O governador Ratinho Junior decidiu postergar o anúncio de quem será o(a) vice de Sandro Alex e o(a) segundo candidato ao Senado na chapa do PSD. Frustando, ou adiando, planos e projetos políticos de aliados.
Os nomes só serão conhecidos depois da convenção do partido — marcada para este sábado (25). Não é um capricho. É uma estratégia.
Ratinho quer todos os holofotes da convenção virados para o “homem da infraestrutura” e para Alexandre Curi (Republicanos) — este último já alçado ao posto de pré-candidato ao Senado Federal. E depos criar um novo fato político, ou até dois, com a divulgação dos demais membros da chapa.
Apesar do mistério, o nome de Cristina Graeml subiu muito na bolsa de apostas para ser a vice de Sandro — embora ela sempre deixou claro que deseja disputar uma vaga na Câmara Alta.
Entrevista de Ratinho
Nesta quarta-feira (22), em entrevista à rádio Jovem Pan Paraná, Ratinho apenas confirmou que está trabalhando para construir uma candidatura majoritária para Cristina Graeml — que poderia ser ao Senado ou vice — “a menos que ela não queira”, disse.
Ratinho afirmou que, com a eleição de 24 para a prefeitura de Curitiba, Cristina ganhou um ativo eleitoral muito forte, uma estatura política, além de uma forte representatividade com as mulheres.
O governador ainda minimizou um eventual desconforto por parte de Eduardo Pimentel, que protagonizou uma disputa acalorada pelo Palácio 29 de Março.
Para se ter uma ideia da virulência da disputa em 24, Eduardo Pimentel chegou a chamar Cristina Graeml, na virada de um torno para outro, de “extremista”, de “ventilador de fake news” e que ela iria fazer uma gestão apoiada na divisão e no ódio.
Vídeos e declarações, que obviamente, estão sendo recortados e serão revisitados na campanha eleitoral.
Ratinho afirmou na entrevista que Cristina reconheceu que teve excessos no último pleito municipal, que ela estava num processo de maturidade política, mas que ela foi uma adversária política, não inimiga.
Reafirmou o plano de uma majoritária para ela, mas pontuou que Cristina Graeml seria a deputada federal mais votada da história. Assunto que a jornalista não quer nem ouvir falar em 2026. O plano A é o Senado.
Tendência de vice
Mas dentro da atual configuração da chapa, o nome dela perde força por conta da estratégia política de Alexandre Curi. O Republicanos já sinalizou romper a aliança com o PSD caso o Palácio escale Cristina para a segunda cadeira ao Senado. O que, por óbvio, o governador vai evitar para não perder um pilar da candidatura de Sandro Alex.
Juntando lé com cré, a tendência, portanto, é que Cristina seja anunciada como vice. Ainda faz parte da estratégia de Ratinho deixar os dois postos vagos para colocar na mesa de negociação e tentar atrair outra legenda para o arco de aliança.
O foco e a preocupação têm sido a costura política com Federação União Progressista por conta dos quase 2 minutos e meio de tempo de rádio e TV. Um verdadeiro latifúndio.
O marqueteiro argentino, Jorge Gerez, nem cogita trabalhar com os tempos do PSD e do Republicanos que não chegam nem a metade do da Federação. É preciso dar mais minutos ao gringo para apresentar Sandro Alex e associá-lo ao governador.
Alianças
O União Brasil quer caminhar, de forma unida, com o PSD. Uma fonte do partido confessa que o nome do “homem da infraestrutura” não empolga, gostariam até de outros nomes na chapa, mas que o tratamento dispensado por Ratinho aos parlamentares da legenda os coloca, até por gratidão, na trincheira do governador.
“Vamos apoiar muito mais pelo Ratinho do que pelo candidato ao Governo”, diz a fonte.
O PP, por sua vez, tem um cenário de divisão. Tem federal querendo ir com Sergio Moro, outros com Sandro Alex e outra ala com Rafael Greca.
“Se for para votação, juntando PP e União, o partido vai com o Sandro. Mas há sim uma resistência. O Ricardo (Barros), diferente do União (Brasil), recebeu um tratamento mais duro do governo. Ele tem sua parcela de razão de querer tomar outro caminho. Agora, tanto o (Antônio) Rueda quanto o Ciro Nogueria dizem que vão respeitar a decisão dos diretórios do Paraná. Se for para o voto, a Federação vai com o PSD”, conta uma fonte do Blog Politicamente.
Tempo e legado
A 72 horas da convenção do PSD, Ratinho transparece tranquilidade com o fato de ter, até aqui, apenas o Republicanos como aliado. Seus articuladores estão em campo tentando ainda trazer o Podemos, nem se for só o tempo de rádio e TV, e a Federação para a trincheira. O PSDB de Beto Richa também está na alça de mira.
Mais do que as siglas partidárias, o que está em jogo é o tempo de rádio e tv. Para Ratinho, no entanto, é o desafio de transferir votos e sua alta popularidade para Sandro Alex e avalizar junto ao eleitorado paranaense o seu método de governar.