhecidos da população, está o jornalista Jasson Goulart (Republicanos). A vereadora de Curitiba, Delegada Tathiana Guzella (PL), esposa do atual deputado estadual Delegado Tito Barichello (PL), que não obteve votos para a Câmara Federal, ficou como suplente.
Outro nome conhecido da política que recomeça sua trajetória como deputado estadual é o ex-prefeito de Guarapuava, Cesar Silvestri Filho (PP), filho da deputada estadual Cristina Silvestri (PP), que concorreu a uma vaga na Câmara Federal, alcançando somente a suplência.
Outro ex-prefeito que estará no plenário é Paulo Mac Donald (PP), que administrou Foz do Iguaçu entre 2005 e 2012.
Veja abaixo quem são os 54 deputados estaduais eleitos e as votações de cada um
PSD
Adão Litro: 54.826 votos
Artagão Júnior: 64.572 votos
Batatinha: 46.483 votos
Bazana: 51.207 votos
Cobra Repórter: 65.282 votos
Gugu Bueno: 105.124 votos
Hussein Bakri: 99.700 votos
Marcio Nunes: 119.707 votos
Moacyr Fadel: 60.446 votos
Romanelli: 83.364 votos
Soldado Adriano José: 54.848 votos
Thiago Buhrer: 63.192 votos
Traiano: 75.694 votos
Ulisses Maia: 56.388 votos
PL
Paulo Melo: 192.409 votos
Jessicão: 131.673 votos
Delegado Jacovós: 76.373 votos
Denian Couto: 71.370 votos
Delegada Tathiana Guzella: 65.046 votos
Flávia Francischini: 63.831 votos
Mauro Moraes: 51.372 votos
Matheus Vermelho: 51.316 votos
Paulo Gomes da TV: 48.876 votos
Fão do Bolsonaro: 48.309 votos
Ricardo Zampieri: 47.231 votos
Itamar Paim: 42.880 votos
Emerson Bacil: 38.400 votos
Gilberto Ribeiro: 37.846 votos
PT
Professor Lemos: 123.338 votos
Miss Preta: 45.566 votos
Mario Verri: 45.047 votos
Yasmin Hachem: 43.343 votos
Beto Vizzotto: 36.097 votos
Angelo Vanhoni: 35.862 votos
Thiago Foltran: 32.831 votos
Dr. Antenor: 30.467 votos
PP
Maria Victoria: 73.993 votos
Mabel Canto: 58.528 votos
Alisson Wandscheer: 58.528 votos
Cesar Silvestri: 50.175 votos
Paulo Mac Donald: 45.276 votos
Felipe Machado da Saúde: 43.300 votos
NOVO
Bruno Secco: 82.898 votos
Luiz Fernando Guerra: 64.788 votos
Deivid Wisley: 31.935 votos
PODEMOS
Do Carmo: 83.445 votos
Fabiana Parro: 42.192 votos
Lu Bonatto: 39.738 votos
REPUBLICANOS
Ney Leprevost: 53.372 votos
Jasson Goulart: 50.693 votos
Alexandre Amaro: 42.031 votos
MDB
Anibelli Neto: 52.038 votos
Gerson Colodel: 41.766 votos
PDT
Goura: 49.778 votos
