Restando pouco mais de três semanas para o fim da janela partidária, partidos e candidatos ao pleito de 2026 se movimentam nos bastidores. Uma peça que tem se mexido, ainda pelas sombras, no tabuleiro eleitoral é o presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) Édson Vasconcelos. Tanto é que nesta terça-feira (10) a base governista na Assembleia Legislativa direcionou a alça de mira para o empresário.
A semana que passou foi marcada por algumas reuniões internas na entidade que já comentava o processo de sucessão dele no comando da federação. O Blog Politicamente conversou, de forma reservada com dois vice-presidente da Fiep que confirmaram as tratativas intramuros.
O mais animado para presidir a federação é o empresário Virgílio Moreira Filho — que já foi secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul no governo de Roberto Requião. Apesar da vontade, o processo de substituição ainda é incipiente. “As conversas existem, mas sem definições ainda. Mas já se comenta sim internamente uma eventual saída do Édson do comando da nossa federação”, comenta um dos muitos vice.
Já faz um bom tempo que o nome do empresário cascavelense Édson Vasconcelos é cotado para ser vice na chapa encabeçada pelo senador Sergio Moro (União Brasil). Mas a proximidade do fim do prazo de filiação acelerou as conversas.
No início do mês de março, Moro ofereceu um jantar em Brasília para a bancada federal do Progressista em que, abertamente, sugeriu filiar o presidente da Fiep no PP para que ele concorresse como vice. A ideia não agradou o partido de Ricardo Barros. “Não há conversa do Sergio Moro com o PP, há tentativa de imposição”, reagiu um progressista que reclama da falta de diálogo do ex-juiz da Lava Jato.
Aliás, após este almoço, o PP do Paraná fez questão de publicizar, novamente, a declaração do presidente nacional do partido, Ciro Nogueira, de que a decisão no Paraná será tomada pelo diretório estadual. O partido comandado pela deputada Maria Victoria já declarou que não vai homologar a candidatura de Moro ao Palácio Iguaçu.
“Ofensiva governista”
Apesar do posicionamento do PP, parte dos deputados governistas miraram em Édson Vasconcelos. O nome do presidente da Fiep foi citado na sessão desta terça da Assembleia pelo deputado estadual Marcelo Rangel — que é vice-líder de Ratinho na Alep e presidente da Comissão de Fiscalização da Casa. Logo em seguida, “veio a tropa de choque” governista. Nos bastidores, o que se comenta é o início de uma ofensiva para cima da pré-candidatura de Sergio Moro.
Aliás, conta uma boa fonte do Palácio Iguaçu que novos petardos, não só oriundos da Alep, devem ser direcionados ao presidente da federação. “Há tempos o governo vem colecionando dados sobre ele”, diz a fonte. “Tem mais munição guardada”, completa.
Rangel cobrou explicações sobre um contrato no valor de R$ 53 milhões celebrado pela Fiep, sob a gestão de Édson Vasconcelos — cujo valor teria aumentado 287% entre 2024 e o ano passado. O deputado Soldado Adriano José, outro fiel deputado governista, chegou a propor, vejá só, a instalação de uma CPI para apurar o caso.
Fiep alega inconsistência
A Fiep agiu rápido e divulgou a conclusão, nesta terça-feira, de uma auditoria interna em que identificou “uma inconsistência de natureza exclusivamente classificatória no Portal da Transparência, na qual parte dos serviços de facilities foi registrada sob a rubrica de jardinagem”.
“Os serviços de facilities compreendem um conjunto mais amplo de atividades de apoio à operação das mais de 50 unidades, incluindo limpeza e conservação, apoio operacional, serviços em áreas externas e outras rotinas de infraestrutura necessárias ao funcionamento das instalações. A inconsistência refere-se apenas à forma de classificação no portal, sem qualquer alteração de valores, contratos ou escopo dos serviços prestados”.
A equipe técnica, cita a Fiep, já iniciou o processo de atualização e reclassificação das informações para refletir de forma precisa a natureza dos serviços, além da revisão em todo o portal. “Ressalta-se que os contratos seguem os parâmetros administrativos e históricos da instituição, não havendo qualquer irregularidade na execução ou nos valores praticados. O Sistema Fiep reafirma seu compromisso permanente com a transparência e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos”.
O pano de fundo é muito claro. Apesar do governador Ratinho Junior ainda não ter definido o candidato, a tropa governista já escolheu o alvo e começou a mostrar as armas. Ao mesmo tempo em que, do outro lado da trincheira, o material bélico eleitoral está sendo preparado — independentemente de quem será o abençoado dentro do PSD num spoiler do que a campanha eleitoral nos reserva.
Resta saber se será o mantido o ímpeto do titular da Comissão de Fiscalização da Alep em investigar suspeitas de irregularidades e se o bravo deputado Soldado Adriano vai cogitar a instalação de CPI’s.
Questionado pelo Blog Politicamente sobre a “ofensiva governista” na Alep, um “morista” relembrou Roberto Requião. “Requião ensinou – não se bate no cachorro que late. Se bate no dono!”.